<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440</id><updated>2012-01-27T00:07:35.638-03:00</updated><category term='Lexy'/><category term='Romênia'/><category term='Assuntos Místico'/><category term='Alice'/><category term='Vampiros'/><category term='Spice'/><category term='&quot;Laço de Alice&quot;'/><category term='Desabafos'/><category term='Exposições'/><category term='Publicidade'/><category term='Londres'/><category term='Trabalho'/><category term='Band'/><category term='Vida Alternativa'/><category term='Webcomics'/><category term='Itália'/><category term='Casa'/><category term='Highschool Shootings'/><category term='Matters of the heart'/><category term='Oportunidades'/><category term='Postmodern'/><category term='Butcher&apos;s Daughter'/><category term='Grafite'/><category term='Games'/><category term='Quarterlife Crisis'/><category term='Carnaval'/><category term='Dream'/><category term='Religião'/><category term='Série TBC'/><category term='Masculismo'/><category term='Guerrilha Cultural'/><category term='Pessoal'/><category term='Arte'/><category term='Estética de decomposição'/><category term='Idiomas'/><category term='Resenhas'/><category term='Angústia Amnésica'/><category term='Random literature'/><category term='Ateliê'/><category term='Dudi'/><category term='Video'/><category term='Depressão'/><title type='text'>Stone Lion - Black Rock version</title><subtitle type='html'>Bits and pieces of my life that everyone ignores when I speak, but someone reads when I write.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1608</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8360268191151288137</id><published>2012-01-12T23:38:00.004-03:00</published><updated>2012-01-13T01:29:10.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><title type='text'></title><content type='html'>Hoje à noite a &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; chegou em casa e me ligou para dizer que tinha passado por duas situações complicadas na rua, dessas de quase-assalto. Duas, na mesma noite. Talvez por causa do meu assalto em Dezembro, eu ainda esteja sensível ao assunto. Ando pelas ruas com isso na cabeça, analisando cada pessoa, refazendo mil estratégias a cada momento para simplesmente atravessar a rua. E eu vou continuar assim por algum tempo. Mas a gente sabe que não adianta, né? Que algum dia, daqui a uns cinco, talvez dez anos, eu vou ter me acalmado em relação a isso, e vou estar novamente andando em uma rua deserta pensando em algum desses dilemas da vida, olhando para o chão. E aí outro desses vai chegar, e vai me "pedir ajuda". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, tudo na minha cabeça são previsões de um pessimismo vil e negro como pixe. De ser orgulhoso e não me curvar à violência, ao mau funcionamento dessa cidade e o seu estilo de vida imposto, insalubre e injusto. De continuar insistindo em caminhar, em viver direito, do meu jeito. E de algum dia, daqui a quase uma década, finalmente dar de cara com o rapaz que terá de fato aquele caco de vidro, aquela navalha, aquele pedaço de pau. Previsões pessimistas de que algum dia essa cidade vai conseguir me matar se eu não fugir dela a tempo. Eu, que &lt;em&gt;posso&lt;/em&gt; fugir dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em primeiro lugar, 99% de todas as minhas previsões e palpites falham... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, quem há de me garantir que esse mesmo incidente não aconteça lá, mesmo eu tendo sentido a completa segurança e liberdade que eu tinha de andar pelas ruas à noite com a atenção totalmente dispersa em questões masculistas? Quem há de me garantir que eu não vou topar com uma gangue de &lt;em&gt;chavs&lt;/em&gt;, ou ciganos, ou qualquer outra etnia menos favorecida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, eu continuo apenas com essa sensação horrível e tola de alarme na cabeça. Como morar em uma zona de guerra, onde a qualquer momento os oficiais da Gestapo podem me parar na rua devido à minha descendência judaica.  &lt;br /&gt;O único que posso fazer é andar pela rua nesse misto de preconceito e precaução. Atravessando sempre que vejo algum rapaz de aparência humilde, que sugira a necessidade de roubar. Um rapaz sem mochila nas costas ou nada nas mãos, pra poder fugir da polícia mais facilmente. Um rapaz de havaianas (encanei com isso, apesar do primeiro cara que me assaltou na vida usar tênis da Reebok), que ele pode tirar pra ser mais silencioso quando fugir no escuro. Um rapaz de blusão largo  para esconder a arma e o lucro do assalto, com gorro ou boné para esconder o rosto das câmeras de vigilância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz. Sempre um rapaz. Cruel ironia eu ser forçado a ter esses sexismos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8360268191151288137?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8360268191151288137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8360268191151288137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8360268191151288137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8360268191151288137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2012_01_01_archive.html#8360268191151288137' title=''/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2793851395460475817</id><published>2012-01-10T17:41:00.006-03:00</published><updated>2012-01-11T12:12:56.475-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Spice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Balanço de 2011</title><content type='html'>À medida em que a vida vai adquirindo contornos mais sérios, eu vou tendo menos tempo pra escrever por aqui. Questão de escolher de maneira sóbria quais são as suas bolas de golfe e o que é a areia [&lt;a href="http://9gag.com/gag/1675850" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;]. O blog ainda está longe de terminar. Ele é parte intrínseca da minha presença virtual, de quem eu sou no mundo real também. Mas com certeza, eu já percebi que nesse ano, como dizia a &lt;strong&gt;Chebel&lt;/strong&gt;, "I need to be living, not internerding...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao que interessa. Janeiro está quase na metade e eu ainda não fiz o balanço do ano passado. Um ano que dificilmente será superado (eu já não disse &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2006_12_01_archive.html#116749090672751289" target="_blank"&gt;isso&lt;/a&gt;?), onde eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• ...estruturei muito melhor tudo o que eu pensava do Masculismo [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#8689423368618294733" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1801458779075063228" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#849932696302333847" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#5398624146516559044" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#3564609568412281549" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#8265380631560239214" target="_blank"&gt;6&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#5854604296738006434" target="_blank"&gt;7&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#6623801694486263460" target="_blank"&gt;8&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#6843486706476835880" target="_blank"&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...comecei a encontrar pontos onde, apesar de diferentes, as compreensões do masculino dos ingleses e a minha se encontravam. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#5566941258039033637" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...observei ativistas, protestantes e gente alternativa de verdade com visões de mundo e ideologias muito interessantes. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#7899825474058877160" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#3252747636992263435" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;br /&gt;• ...recebi gente lá em Londres para afastar a minha saudade. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#817168251907795544" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...conheci uma turma que não estava nem totalmente do lado masculino e nem do feminino. E estava vivendo perfeitamente bem com isso! [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#6281429748482619275" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5017105375619463432" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#687700980736940456" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#6917771163052405075" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#6947277316889216354" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...fiz vários vídeos! [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#1015768354225494499" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#7255815015941261032" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#337128179594426046" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2255775388968073267" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...percebi as crises, incoerências e o caos da faculdade em Londres. Quando a academia vira empresa, o caos se instala. Seja em que país for! [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#6813810553312845388" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#5627385882950415026" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...convivi com gente nova, estranha, estressante e interessante. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#8522779232193212837" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#9060451818318969736" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...observei os "odds and ends" de Londres. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#2575098203969892192" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5076281194573223703" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#2644200738999646873" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...coloquei meu trabalho para inglês ver! [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#3701746979248407967" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5761913898851694105" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#2302181626031332608" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#3607235618523313871" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...aproveitei que ninguém me conhecia tanto assim em Londres para ousar, dando início a uma mudança sorrateira de personalidade em direção a algo mais sexualmente ambíguo [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#5193077306612009436" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#3002237413541972951" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#2031475260379292744" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#6623801694486263460" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#6947277316889216354" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...visitei a Romênia, à procura do lendário e do verdadeiro conde Drácula! Aproveitei para aprender um nada de romeno. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/search/label/Rom%C3%AAnia" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...comecei a cair na real em relação a ser artista, ao mercado e à academia, ao meu futuro. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2152067320982335043" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#1916158019015193431" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...me envolvi com o catálogo da turma, uma responsabilidade cheia de dor e de delícia. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2183236131595846696" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#5627385882950415026" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...assisti bem de perto à Europa entrando em crise. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#3114458488001245360" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...tive que deixar a rotina gostosa de um lugar onde eu fui realmente muito feliz por um ano, para voltar ao meu país de origem e me readaptadar a estar entre conhecidos novamente. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#1060702943462385024" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_11_01_archive.html#8196302110280737631" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_11_01_archive.html#363209260162847493" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;• ...tive meus choques culturais, desgostos nativos e pequenas frustrações de volta no meu país. A vida aqui jamais será a vida de lá. [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#4738782916873075086" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#1140648093039584468" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#1089006251404926495" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#5380499650442088477" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que será de 2012? &lt;br /&gt;O ano promete muito. E embora esse muito seja muito trabalho e muitas obrigações, são também muitas possibilidades, muito gosto de vida adulta. Se tudo correr bem, será um ano em que eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• ...colocarei um pouco de lado as megalomanias da adolescência, o sonho não realizado e atualmente muito questionado de virar artista plástico de carreira. &lt;br /&gt;• ...começarei a dar aulas de educação artística no meu saudoso Colégio Bandeirantes. &lt;br /&gt;• ...investirei mais e melhor na carreira de idiomas. &lt;br /&gt;• ...finalmente sairei da casa dos pais para ter o meu lugarzinho!&lt;br /&gt;• ...continuarei interessado nas questões masculinas e nas ambiguidades de gênero, tentando levar uma vida que seja fiel à ideologia. &lt;br /&gt;• ...voltarei brevemente à minha Londres para a cerimônia de graduação do mestrado.&lt;br /&gt;• ...viajarei mais com a minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2793851395460475817?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2793851395460475817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2793851395460475817&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2793851395460475817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2793851395460475817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2012_01_01_archive.html#2793851395460475817' title='Balanço de 2011'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5380499650442088477</id><published>2011-12-21T14:54:00.000-03:00</published><updated>2012-01-03T15:03:59.139-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><title type='text'></title><content type='html'>Três da tarde, Avenida Roque Petroni, zona sul de São Paulo. O sol era inclemente, compensando um verão que tardara demais em chegar e agora queria tirar o atraso. O ar seco piorava a poluição dos carros dos quais eu me negara a fazer parte desde que voltei de Londres. Ia a pé, depois de uma curta viagem de trem, encontrar a &lt;strong&gt;Nana&lt;/strong&gt; para dar-lhe o presente que eu comprara para sua filhinha &lt;strong&gt;Aurora&lt;/strong&gt;, um bichinho de pelúcia que eu levava em um saco acinzentado balançando ao lado da cintura, junto a uma garrafa d'água. &lt;br /&gt;No meio do caminho, &lt;strong&gt;Nana&lt;/strong&gt; me ligou para dizer que se atrasara. Tudo bem. Eu mesmo, ainda não acostumado à ineficiência do transporte público paulista e às distâncias dessa cidade que pareciam maiores no calor senegalês, já levava meia hora de atraso. O problema é que eu atendi em um celular caro, encostado no canto da parede de uma loja, aproveitando que aquele trecho da Roque Petroni só era povoado pelos carros e mais ninguém a pé. "Você vem de carro?" Nana perguntara. Não, estou andando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, eu não tenho certeza se foi nessa hora que ele me viu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa de uns dez minutos depois, eu acabara de passar pela frente dos portões amplos de uma multinacional perto da ponte Vereador José Diniz. Lembro que dois homens em uniformes de empregados estavam sentados na porta. Logo depois disso, o rapaz me abordou. No começo, eu percebi a camiseta estilo polo, listrada de azul marinho e branco. Cabelos curtos, cacheados como o meu, e barba feita. Um pouco mais baixo e franzino do que eu. Me estendeu a mão, e pediu licença. &lt;br /&gt;Foi o calor. O calor, a fumaça e a caminhada de quase um quilômetro. Minha cabeça ficou letárgica e eu parei de olhar para os lados. Se não, teria visto o rapaz vindo atrás de mim, como normalmente faço, e teria esperado ele passar ao lado dos empregados da multinacional. &lt;br /&gt;Pego de surpresa, e com a tendência a ser gentil, eu lhe dei a mão. Ele segurou firme, perguntando se podia pedir minha ajuda. Segurou firme. E continuou segurando. Tempo demais. Para que eu não escapasse. Não perdeu tempo: "É o seguinte, isso aqui é um assalto. Eu tô armado, mas fica tranquilo que eu não vou te fazer nada. Me passa tudo que você tem e não tenta correr nem fazer nada. Eu já sinalizei ali pro meu parceiro que você tá de boa". Eu respirei fundo. Senti meu corpo tremer enquanto a adrenalina começava a correr. Acho que soltei um "ai, meu Deus". Nessas horas todo mundo é católico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me assegurou que nada ia acontecer, mas falou para ir andando. Eu sabia que, lá adiante, ainda ia passar por baixo da ponte, onde o perigo dobrava. Tudo menos a ponte. Precisava ficar lá. &lt;br /&gt;De repente, meu canto de olho registrou um senhor vindo pela calçada, atrás do rapaz. De maleta de negócios, careca e de óculos. Levantei as mãos, disse que estava tudo bem, que eu ia cooperar, e comecei a andar a passos lentos. O senhor nos alcançou. A esperança era que eu pudesse andar junto com ele até um ponto mais povoado, onde o rapaz não teria coragem de me agredir. Mas o senhor percebeu algo estranho, tomou a primeira virada antes da ponte e eu tive receio de envolve-lo no problema. "Não tenta nenhuma outra gracinha, viu?" se exaltou o rapaz. "Não tô tentando, nada! Eu tô cooperando!".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou pela minha carteira. Avisei que estava na mochila, e que eu ia abrir a mochila bem devagar, na frente dele. Sem problemas. Coloquei a mochila no chão. "Não precisa agachar, levanta!" ele sussurrou, olhando para os lados porque aquilo pareceria suspeito. Avisei que, no meu estado, eu não ia conseguir tirar a carteira da bolsa sem colocá-la no chão. Precisava ganhar tempo. Percebi as calças de moletom, o chinelo Havaianas e o dedinho ralado um pouco infeccionado. Um bandido ralé. Será que ele conseguiria correr rápido de Havaianas? &lt;br /&gt;Peguei a carteira para dar a ele, ele apenas pediu que a abrisse. Pegou meu dinheiro, uma nota de libras britânica que ficara por lá, um cheque de presente da minha avó. Avisei que ele não ia conseguir descontar o cheque e ele prestou atenção no que tinha em mãos. Me devolveu o cheque e as libras. Um bandido criterioso. Será que eu conseguiria enrolar ele? Me pediu o celular e o relógio. Tirei o relógio dado de presente por meus pais, mas mencionei que eu trabalhava com aquele celular e que não o podia dar. Uma coisa com a qual bandido simpatiza é gente tentando ganhar a vida honestamente. Talvez fosse vontade de ser assim algum dia. Tudo bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele insistiu que eu andasse com ele, enquanto me fazia perguntas. No que que eu trabalho? Pra que preciso do telefone? Onde eu estava indo? Estava sozinho? Apesar de constatar que eu realmente precisava do telefone para receber meus trabalhos de tradução, ele queria ver o telefone. Se ele visse, ia querer levar. Se levasse, não ia conseguir fazer nada com ele. Quebraria ou venderia por dez reais o aparelho que eu bloquearia remotamente, dando o comando para apagar a memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos debaixo da ponte, que para minha sorte, tinha um ponto de reciclagem de lixo funcionando a todo vapor, caminhões e trabalhadores ocupados por lá. Para meu azar, a área logo em seguida era um parque de mata alta, onde ninguém veria nada. Logo que passei da ponte, tive a idéia. &lt;br /&gt;"Meu celular está na mochila também." Fiz uma volta, mantendo o bolso com o celular sempre escondido dele, ou escondendo-o com o saco acinzentado do bicho de pelúcia. Coloquei a mochila no chão. Passei a revirar a mochila, tirando caderno, livro, estojo. Ele se impacientava mais ainda. Com a mochila inteira revirada, passei a dizer alto "Tô sem meu celular!", como se a revelação fosse uma surpresa. "Não mente pra mim! Você tá sendo assaltado, rapaz!"&lt;br /&gt;Controlando os nervos, olhei para ele: "olha, quanto mais tempo você passar aqui comigo, mais a coisa complica pra você e pra mim também". Foi então que ele percebeu. A turma do ponto de reciclagem olhando, o cruzamento aberto com carros parando no semáforo, a minha mochila escancarada no chão e eu agachado aos seus pés. Ele ainda teve um último instante para olhar para meus pertences e ver o tocador de MP3 barato. "Isso é o celular?" Avisei que não, que aquilo era "outra coisa" que não valia nada. Mesmo assim, ele levou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzou a avenida correndo e subiu a ponte do outro lado. Corria lento por causa das Havaianas. Corria sozinho, sem parceiro. E eu nunca havia visto indício de arma alguma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente se sente idiota. Covarde. Pensa tanto em como agir nessas horas e não tem coragem de fazer. Vai que existe uma arma, que seja um caco de vidro. Vai que existe um parceiro. Vai que aquele aperto de mão forte de um esfomeado demonstra de fato mais força física do que a sua. Pior do que essas sensações e essa dúvida, são as incontáveis instâncias altamente criativas de "E se..." que passam a desfilar pela mente durante o resto do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...não perdeu tempo: 'É o seguinte, isso aqui é um assalto. Eu tô armado, mas fica tranquilo que eu não vou te fazer nada. Me passa tudo que você tem e não tenta correr nem fazer nada. Eu já sinalizei ali pro meu parceiro que você tá de boa'. Eu respirei fundo. Senti meu corpo tremer enquanto a adrenalina começava a correr. &lt;br /&gt;Respondi: 'meu amigo, fica calmo, eu vou cooperar. É o seguinte, eu sei que um cara esperto como você entende que bacana que nem eu só respeita outro bacana ou cara que anda armado, né? Tu tá me dizendo que tá armado, e se tu só levantar a camisa de leve pra eu ver a arma, uma faca ou um caco de vidro, eu vou te dar absolutamente TUDO que eu tenho e tu pode sair daqui AGORA, sem problema. Assim de fácil. Eu nem resisto, deixo a mochila e as coisas no chão e vou andando. Quando a polícia chegar, você já vai tá longe. Eu não quero problema. Sério. Mas tu entende que se eu não tiver certeza disso, eu posso tentar correr. Se você me mostrar, eu já não tenho o que fazer. Agora, se tu não tem arma, vira e vai pro outro lado, na boa. Eu não vou chamar polícia nem nada. Vai cada um pro seu canto e você tenta pegar outro bacana que não pense nisso.'&lt;br /&gt;De repente, meu canto de olho registrou um senhor vindo pela calçada, atrás dele. De maleta de negócios, careca e de óculos. Olhei o rapaz nos olhos, com respeito, sem intenção de superioridade. De repente virei e perguntei ao senhor: 'por favor, eu preciso de uma ajuda, eu tô tentando achar a Santo Amaro, será que você pode me indicar pra onde que é?'. O senhor, me apontando para o lado do qual eu viera, se despede e segue adiante. Eu volto à frente da multinacional (na direção do suposto parceiro dele), com uma testemunha no local, impossibilitando o rapaz de qualquer ação. Lá, junto dos empregados da empresa, vejo o rapaz seguir em direção à ponte, achando que a situação já está complicada demais. Com as pernas tremendo, peço aos rapazes da multinacional que me deixem sentar. 'Preciso de ajuda. Eu quase fui assaltado'.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...de repente, meu canto de olho registrou um senhor vindo pela calçada, atrás do rapaz. De maleta de negócios, careca e de óculos. 'Rapaz, tem um senhor vindo pra cá.' avisei o assaltante, olhando-o seriamente nos olhos e começando a caminhar de volta até o portão da empresa com os dois funcionários. 'Presta atenção: você não vai querer complicar mais isso daqui com mais gente envolvida.'&lt;br /&gt;'Fica onde você tá!' comandava o rapaz. Mas eu já estava apressando o passo e andando de costas, quase passando pelo senhor, que já percebi alguma coisa acontecendo. &lt;br /&gt;'Segue andando, cara. Você não escolheu o melhor lugar pra fazer isso.' eu desafiei, tentando não mostrar em momento algum qualquer desrespeito. Ele pareceu inicialmente contrariado como uma criança. Mas depois, percebendo a situação já fora do controle, virou e apressou o passo em direção à ponte. &lt;br /&gt;Da empresa, eu acenei para um taxi na rua, com uma mão trêmula de quem mal conseguia acreditar no que tinha feito.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...coloquei a mochila no chão. 'Não precisa agachar, levanta!' ele sussurrou, olhando para os lados porque aquilo pareceria suspeito. Avisei que, no meu estado, eu não ia conseguir tirar a carteira da bolsa sem colocá-la no chão. Precisava ganhar tempo. Percebi as calças de moletom, o chinelo Havaianas e o dedinho ralado um pouco infeccionado. Um bandido ralé. Será que ele conseguiria correr rápido de Havaianas?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele olhava para os lados, girei o calcanhar, tomei impulso, e num esforço de baixo pra cima, empurrei o rapaz pela cintura, levantando-o do chão, jogando-o na avenida onde os carros vinham em alta velocidade. Ele conseguiu dar dois passos pra trás, para evitar cair de costas, até que o espelho de um Polo cinza o pegou pelo estômago. O carro derrapou em uma parada brusca e eu tomei a mochila e corri como nunca corri na minha vida, deixando o animal de pelúcia pra trás.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...me pediu o celular e o relógio. Sem argumentar, entreguei os dois, o relógio que eu amava, dado por meus pais, e o celular que eu comprara recentemente. &lt;br /&gt;De volta pela Roque Petroni, no Shopping Morumbi, pedi ajuda e entrei em contato com a delegacia de polícia local. "Querem pegar um ladrão fácil?" eu propus da forma mais sedutora que minha frustração permitia. Com uma conexão qualquer de internet, acionei o localizador do celular e apaguei a memória, que poderia ser restaurada com os arquivos de back-up. Policiais mais ambiciosos acharam o rapaz em duas horas. Minha raiva não permitia que eu me importasse com o que aconteceria com ele. A classe média e alta se importam com direitos humanos até terem uma frustração dessas. Claro que eu nunca mais vi o relógio ou o celular. Se os policiais os acharam, ficaram com eles. Nada que eu pudesse fazer quanto a isso.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óbvio que eu dificilmente faria qualquer dessas alternativas. A gente é educado a não reagir diante de bandido, pra não se machucar. A pena é ver que a gente também é educado a não se envolver quando vê alguém não reagindo diante de um bandido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5380499650442088477?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5380499650442088477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5380499650442088477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5380499650442088477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5380499650442088477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#5380499650442088477' title=''/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1089006251404926495</id><published>2011-12-20T09:46:00.004-03:00</published><updated>2011-12-20T11:50:38.520-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Spice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida Alternativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Cabaret Paulista</title><content type='html'>Como parte da minha tentativa de manter os hábitos e deleites londrinos por aqui, estive ontem no Cabaret Paulista: uma noite de apresentações burlescas que fazem parte do Projeto Luxúria. O Luxúria é idealizado por &lt;strong&gt;Heitor Werneck&lt;/strong&gt;, ex-estilista e atual empresário de entretenimento alternativo em São Paulo. Por aqui, ele é único, alternativo, esquisito. Por lá, ele seria mais um naquele submundo &lt;em&gt;freak&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Andei lendo que ele de fato baseou o Luxúria no famoso Torture Garden de Londres, o projeto a cujas festas eu fui em Brixton. As festas do TG eram divididas em diversos ambientes, com apresentações burlescas em um lado, a discoteca em outro, e muitos divertimentos estranhos espalhados em diversas salas. A impressão que eu tive era de que o Cabaret Paulista era uma versão &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; do TG, apenas com as apresentações burlescas. Tanto é que o rígido "dresscode" imposto à clientela nem foi seguido à risca, e a maioria do pessoal apareceu de camisetinha polo e calça jeans. Mas justamente por ser uma versão &lt;em&gt;light&lt;/em&gt;, achei que seria o adequado para começar, e como uma primeira experiência para levar minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veredito? Ainda darei uma chance às festas completas do Luxúria, mas o Cabaret me deixou um tanto desapontado. O apresentador, uma drag queen rotunda, fez o que pode para animar a noite, mas sofreu um pouco com a falta de organização e a demora dos performers em se aprontarem. A maioria dos números parecia altamente improvisada, mas não de uma maneira boa, como eu tinha visto improvisarem por lá. É difícil explicar o que incomodou, mas não foram só coisas como o artista de &lt;em&gt;shibari&lt;/em&gt; (técnica de amarração e imobilização com cordas) não conseguir desatar sua vítima no fim do número ou o cara da dupla de &lt;em&gt;pole dancing&lt;/em&gt; escorregar e cair na cabeça da moça. Números corretamente ensaiados e apresentados como os da performer &lt;strong&gt;Mouse&lt;/strong&gt; e do &lt;strong&gt;Equador&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;the Wizard&lt;/em&gt; ainda estão distantes de aparecerem por aqui (prova disso é que eu sequer lembro do nome de nenhum dos performers de ontem...). Mas isso não me incomodaria tanto mesmo se a galera de Londres errasse. &lt;br /&gt;O que faltou foi um pouco mais de seriedade e de gente que acreditasse em si mesma. A questão do "dresscode" já mostrava que ninguém, nem mesmo a clientela, estava levando a coisa muito a sério (tá certo, isto é uma diversão, mas pra que a coisa funcione, precisa de um mínimo de cooperação da galera) e que todo mundo tinha um certo medo de ser julgado, de estar gordo, feio, ridículo. Muitos dos performers pareciam estar tentando imitar algum ídolo em vez de confiarem no próprio corpo e conhecerem seus movimentos. Quiçá a coisa ficasse menos feia (embora também menos pro meu gosto) se alguém aparecesse lá para mostrar uma performance burlesca que misturasse samba, mulatas, forró e outras brasilidades. Pelo menos os performers teriam mais jeito e mais veracidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veracidade. Talvez seja essa a palavra. Em Londres, mesmo em um ambiente tão fantasioso quanto as boates de fetish, havia uma sensação de veracidade. Eles eram de fato aquilo. Por aqui, no meio da noite, quando o performer de tecido agitou os panos para tentar dar um desnecessário efeito dramático, me peguei pensando: "parecemos macacos imitando o homem branco europeu". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os melhores da noite ficaram por conta de uma garota que, apesar de imitar a antiga "dança dos leques" e não fazer nada de tão original, sabia muito bem vestir e usar o corpo rechonchudo; e o cantor que entoava &lt;strong&gt;Elis Regina&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Cazuza&lt;/strong&gt; com uma bela voz (novamente nada de novo), mas sabia mover o corpo esguio e abusar dos trejeitos afeminados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou curioso a respeito da festa do Projeto Luxúria. Curioso pra saber se o pessoal de fato vai vestido como se deve, se os organizadores de fato barram quem não entra na brincadeira, se rolam tantas loucuras quanto as que rolavam em Londres, se há menos macacos e mais pessoas. Mas não vou com muitas esperanças. Como andei escrevendo por aqui, a experiência que eu tenho do meu próprio povo é bem diferente da imagem libidinosa que temos no exterior. E a experiência no Cabaret Paulista só fez confirmar essa percepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não posso deixar de terminar o post com uma nota favorável para o organizador &lt;strong&gt;Heitor Werneck&lt;/strong&gt;. Como de costume com essas pessoas, o visual intimidante e altamente expressivo esconde uma pessoa amabilíssima, muito solícita, aparentemente muito culta em relação a esse mundo, e que apenas trabalha arduamente para vê-lo florescer aqui, com a mesmaa força que tem por lá. Tomara que consiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1089006251404926495?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1089006251404926495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1089006251404926495&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1089006251404926495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1089006251404926495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#1089006251404926495' title='Cabaret Paulista'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3843273108777980593</id><published>2011-12-13T11:54:00.003-03:00</published><updated>2011-12-13T12:07:41.890-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Conversa no chat do Facebook</title><content type='html'>Sempre, aos 45 do segundo tempo, quando você está quase desistindo da carreira, acontecem umas conversas como esta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ei pedro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala, moça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;quero deixar seus trabalhos no quarto in janeiro pode? sem custo adicional.&lt;br /&gt;pq quem não viu , tem que ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opa! Quer deixar os cartões e o jornal lá em Janeiro?&lt;br /&gt;Tem alguém interessante pra quem você quer mostrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;isso isso&lt;br /&gt;u celsinhu du mapa perguntou preu la fora de quem e a obra dus cartões du meu quarto&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eba! Maravilha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;yes é nois&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeuuuuuuu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;imagina euq ue agradeço é bao poder socolocar trabaios bao nu meu quarto pq acordar e dormir com arte é foda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hahahaha! Certeza! &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "celsinhu" em questão é o &lt;strong&gt;Celso Fioravante&lt;/strong&gt;, organizador do Mapa das Artes, que sai todos os meses com as principais exposições da cidade. &lt;br /&gt;Logo que cheguei de viagem, coloquei os cartões da Filha do Açougueiro na Casa da Xiclet, para uma bem-humorada retrospectiva de 10 anos da casa chamada "10 anos sem sucesso - o fracasso nunca me subiu à cabeça". Nem comentei por aqui, por já estar desiludido com minhas perspectivas como artista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha carreira de artes é aquele paciente na UTI que tá pra morrer, mas ninguém deixa desligarem os aparelhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3843273108777980593?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3843273108777980593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3843273108777980593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3843273108777980593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3843273108777980593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#3843273108777980593' title='Conversa no chat do Facebook'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8221249862543822432</id><published>2011-12-08T21:57:00.004-03:00</published><updated>2011-12-08T23:01:04.979-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Postmodern'/><title type='text'>O Modelo Inception</title><content type='html'>&lt;a href="http://9gag.com/gag/936501" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://d24w6bsrhbeh9d.cloudfront.net/photo/936501_700b_v1.jpg" width="215" height="340" align="left" alt="You are the product being sold"&gt;&lt;/a&gt; Recentemente vi esta piadinha no &lt;a href="http://www.9gag.com" target="_blank"&gt;9gag&lt;/a&gt;, um site que tem virado um vício diário ultimamente. E apesar de eu ter visto &lt;a href="http://9gag.com/gag/934550" target="_blank"&gt;outras coisas&lt;/a&gt; no 9gag que também me fizeram sentir aquela ponta de culpa por passar tanto tempo anestesiado pelas mídias sociais, essa piadinha do macaco ficou na minha cabeça durante o resto do dia. É que eu tenho que admitir que, vendo desse jeito, eu achei a estratégia do &lt;strong&gt;Mark Zuckerberg&lt;/strong&gt;, criador do Facebook, uma coisa brilhante e com uma pegada pós-moderna à la &lt;em&gt;Inception&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Em um nível simples, o Facebook funciona como qualquer outro serviço proporcionado a nós, que teoricamente somos os clientes. Nós (achamos que) temos uma necessidade, e o serviço supre essa necessidade em troca de algum ganho para o provedor do serviço, que normalmente vem em forma de dinheiro. Só que ninguém paga pelo Facebook, o que complica um pouco essa teoria. &lt;br /&gt;A piadinha me fez pensar bastante nisso: "se você não está pagando por algo, você não é o cliente, você é o produto sendo vendido". Então, quem seria o cliente? Hoje, o Facebook tem links patrocinados. Fica claro que os "clientes" da história acabam virando esses anunciantes, para os quais ele vende um serviço: a visibilidade publicitária com possivelmente a maior audiência do planeta. E dentro desse serviço, o outro serviço que ele presta para nós, "clientes de mentira". &lt;br /&gt;Outra forma de pensar no assunto é que talvez o "produto" dele seja a marca Facebook em si, a empresa. Que, quando ele achar que está pronto, irá vender a quem pagar mais, em uma transação comercial relativamente comum de venda de um bem, no qual está incluído esse serviço que ele presta a nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse modelo &lt;em&gt;Inception&lt;/em&gt; de negócios, que eu digo ser muito pós-moderno, também é posto em prática no mundo das artes por pessoas como a &lt;strong&gt;Xiclet&lt;/strong&gt;, em cuja galeria eu costumava expôr algumas das minhas pinturas. O serviço básico dela é o mesmo de várias galerias, providenciando espaço expositivo para os "clientes" artistas, que acreditam estar exibindo suas obras. Mas pouca ou nenhuma atenção é prestada de fato ao que é exposto na Casa da Xiclet, porque o mais legal são as baladas de abertura e o humor da divulgação, os nomes das exposições. As obras dos artistas lá expostos estão dentro de outra obra maior, que é a própria exposição organizada pela &lt;strong&gt;Xiclet&lt;/strong&gt;, que adquire status de questionadora similar ao de muitos artistas pelo modo como divulga e organiza suas exposições, sempre desafiando o sistema e o mercado das artes. Ou seja, as exposições dela têm uma composição, uma teoria, um valor de entretenimento e uma prática que são mais similares aos de uma performance artística do que aos de uma galeria pura e simples. E ela se promove e adquire exposição no mercado de artes através delas. Mais exposição do que os artistas expostos. O que não acontece nas galerias comuns. &lt;br /&gt;A real relação artista-público acontece entre a &lt;strong&gt;Xiclet&lt;/strong&gt; e os visitantes, não entre os artistas e os visitantes. Da mesma forma, a real relação provedor-cliente acontece entre &lt;strong&gt;Zuckerberg&lt;/strong&gt; e os anunciantes ou compradores do Facebook, não entre ele e os usuários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tão interessante de ver que eu nem consigo me sentir usado por fazer parte desses esquemas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8221249862543822432?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8221249862543822432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8221249862543822432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8221249862543822432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8221249862543822432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#8221249862543822432' title='O Modelo &lt;em&gt;Inception&lt;/em&gt;'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1140648093039584468</id><published>2011-12-05T14:16:00.005-03:00</published><updated>2011-12-06T20:32:20.425-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angústia Amnésica'/><title type='text'>Modorra</title><content type='html'>Já faz um mês que estou de volta. &lt;br /&gt;Infelizmente, ainda vou usar este espaço para desabafar um pouco a respeito das minhas impressões da cidade à qual voltei. &lt;em&gt;Bear with me&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais tem ficado aparente para mim nesse mês que se passou por aqui é a modorra. Ando brincando com a idéia para uma ilustração do novo personagem que tem surgido no meu caderno na ausência da Filha do Açogueiro. A idéia de uma gosma que envolve tudo, deixa os movimentos do personagem mais lentos, mais difíceis. É assim a minha sensação de estar aqui. De que tudo precisa de um esforço maior, para equacionar inteligentemente o trânsito, para atravessar a punho de ferro as burocracias, para gastar eficientemente as 24 horas que aqui dão a sensação de 12. Eu tinha essa impressão por lá? Francamente, não me lembro. Digo que não, mas a verdade é que não me lembro. &lt;br /&gt;Há outra modorra dentro da minha cabeça. Ela é composta de uma avalanche de pequenices a resolver. Eu ainda não liguei para aquela pessoa. Nossa, e não respondi o e-mail que me foi enviado há dez dias. Ai, o prazo para aquele projeto de arte está quase acabando. Eu podia organizar esses papéis na minha mesa. &lt;br /&gt;Na verdade, nada disso é importante ou urgente. Tá, alguns são. Mas de repente eu percebo que a manhã inteira já foi embora e eu não fiz quase nada. E a sensação que tenho é de que eu estou me afogando nesse mar de pequenices pragmáticas, nessa gosma que consome meu dia, e não sobra quase tempo algum para qualquer atividade criativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era possível lá? Como eu conseguia resolver pequenices, cuidar da casa, participar da vida cultural da cidade, desenvolver um mestrado e ainda por cima criar arte? E olha que eu ainda nem estou precisando cuidar da casa direito, porque estou morando com meus pais até o começo do ano que vem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja esta cidade. O modo como as coisas (não) funcionam aqui. Ela mata minha criatividade. E não é só para as artes, mas para viver também. Eu saia lá nos fins de semana meio sem rumo, pronto para a cidade me surpreender, porque era fácil e seguro andar por lá. Porque as próprias pessoas do lugar me interessavam. Não sinto essa vontade aqui. Eu tinha trezentas idéias artísticas legais por dia, por causa da convivência com artistas e de frequentar museus e galerias nos fins de semana. Eram questões relacionadas a arte, masculinidade e afins. Coisas relacionadas com o meu mestrado. Elas ficavam como um murmúrio no fundo da mente e de vez em quando traziam à tona algo produtivo. Era um murmúrio positivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje percebi que esse murmúrio tinha voltado a ser o que era antes da minha partida pra lá. E não é nada positivo. Passo o dia escutando discussões acaloradas, situações hipotéticas onde eu estou descontando a raiva e dizendo o que penso para algum infeliz. Eu não sei de onde vem todo esse rancor. Mas eu não consigo calar esse murmúrio incessante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu perdi algo. E me faz falta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquilizo-me dizendo que é só a combinação entre a época de festas e a bagunça de ter chegado de viagem. E que talvez em Janeiro, quando as coisas acalmarem, eu voltarei a ter sossego, concentração e tempo para fazer alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1140648093039584468?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1140648093039584468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1140648093039584468&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1140648093039584468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1140648093039584468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#1140648093039584468' title='Modorra'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-4738782916873075086</id><published>2011-12-01T11:30:00.002-03:00</published><updated>2011-12-01T12:10:56.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Nan Goldin e a aceitação do corpo brasileira</title><content type='html'>O meio artístico está em polvorosa por causa do quase cancelamento da exposição da artista americana &lt;strong&gt;Nan Goldin&lt;/strong&gt;, organisada pela curadora &lt;strong&gt;Lígia Canongia&lt;/strong&gt; e patrocinada pela Oi Futuro no Rio de Janiero. Pelo que eu entendi, e corrijam-me se eu tiver informações erradas, a curadora passou dois anos organizando a exposição e lutando para trazer a obra de fotografia para o Brasil. Por algum motivo, a Oi Futuro só tomou conhecimento do teor das fotos recentemente, mesmo depois de ter aprovado o projeto em concorrências acirradíssimas. Já começa aí o brasileirismo. Quando perceberam que as fotos tratavam da comunidade alternativa LGBT de Nova Iorque, a empresa começou a fazer exigências. Queria que tirassem fotos onde indivíduos apareciam se drogando. &lt;strong&gt;Goldin&lt;/strong&gt; aceitou. Mas quando as exigências continuaram e a empresa pediu que ela removesse as fotos com crianças, ela sugeriu que fossem substituídas por quadros pretos com a legenda "censurado" (a artista comenta que não sabia do peso tão forte que a palavra tem no Brasil por causa da ditadura). A partir daí, as negociações desandaram e a Oi ameaçou cancelar o projeto. Depois de ampla reação da comunidade artística brasileira, a Oi Futuro voltou atrás, e decidiu seguir em frente com o projeto, mas transferi-lo ao prédio do MAM no Rio. A atitude me pareceu uma daquelas em que a diplomacia é tão evidente, que fica até feio. "I'll have none of that filth in my house" ("Não vou aceitar essa imundice na minha casa") diz a empresa, mas ainda financia a coisa para salvar sua imagem na mídia. Do jeito que está, ela já prejudicou sua imagem tanto com o público mais conservador, quanto com os artistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei relevante a colocação do &lt;strong&gt;Agnaldo Farias&lt;/strong&gt;, crítico que esteve na minha banca no curso de artes, dizendo que a empresa deveria mudar o nome para "Oi Passado" ou "Adeus Futuro". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém fiquei muito atento à entrevista que &lt;strong&gt;Goldin&lt;/strong&gt; deu ao Estadão. Em determinado momento, ela se disse chocada com o que aconteceu no Brasil: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fiquei chocada. O Brasil é percebido como um país socialmente livre, de pessoas sem problemas com o corpo, então foi chocante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um estereótipo antigo. Mas a experiência de Brasil que eu tenho é de um país que na verdade tem problemas enormes em relação ao corpo. Onde o culto à forma perfeita é exageradamente escancarado nas praias e na publicidade, mas a exibição de um único mamilo ou (Deus me livre!) de um pênis é uma heresia. Onde sexo é estimulado de forma subentendida e subliminar, mas não pode acontecer a olhos vistos (medo de julgarem a sua performance?). Onde acontece a cada ano a maior parada gay da américa latina (com números a cada ano mais... túrgidos), mas os mesmos gays são espancados na mesma avenida da parada. Onde a diferença sexual é discutida e "tolerada" na novela, mas o país ainda não aceitou o matrimônio entre homossexuais e ainda não sabe como lidar com o cartunista &lt;em&gt;cross-dresser&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o que é exportado é a imagem da mulata do carnaval, que tem sua roupa produzida pelas bibas da escola de samba. O estereótipo ainda prevalece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-4738782916873075086?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/4738782916873075086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=4738782916873075086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4738782916873075086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4738782916873075086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_12_01_archive.html#4738782916873075086' title='Nan Goldin e a aceitação do corpo brasileira'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-363209260162847493</id><published>2011-11-28T23:39:00.005-03:00</published><updated>2011-11-29T00:27:09.170-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Readaptação social</title><content type='html'>Uma das dificuldades que estou penando para superar e a readaptação social. &lt;br /&gt;Eu passei um ano no qual muita gente se sentiria deprimida por estar sozinha. Mas eu me senti bem. Chega a ser até feio admitir, mas eu me senti bem. Tinha uma liberdade gostosa nessa vida que eu levava lá, de poder mudar de idéia, definir o programa do final de semana na sexta à noite e mudar no sábado de manhã. De experimentar aquelas baladas estranhas e o underground londrino sozinho, sem ter que inventar desculpa pra ninguém ou criar coragem pra vestir algo diferente. A verdade é que havia uma falta de intimidade. Eu não era de fato íntimo de ninguém lá, e aproveitava a liberdade do anonimato e da privacidade. &lt;br /&gt;Mas claro, faltava alguma coisa. Sempre falta. Aquela conversa gostosa no restaurante; os programinhas a dois, três, dez amigos muito próximos; o fim de ano com pessoas que realmente significam algo; a piada interna; a sensação de muita água que já rolou debaixo da ponte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que eu voltei, estou aproveitando a compania das pessoas de novo. Matando saudades, revendo amigos. Vou admitir, você começa conversas com londrinos muito mais facilmente do que com paulistas. Em qualquer ponto de ônibus, boteco ou evento eles puxam conversa e ninguém olha desconfiado. Em compensação, eles dificilmente vão deixar você ter mais intimidade do que o papo circunstancial do que está rolando naquela situação. Pouquíssimos abrem sua vida pessoal. E estou voltando a saborear o gosto desse tipo de convivência, que eu nem tinha percebido me fazer tanta falta quanto de fato fazia. No entanto, tem certas regras de etiqueta ou simples bom senso para as quais eu devo confessar que perdi o jeito. Vou arriscar desfilar alguns dos meus deslizes. &lt;br /&gt;Fui assistir a uma peça de teatro com a minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; e depois, acostumado ao que eu fazia nas noites de cinema em Brixton, voltei pra casa. Assim, sem jantar a dois nem nada depois. Completa falta de bom senso e gentileza. Claro que não fui poupado de um bom puxão de orelha. &lt;br /&gt;Convidei alguns bons amigos para irem à fazenda no fim de semana, e só não esqueci de levar em consideração a comida porque minha menina perguntou. Estivera acostumado novamente a me virar sozinho e a não me importar com as sessões culinárias na madrugada, aprimorando receitas com o que eu tivesse ainda na geladeira. E ainda por cima fui avançando na receita que escolhi cozinhar para meus convidados sem levar em conta as restrições alimentares deles. Olhando para o meu próprio umbigo de novo. &lt;br /&gt;E claro, esqueci do quão complicadas são as agendas em São Paulo. Onde todo mundo sempre tem uma "festa de aniversário da samambaia da tia-avó do namorado em São Luiz do Passaquatro do Sul" pra ir no fim de semana. Assim que, quando dei notícia por Facebook para que todos viesse em casa uns poucos quatro ou cinco dias antes, apenas um punhado de amigos fiéis apareceram. Vários nem perceberam o evento no Facebook. Não importava que eu estava fazendo 30 anos e que voltava de Londres depois de ter passado um ano fora. As agendas já estavam preenchidas. Pensando bem, eu nunca soube organizar essas coisas direito. Mas sabia ao menos que festa que se preze por aqui tem que ter aviso com várias semanas de antecedência e manobras diplomáticas para garantir presenças. E não só eu estava voltando de Londres muito em cima da hora, como ainda estava acostumado ao modo displicente com o qual estas coisas eram organizadas por lá. Bastava um aviso no mural do Face dois dias antes para que vários dos meus colegas de curso aparecessem no pub para a minha despedida de Londres. Era uma turma mais focada e, mesmo depois do curso acabar, ainda prestávamos muita atenção uns nos outros pelas mídias sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda levo um tempo até recobrar um pouco do (parco) bom senso que eu tinha. Por favor tolerem o meu choque cultural às avessas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-363209260162847493?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/363209260162847493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=363209260162847493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/363209260162847493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/363209260162847493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_11_01_archive.html#363209260162847493' title='Readaptação social'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3178622463123763770</id><published>2011-11-17T00:02:00.004-03:00</published><updated>2011-11-17T01:57:35.767-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Band'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>3.0</title><content type='html'>Uma vez me explicaram (e corrijam-me se eu estiver falando besteira) que quando um aparelho ou software é lançado em versão atualizada, esses números têm significados específicos. Grandes mudanças na estrutura básica da coisa aumentam o primeiro número, mudanças menores de software e correções de bugs aumentam os números subsequentes. Ou seja, a mudança de um programa 2.5 para 2.6 pode nem ser percebida pelo usuário, mas entre um 2.5 para um 3.0 a mudança já é mais radical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, passei o dia do meu aniversário sem muito alarde. Almoço com a família que ainda estava matando as saudades depois da minha volta de Londres. Não senti aquela ansiedade por "fazer o dia valer", fazer algo memorável. O mais surpreendente é que eu sempre fui muito dado a me importar com números importantes, como mudanças na casa decimal das dezenas. E no entanto, não estava me importando tanto com a minha chegada aos 30. Na verdade, parte de mim se consolava pelo fato de que eu tinha acabado de chegar de um ano no exterior e realmente não tivera tempo para me importar ou preparar qualquer coisa. Outra parte estava fazendo o balanço da minha vida até então e estava satisfeita com as conclusões, não se importanto com a ausência de festas faraônicas para comemorar. E ainda uma terceira parte me lembrava que raríssimas vezes eu vi alguém comemorar essas coisas de formas de fato memoráveis e os que tentavam acabavam sendo apenas memoravelmente deprimentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, o mais importante nesse balanço de 30 anos era a decada que eu estava encerrando. &lt;br /&gt;A infância, passara-a na fantasia de querer ser adulto, enquanto estava afogado na dor e na delícia de viver na Colômbia. Na confusão, no ser estrangeiro, na vizinhança que lembrava os suburbios dos filmes americanos, numa realidade que ouvia as notícias do narcotráfico como se fossem lendas urbanas, pois que eu nunca vi nesses anos todos um grama de droga ou uma cena de violência. &lt;br /&gt;A adolescência fora um trauma, da volta para meu país até as descobertas sexuais e os relacionamentos que eu julgava complexos. E principalmente na difícil decisão entre teatro, literatura e artes plásticas. &lt;br /&gt;Mas os vinte... Ah, os vinte anos! Passados na vã busca do sucesso de carreira como artista plástico. Dos primeiros anos nas duas faculdades, o tempo desperdiçado na publicidade... Eu confesso que até renunciar a publicidade aos 27, eu achava que estava perdido além das esperanças. Até desisti de comparecer à festa de 10 anos de formados do meu colégio, com vergonha de me apresentar como aquele tremendo fracasso frente à minha antiga turma e seus sucessos. Mas esses últimos anos foram uma tremenda volta por cima.  A admissão do amor pelos idiomas, as viagens, o encontrar um outro modo de vida (o &lt;u&gt;meu&lt;/u&gt; modo de vida), o lidar com os traumas da adolescência e sexualidade e finalmente as primeiras recompensas profissionais e pessoais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que este último ano em Londres, para o qual eu estava me preparando desde os 27, tem muito a ver com essa mudança. Eu comentara antes de viajar, que ele seria decisivo. Como a expressão inglesa diz, ele iria &lt;em&gt;make me or break me&lt;/em&gt; [me fazer ou me destruir]. &lt;br /&gt;Pessoalmente, o ano fez mais do que destruiu. Me deu uma nova compreensão de mim que curou diversos dos meus traumas, me mostrou como viver comigo mesmo, meus gostos, peculiaridades e ideologias.  &lt;br /&gt;Profissionalmente, ele destruiu mais do que fez. Destruiu meus contraproducentes delírios de grandeza, parte do meu enorme ego, a crença em um gênio artístico que amigos aplaudíam e profissionais ignoravam. Ele me fez mais humilde. Eu não consegui a carreira artística em Londres, apesar de ter tantos outros sucessos na instituição onde estudei (o catálogo, a indicação para o GAM, o reconhecimento e respeito de colegas e professores, a gratidão dos alunos novos aos quais ajudei). E hoje entendo, jamais conseguirei a tal carreira em São Paulo. Mas essa nova convicção não é triste como soa. É libertadora. Agora eu me permito ir em frente e construir a minha vida, ganhar dinheiro, sair da casa dos pais, eventualmente casar e ter filhos. Em vez de ficar penando para bajular quem jamais se interessou pelo que eu faço. Soa como se eu deixasse de ser artista, mas isso eu sei ser impossível. Eu continuo fazendo minhas coisas, desenhando minhas persoangens (tem um novo surgindo no novo caderno...), botando o atelier para funcionar. Quando &lt;strong&gt;Joseph Beuys&lt;/strong&gt; plantou aquela última árvore e se disse "fora da arte", ele não queria dizer que não ia mais "ser artista". Imagino que, como eu, queria dizer que estava desistindo de bajular galeristas e curadores, da ansiedade de estar "por dentro das tendências", do esforço não-natural de se interessar pelo que não o interessava, das aparências. Mas aposto que continuou fazendo suas pequenas tolicezinhas em casa. &lt;br /&gt;E essa é a principal mudança na minha nova versão 3.0. Uma mudança radical de foco. Estou ainda engajado em últimos esforços, últimos salões de arte, mas pretendo também me colocar "fora da arte". E perseguir o caminho dos idiomas, talvez da literatura, de rumos que atualmente me dão e sempre me deram muito mais retornos positivos (financeiros e pessoais) do que as artes visuais. Não é uma mudança fácil. Nem rápida. Mas vai acontecer ao longo dessa próxima década. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra terminar este post em um tom mais agradável, preciso contar que todo o conhecimento sobre artes visuais e os estudos que fiz aos vinte anos não serão jogados fora assim, de uma hora pra outra. Se eles não me renderam a tão sonhada carreira como artista plástico, eles ao menos acabaram de me render uma outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adivinha quem vai ser o novo professor de educação artística do meu antigo Colégio Bandeirantes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3178622463123763770?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3178622463123763770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3178622463123763770&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3178622463123763770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3178622463123763770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_11_01_archive.html#3178622463123763770' title='3.0'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8196302110280737631</id><published>2011-11-04T10:45:00.004-03:00</published><updated>2011-11-04T11:22:04.196-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><title type='text'>Touchdown</title><content type='html'>Meu coração já encolheu um pouquinho quando percebi ainda no aeroporto as pessoas falando em português. Não era tanto o português em si que me incomodava, mas o jeito das pessoas falarem e o que elas falavam. Como todas queriam chegar lá antes dos outros pra embarcarem primeiro, arranjarem mais espaço, mais privilégios, mais, mais mais. E depois de desrespeitarem a organização do embarque, reclamavam quando nada mais fazia sentido. Não sei dar mais detalhes, mas já percebi o quanto eu me acostumara à mentalidade da Europa e o quanto algumas coisas da América iam me incomodar por tempo indefinido. Mais ainda, percebi o quanto isso soava pretensioso e o quanto eu teria que ficar de boca calada em relação ao meu desconforto para não parecer pedante. Era basicamente o mesmo raciocínio que me chamava de exibido por eu ter um bom nível de inglês e entender as piadas nos filmes legendados. Eu não tenho como escrever sobre isso sem fazer parecer uma falha de caráter horrível, mas de fato são coisas que só entende quem viveu fora por um tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao meu país na América, me surpreendi com a falta de algumas percepções da primeira viagem. Talvez por ter andado em bairros mais sujos de Londres, talvez por ter passado uns dias em Milão, mas não percebi aquela sujeira que tinha percebido na &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115577789965005068" target="_blank"&gt;primeira vez&lt;/a&gt;. O trânsito, esse sim, continuava tão ou mais insuportável do que antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho para casa ("casa?") no carro de minha mãe, conversamos sobre essa cidade nova na qual eu estava entrando. Era uma cidade que estava percebendo que colocar mil carros na rua por dia estava asfixiando-a. Principalmente quando cada carro carregava uma única pessoa. Ciclovias estavam começando a aparecer, ainda que fossem mais um meio de lazer do que transporte cotidiano. Se as empresas se conscientizassem de que se trata de um país tropical e uma cidade de altos e baixos, onde pegar bicicleta mesmo que por três quarteirões é motivo para suor torrencial; se elas disponibilizassem vestiários para duchas rápidas ou outra solução plausível, talvez o trânsito na cidade diminuísse e a saúde das pessoas melhorasse. Não era só isso. Mamãe dizia que a cidade finalmente percebera o óbvio: que uma cidade grande como Londres com quatro linhas de metrô era uma coisa vergonhosa, e obras para novas linhas já tinham começado. Se o problema de transporte na cidade melhorasse, eu talvez não enlouqueceria tanto assim com este lugar.&lt;br /&gt;As outras considerações dariam posts inteiros que eu ainda preciso escrever (assim que conseguir lidar com os atrasos homéricos de coisas que eu queria postar aqui...). Minhas percepções sobre a política de Londres, por exemplo, que poucos meses depois dos &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#3114458488001245360" target="_blank"&gt;tumultos&lt;/a&gt;, tinha começado a discutir o que fazer sobre a qualidade de vida e as perspectivas de futuro dos arruaceiros responsáveis que os levaram a propagar os tumultos, em vez de apenas aumentar a repressão policial como em recentes acontecimentos &lt;a href="http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2011/05/estudante-da-fea-e-morto-com-tiro-na-nuca-em-estacionamento-da-unidade/" target="_blank"&gt;por aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso que eu ainda nem toquei em toda a questão de sexualidade que eu andei estudando por lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respire. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keep calm and carry on.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8196302110280737631?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8196302110280737631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8196302110280737631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8196302110280737631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8196302110280737631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_11_01_archive.html#8196302110280737631' title='Touchdown'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6169075853177563763</id><published>2011-10-31T05:57:00.002-03:00</published><updated>2011-10-31T06:29:34.456-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dream'/><title type='text'>Dream</title><content type='html'>Era uma cidade indefinida onde havia um conflito entre duas facções. De um lado, a turma grunge, representada por cores escuras, sóbrias, palavras sérias e uma atitude bem combativa e consideravelmente homofóbica. Do outro, a turma do glam rock, representada por cores fosforescentes, irreverência, uma atitude &lt;em&gt;gender bender&lt;/em&gt; e bem mais pacífica. &lt;br /&gt;Na parte que eu me lembro do sonho, eu começava andando por um bairro da cidade onde os glam rockers tínham fechado várias lojas e negócios do grunge colando cartazes coloridos nas fachadas. Eu estava olhando para aquilo, andando de um jeito engraçado e achando uma maravilha como o "nosso movimento" estava progredindo. Sim, claro, eu era da turma do glam. &lt;br /&gt;De repente, os cartazes foram rareando, o bairro voltou a ser grunge, e eu comecei a ter a impressão de que estava na parte errada da cidade. Repentinamente, passei por três rapazes da facção oposta. Trocamos aqueles olhares e em segundos, estávamos em franca perseguição. Eles em bicicletas, eu atravessando as ruas em estilo &lt;em&gt;parkour&lt;/em&gt;. Até que cheguei em um lugar de paredes grossas e portas fechadas com placas de madeira. Fitas coloridas e cartazes mostravam que era um reduto glam. Bati e consegui entrar.Lá dentro, outros glam rockers ajudaram a me defender, encaixando placas de metal para formar uma enorme barreira naquela primeira sala. Apesar da barreira segurar a primeira leva dos grunges, uns poucos remanescentes continuaram lutando pelos corredores daquele lugar. Mas no fim, conseguimos sobreviver. Os grunges não foram derrotados, eles desistiram. Assim, por ver que éramos em número maior e as barreiras que montávamos eram intransponíveis. Desistiram por tédio, não por serem derrotados. Nós éramos muito pacíficos para tomar atitudes mais ativas de combate. &lt;br /&gt;Quando o ataque terminou, eu resolvi conhecer mais daquele reduto glam que eu tinha achado. Eu sabia que, se saísse pela porta, teria que lidar com os grunges de novo. Precisava achar um jeito de ficar por aqui. Logo descobri que o lugar era uma espécie de faculdade de arte. Colegas do passado se misturavam com colegas do presente. Uma garota da minha faculdade de graduação estava testando uma instalação onde elementos arquitetônicos barrocos estavam fixados na parede por tiras magnéticas que podiam ser desligadas, fazendo todas as peças caírem ao mesmo tempo. Um dos meus colegas do mestrado testavava uma geringonça que disparava dardos de sucção, daqueles de armas de criança. Outro do mestrado terminava uma escultura de uma cabeça com um moicano pink. &lt;br /&gt;E ficou claro para mim que, se eu queria ficar lá, eu tinha que desenvolver um trabalho de arte qualquer. Forte referência ao meu mestrado em Londres. Mas eu sentia que não tinha capacidade como artista para desenvolver um trabalho coerente e relevante o suficiente para chegar no nível deles. Eu não me sentia um artista de verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei percebendo que, depois da mudança psicológica causada pelo mestrado, eu não me sentia mais mesmo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6169075853177563763?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6169075853177563763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6169075853177563763&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6169075853177563763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6169075853177563763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#6169075853177563763' title='Dream'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1060702943462385024</id><published>2011-10-18T05:11:00.003-03:00</published><updated>2011-10-18T05:47:17.016-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Rotina</title><content type='html'>O frio voltou definitivamente, e Londres prepara-se para entrar no inverno novamente. As ruas estão cobertas de folhas secas e as noites estão chegando cada vez mais cedo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias sem faculdade ou outras preocupações, tenho curtido a rotina que eu já curtia moderadamente durante a época do mestrado. É uma rotina simples, porém divertida e barata. Fornece-me uma sensação de que tudo está em seu lugar e eu estou onde deveria estar. Ainda que rotinas só sirvam para serem quebradas de vez em quando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundas são o dia em que o cinema de Brixton cobra preços mais modestos pelos ingressos, então são os meus dias de cinema. Saio de casa e em 15 minutos estou lá. O bairro parece um pouco ameaçador à noite, pois apesar dos espaços abertos, tem um sem-número de pessoas suspeitas na praça, perguntando casualmente se um rapaz jovem como eu não gostaria de comprar pílulas ou erva. Mas o cinema é confortável, bem frequentado e tem uma boa variedade de filmes.&lt;br /&gt;As noites de quarta são para o karaokê do Escape. Para jovens ainda sóbrios mas a meio caminho da embriaguez e para surpresas agradáveis quando aquela pessoa tímida sobe nos caixotes em meio à pequena pista de dança e solta uma voz que ninguém sabia que ela tinha. A noite continua madrugada adentro no Madame Jojo's ao lado, para apresentações de drag. Mas além de eu raramente ter vontade de estender a balada até tão tarde, não quero pagar o preço da entrada, que tornaria a noite cara demais para a rotina. De qualquer forma, as "garotas" na entrada e suas conversas debochadas e maquiagens propositalmente exageradas e tortas são uma diversão por si só. &lt;br /&gt;Há quase sempre alguém convidando para beber em algum lugar nas sextas à noite. Eu ainda saio bastante com a turma da faculdade, embora muitos desses encontros sejam despedidas de quem está voltando para seu país de origem. Quando não há convites para o pub, dou um pulo no Royal Vauxhall Tavern. Apesar de aturar as pouco-inspiradas tentativas de aproximação de um ou outro rapaz, a quem eu logo aviso educadamente que o meu negócio é outro, me divirto com a variedade da fauna local, e as apresentações absurdas e exageradas, porém nada pretensiosas. &lt;br /&gt;Sábados geralmente são reservados para a cultura, e faço uma visita aos museus e galerias onde ouvi dizer que algo bom está sendo exposto. Tate, Whitechapel, Serpentine, Victoria &amp; Albert, British Museum... &lt;br /&gt;Já o domingo é um dia de &lt;em&gt;upkeeping&lt;/em&gt;. Dormir direito, cuidar de mim e da casa. Compras de supermercado, limpeza, lavanderia e tentativas (frustradas) de atualizações na internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma felicidade complacente nessa rotina. Solitária, mas talvez confortável justamente por isso. Eu só preciso lidar comigo mesmo e com mais ninguém. Mas eu sei que eu preciso ser mais sociável do que isso. Na minha volta para casa, tentarei, como da outra vez, importar o máximo desse modo de vida para a realidade de lá. Adaptando dias e horários para levar em conta amigos, familiares e minha menina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizia Hemmingway, citando John Donne: "no man is an island".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1060702943462385024?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1060702943462385024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1060702943462385024&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1060702943462385024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1060702943462385024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#1060702943462385024' title='Rotina'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-625105075640501356</id><published>2011-10-10T18:48:00.012-03:00</published><updated>2011-10-10T23:51:19.499-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Depressão'/><title type='text'>Melancholia</title><content type='html'>[Post cheio de spoilers - se você não assistiu o filme, não leia]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lars von Trier&lt;/strong&gt; tem aos poucos se tornado um dos meus diretores favoritos. Pelo lado técnico, ele tem a proeza do &lt;strong&gt;Gerhard Richter&lt;/strong&gt; na pintura, de transitar por diversos níveis técnicos com igual competência, de produções minimalistas como &lt;em&gt;Dogvile&lt;/em&gt; e a sequência &lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt;, para exuberâncias visuais e técnicas como &lt;em&gt;Antichrist&lt;/em&gt; e o recente &lt;em&gt;Melancholia&lt;/em&gt;. Eu absorvo suas cenas em câmera lenta com o deleite de quem está diante de uma boa pintura, daquelas antigas e grandiosas. Pelo lado do conteúdo, Ele me dá aquela impressão venerável de alguém que já andou por muito mais do lado negro e visceral da vida do que eu, e está tentando me acautelar a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.magpictures.com/melancholia/" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-z79UHve25zw/Tj7kqi48uuI/AAAAAAAAGPE/wUCgrFpcrGE/s1600/Melancholia-movie-poster.jpg" width="160" height="240" alt="Melancholia by Lars Von Trier" align="left"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Melancholia&lt;/em&gt; é essencialmente, um filme sobre a depressão clínica. E talvez um dos melhores relatos do assunto que eu tenho visto ultimamente. Porque ele não se preocupa apenas em ilustrar a depressão, mas consegue com certo sucesso fazer a ponte para explicar às pessoas "normais" o que é a depressão usando termos que elas entendem. Não sei se posso dizer que é o melhor filme de &lt;strong&gt;Von Trier&lt;/strong&gt;. Com toda a produção minimalista, ainda acho que &lt;em&gt;Dogvile&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt; conseguiam ter mais &lt;em&gt;recall&lt;/em&gt;. Ainda assim, é um grande filme por tudo que eu consegui entender dele e pelo que ele conquista em termos visuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra início de conversa, há a paciente deprimida. Justine, (&lt;strong&gt;Kirsten Dunst&lt;/strong&gt;, ainda meu sonho de consumo, mesmo depois da vida real roubar-lhe algo do brilho de antes) está se casando em grande estilo com Michael (&lt;strong&gt;Alexander Skarsgard&lt;/strong&gt; de &lt;em&gt;True Blood&lt;/em&gt;) em uma fabulosa mansão. Concordo que, com uma mãe daquelas (&lt;strong&gt;Charlotte Rampling&lt;/strong&gt;) vociferando contra as noções românticas de casamento, qualquer um ficaria triste. Mas o incômodo de Justine é mais do que apenas essa questão pontual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Justine, a vida comum, a sociedade e seus rituais e noções do que é "correto" (perfeitamente expressado pelo adjetivo britânico "proper") parecem não ter a menor relevância. Mais do que isso, causam até um desconforto, são coisas que ela se &lt;a href="http://ajudalivros.files.wordpress.com/2011/08/melancholia-02.jpg" target="_blank"&gt;esforça&lt;/a&gt; para aguentar. Todo esse ter que sorrir e esbanjar felicidade e vitalidade, quando tudo que ela quer é ficar em um canto, quieta, ensimesmada. Para ela é sofrer para agradar aos outros e nada disso faz sentido. Lidar com as pessoas é enfadonho, ter que subentender o que elas querem e adaptar-se às situações é maçante. Até esses adjetivos que estou usando não fazem jus ao sentimento (ou a falta dele) de Justine. Parecem adjetivos pertinentes a uma garotinha mimada, e Justine não é isso. Garotinhas mimadas querem driblar o tédio com aventuras, ela só quer ser deixada em paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas em volta dela comportam-se como qualquer família ao redor de um deprimido: fazem tudo errado. Exortam-na a manter as aparências, evitar cenas, sorrir para os convidados. Tudo está bem, pessoas! Somos felizes! Ficam furiosos quando ela não consegue suportar isso tudo e se ausenta, quando desiste de se ater às convenções. Jogam na cara dela o quanto estão gastando no casamento, quanto tempo, dinheiro e paciência. Como se a culpa e o dever de mostrar-se grata pudessem suplantar a depressão. A doença acaba custando-lhe o casamento antes mesmo da noite de núpcias (outra coisa que ela não consegue suportar). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema de Justine é um problema de perspectiva: a dela em relação à vida, contra a do resto da humanidade. E aqui está uma das lições do filme sobre a depressão. Justine não tem um desejo ativo e suicida por morrer, como a maioria pensa que os deprimidos têm. Em momento algum do filme ela demonstra isso. Ela preferiria definhar lentamente e em paz a executar qualquer violência dolorosa contra si mesma, e essa é a maior diferença. Mas ela não se importaria se o fim chegasse logo. Mais do que isso, ela gostaria que os outros tivessem mais noção da perspectiva dela. Nem todo deprimido é suicida. Nem todo suicida é deprimido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendendo aos seus anseios, o planeta Melancholia é avistado por astrônomos, vindo em direção à Terra. Com um tamanho &lt;a href="http://www.filmbizarro.com/screenshots/melancholia/melancholia1.jpg" target="_blank"&gt;várias vezes maior&lt;/a&gt; do que o nosso planeta, ele é inicialmente previsto como passando perto da Terra, mas depois revela-se em rota de colisão, inevitavelmente aniquilando-a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revelação altera o equilibrio das coisas entre Justine e seus familiares. Antes deprimida e dificilmente aguentando o fardo da sociedade sobre ela, Justine torna-se livre, até por vezes feliz. Capaz de curtir a poesia e transgressão representada pela presença desse enorme planeta crescendo a cada dia, chega a permitir-se o luxo lascivo de &lt;a href="http://yeeeah.com/wp-content/uploads/2011/09/kristen-dunst-topless-melancholia-2-530x225.jpg" target="_blank"&gt;banhar-se&lt;/a&gt; na luz refletida do planeta para a Terra. Com a vida na Terra extinta (que ela "sabe" ser a única existente no universo), tudo voltará à ordem complacente e banal que deveria ser, sem rituais, "propriety", dinheiro, certo ou errado. Nada mais importa e essa sensação a liberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto da família tem o colapso considerado "normal". Os mais racionais se suicidam por não aguentarem a inevitabilidade do desastre (um suicídio mais realista do que o clichê do deprimido) e a irmã de Justine, a pragmática Claire (&lt;strong&gt;Charlotte Gainsborough&lt;/strong&gt;, de &lt;em&gt;Antichrist&lt;/em&gt;), tenta racionalizar o melhor jeito de passar esses últimos momentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma cena que eu achei de uma lucidez deliciosa nessa inversão emocional. Claire pede a Justine que passem o último momento juntas com Leo, filho de Claire. Para que a coisa seja mais suportável para Claire, ela pede que estejam juntos no belíssimo jardim da mansão, tomando vinho, ouvindo música. &lt;a href="http://www.ambrosia.com.br/wp-content/uploads/2011/08/melancholia.jpg" target="_blank"&gt;Um fim digno&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justine se recusa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os anos que ela teve que suportar os rituais e aparências da "normalidade" dos outros, ninguém nunca atenuou as coisas para ela. Agora que eles estão diante da "normalidade" dela, ela também não fará gentilezas irrelevantes. A vantagem está do lado dela e ela deleita-se na vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez disso, ela passa seus últimos momentos construíndo uma "caverna mágica" para seu sobrinho. Há algo de ritual nisso também, dela preparar seu último momento. Mas há uma diferença nesse ritual, similar à diferença nos anseios de morte do deprimido e do suicida. O ritual que ela faz com o sobrinho é uma banalidade de faz-de-conta. Ela faz por prazer, sabendo que não fará a mínima diferença. Aceitar o ritual de Claire seria diferente: seria um inútil "manter as aparências", imposto como se Claire ainda acreditasse que elas importariam para os outros durante o fim do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-625105075640501356?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/625105075640501356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=625105075640501356&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/625105075640501356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/625105075640501356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#625105075640501356' title='Melancholia'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-z79UHve25zw/Tj7kqi48uuI/AAAAAAAAGPE/wUCgrFpcrGE/s72-c/Melancholia-movie-poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3689754937030427579</id><published>2011-10-06T17:50:00.004-03:00</published><updated>2011-10-08T17:08:29.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Publicidade'/><title type='text'>Gisele and Hopeless Men</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nana&lt;/strong&gt; comentou recentemente que a &lt;strong&gt;Gisele Bundchen&lt;/strong&gt; tinha aparecido em um comercial da marca de lingerie Hope [&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3-vDWJNm2ng" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=X3CI3f3pZ2Y" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=L-3Ygh0cHxY" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;] que a fez pensar em mim. E eu fiquei muito feliz com essa lembrança suscitada pelo comercial, onde a modelo "ensina" que dar notícias ruins aos homens vestindo lingerie diminui o impacto do problema e a consequente bronca. Fiquei feliz, porque enquanto muita gente comentava sobre o mau gosto do comercial ao supostamente objetificar as mulheres (há controvérsias, já que uma vertente atual do feminismo até enxerga nisso uma espécie de poder feminino), &lt;strong&gt;Nana&lt;/strong&gt; não pode deixar de perceber o quanto o comercial denigria os homens. De fato, eu sempre detestei essa idéia de homens cegados pela mera promessa de sexo, do sexo usado como mecanismo de controle. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando em escrever este post, lembrei de outro comercial que rolou no começo do ano, a tentativa da Bombril de continuar na cabeça do consumidor depois da saída do &lt;strong&gt;Carlos Moreno&lt;/strong&gt;, o &lt;em&gt;garoto Bombril&lt;/em&gt;. Nessa &lt;a hef="http://www.youtube.com/watch?v=TI1YiwfCmu0" target="_blank"&gt;nova campanha&lt;/a&gt;, a &lt;strong&gt;Marisa Orth&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Dani Calabresa&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Monica Iozzi&lt;/strong&gt; fazem uma apelo para que "mulheres evoluídas" forcem seus homens retrógrados a ajudarem nos afazeres domésticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das duas campanhas terem esse apelo para a guerra dos sexos, acho que é muito válido ressaltar algumas diferenças cruciais. A campanha da Bombril tem aquele ar de brincadeira com um fundo de verdade. O jeito absurdo e caricato das humoristas não está insinuando que a mulher evoluída trate o homem de fato feito cachorro. Tudo tem um ar de sátira que é muito difícil de levar a sério. No entanto, ela consegue comunicar nas entrelinhas um retrato da utopia atual, onde as mulheres têm liberdade para ter pulso mais firme, e os homens têm a possibilidade de "evoluírem" também e passarem a ser mais presentes na vida doméstica. A idéia é que, na vida real, longe da sátira, ambos os sexos passem a respeitar um ao outro de forma mais igualitária. Quem ataca esse comercial de cara por ser sexista (tá, confesso, eu pensei em fazer isso quando vi...) está perdendo boa parte da mensagem e fazendo uma leitura simplista da coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comercial da Hope é outra coisa e esse eu não tenho receio em criticar. Ele procura ser mais uma espécie de verdade em tom de brincadeira. A &lt;strong&gt;Gisele&lt;/strong&gt; é uma das chamadas figuras aspiracionais, aquela que algumas mulheres querem ser. Sendo assim, ela é muito mais passível de seduzir (não no sentido sexual) a espectadora a agir de fato desse jeito, a usar o que o comercial chama de "charme da mulher brasileira" pra subjugar o homem.  Como eu mencionei antes, há quem ache que o uso consciente desse dito poder feminino é uma forma de feminismo atual, enquanto que outras pessoas criticam o comercial por voltar a objetificar a mulher.  No caso do homem insinuado nesse comercial, não há dúvidas: ele é torpe, controlado por sexo e sem esperança de evoluir além disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3689754937030427579?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3689754937030427579/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3689754937030427579&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3689754937030427579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3689754937030427579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#3689754937030427579' title='Gisele and Hopeless Men'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3674077000180723050</id><published>2011-09-29T19:35:00.003-03:00</published><updated>2011-09-29T19:39:46.805-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A quem se interessar, estou escrevendo sobre os meses passados para documentar esse fim de processo. Vejam lá embaixo entre o fim de Julho e começo de Agosto porque eu vou ir colocando relatos sobre o turbulento mês de Julho por lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em breve, vídeos da montagem da exposição final!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3674077000180723050?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3674077000180723050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3674077000180723050&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3674077000180723050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3674077000180723050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#3674077000180723050' title=''/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1916158019015193431</id><published>2011-09-22T13:27:00.004-03:00</published><updated>2011-09-22T15:43:20.602-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Amargas lições finais</title><content type='html'>As notas saíram hoje. &lt;br /&gt;A maioria das pessoas dizia não se importar, mas no momento em que recebia o envelope, hesitava ao abrir, sentindo o coração disparar. Era afinal o resultado de um ano inteiro. &lt;br /&gt;As minhas reações foram diferentes. Eu também dizia não me importar. E continuei não me importando, enquanto recebia e abria o envelope. Lá estava o veredito: "PASS". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passei. Que bom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa frieza toda foi mudando quando continuei lendo os documentos. Havia três qualificações possíveis: "PASS", "MERIT" e "DISTINCTION", sendo a última a mais alta. Eu havia passado simplesmente. Meu coração ficou pequeno. &lt;br /&gt;A verdade é que todo mundo passa. Até aquela aluna que deu as caras na faculdade um punhado de vezes e fez um trabalho pífio na exposição final passou. Mas eu achava que tinha feito tudo certo dessa vez, que tinha gerado influência com minha participação no catálogo da turma, tinha demonstrado crescimento pessoal no tanto que a minha mentalidade e até aparência mudaram ao longo do ano, tinha mostrado serviço fazendo peças que chamaram atenção na exposição final e tinha desenvolvido uma pesquisa acadêmica sólida com referências atuais. &lt;br /&gt;Mais do que isso, eu achei que tivesse feito toda a política necessária. Nem tive tempo de comentar aqui, mas na semana antes da exposição final abrir, estive entre os quatro finalistas do prêmio GAM, um conceituado prêmio dado os alunos que demonstraram maior desenvolvimento durante o ano. Tenho consciência de que essa indicação veio devido ao bom relacionamento que cultivei com &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt;, nosso líder do curso, que escoltou os juízes do prêmio pela faculdade e com certeza teve grande influência na escolha do ganhador (que no final das contas, não fui eu...). &lt;br /&gt;Eu achava que depois de tudo isso, eu merecia ao menos o "MERIT"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carreira de artes, passar com um "PASS" ou mesmo o "DISTINCTION" não quer dizer muita coisa para efeitos de carreira. Não é algo que faça muita diferença no currículo e há até uma lei em Londres que proíbe empregadores de investigar notas, podendo apenas saber se o potencial empregado passou ou não no curso que ele diz ter feito. Mas já faz tempo que a minha questão aqui deixou de ser uma questão de carreira. Esse "PASS" é uma coisa pessoal pra mim. Fez com que eu me sentisse rebaixado pessoalmente. Insuficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, eu não pude evitar as comparações. Soube de três alunos que ganharam "DISTINCTION". Todos britânicos. Todos fazendo um tipo de arte sem ideologia prática, um fazer pelo fazer. Eu até gostei de um deles, pelo humor. Mas a questão é que deu pra entender o padrão. E deu pra entender como eu estava fora dele. &lt;br /&gt;Soube ainda da colega da República Tcheca que ganhou o GAM. E de rumores de que esses prêmios eram frequentemente dados a alunos do leste europeu por algum motivo. Rumor corroborado pela colega polonesa que tinha ganhado o prêmio de escultura da CASS Arts no ano passado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, quais foram as lições finais aqui? Eu aprendi o tipo de arte que é levada a sério, e que é bem diferente do tipo de coisa que eu faço. No entanto, se eu adaptasse minha arte pra ser adequada a isso, eu seria considerado falso, vendido, prostituído. Eu aprendi que toda a política de que eu sou capaz me leva longe, mas não até o fim. Para ir até o fim e ganhar prêmios, oportunidades de carreira e etc, eu precisaria ter o tipo de arte levada a sério, aquela que eu não tenho. Aprendi ainda que muita coisa depende de variáveis sobre as quais eu não tenho o menor controle ou escolha (como ser do leste europeu, por exemplo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu termino o ano em Chelsea sem ganhar nenhum prêmio, sem ser aceito em nenhuma exposição com curadoria, sem ter vendido nada e com um "PASS". Sinto que paguei por um diploma e nada mais. &lt;br /&gt;Não foi um ano inútil. Eu descobri muito sobre mim e a masculinidade que eu herdei da cultura brasileira, fiz trabalhos dos quais eu gostei muito e que muita gente veio elogiar. Mas eu sempre sobro com essa sensação de que eu sou ótimo para entreter meus amigos e familiares (não me entendam mal, eles são tudo pra mim), mas insuficiente para qualquer instituição de arte. E só isso não faz carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pensado no futuro, na volta para o meu país, com igual pessimismo. Eu também não sou ninguém lá, não estou fazendo a arte que tá na moda por lá e sei menos ainda de como fazer a política necessária para a carreira naquele contexto. Há uma parte de mim que quer simplesmente não ter que se importar mais com isso, aposentar a arte como carreira e resolver o resto da vida com a carreira de idiomas que tem me respeitado e recompensado mais. Outra parte quer dar um tempo nas artes e tentar a literatura por um ano. E uma terceira parte quer experimentar fazer esse outro tipo de arte que é levada a sério, embora EU não consiga levá-la a sério...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1916158019015193431?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1916158019015193431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1916158019015193431&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1916158019015193431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1916158019015193431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#1916158019015193431' title='Amargas lições finais'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2644200738999646873</id><published>2011-09-21T21:02:00.004-03:00</published><updated>2011-09-21T21:11:28.143-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>London Odds and Ends</title><content type='html'>Eu sei, eu prometi novidades por aqui, mas até agora nada... Uma mistura de necessidade física de horas de sono, oportunidades de tirar o atraso da minha conta bancária com traduções e textos sobre assuntos delicados que eu ainda preciso redigir direito me fizeram atrasar o que já está insuportavelmente atrasado. Mas eu tô chegando... Calma! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, mais alguns &lt;em&gt;odds and ends&lt;/em&gt; sobre Londres e os ingleses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Um colega do País de Gales, que já esteve na minha terra, comentou outro dia que eu me vestia como um verdadeiro brasileiro. Como assim? "Tênis preto com meia branca", ele respondeu. Super normal, certo? Mas foi aí que percebi que os ingleses usavam meias de uma miríade de cores, mas o branco era realmente meio raro. Se ele não tivesse comentado, não teria percebido... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Esse mesmo colega comentou sobre a comida brasileira, iguarías como a &lt;a href="http://soylocoporticoxinha.wordpress.com/" target="_blank"&gt;coxinha&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Yb5FmljPWFw" target="_blank"&gt;brigadeiro&lt;/a&gt; (er... peraí, tem algo errado...). Mas acima de tudo, ele comentou maravilhado sobre as churrascarias. Eu tinha falado por aqui da coisa meio estranha para os Europeus de comer algo tão pesado como arroz e feijão todos os dias. Mas não tinha me dado conta da coisa esquisita que deve ser pra eles a churrascaria. Um monte de garçom desfilando com uns nacos de carne enormes por aí e oferecendo pra todas as mesas! Eles estão acostumados a se concentrarem em um tipo de carne por refeição, a prestar atenção no preparo, no tempero, na apresentação. Esse lance de comer um pouco de cada tipo confunde eles demais... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• E o outro assunto que fez muita gente levantar as sobrancelhas por aqui: eles até agora não entendem como é que o governo pode OBRIGAR todo mundo a votar. "Isso acaba com o propósito da democracia", eu ouvi de um deles. De fato, vira uma obrigação quase ditatorial. Eu nunca cheguei a perguntar como a coisa rola na Ásia, mas entre América do Norte e Europa, todo mundo continua achando isso um absurdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2644200738999646873?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2644200738999646873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2644200738999646873&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2644200738999646873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2644200738999646873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#2644200738999646873' title='London Odds and Ends'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3607235618523313871</id><published>2011-09-09T17:16:00.001-03:00</published><updated>2011-09-10T17:44:05.903-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Endgame - the Final Show</title><content type='html'>Our final show closed to the public yesterday. It was a success for the critics, but a marketing failure. I didn`t mind. I have become clearly aware that my work here turned into more of a personal journey than the career strategy it started out as. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setting up the final show, I believe, was the final and most revealing experience. I chose two pieces for it: the &lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt; video and an instalation for the college’s parade ground that would be a gigantic version of one of my phallics done back in November. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I chose Male Varnish mostly because of eveyone’s opinions. Most people considered it the best video I had, the best performance. I agreed. It was brave, but also sent a somewhat clear message. It had been executed apropriately, with good equipment and editing. I wanted to project the video onto my wall space, but couldn’t find a projector and settled for a screen. This posed a problem, because I was quite afraid of having that screen stolen throughout the show. So I decided to build an extension of the wall with the screen built in. I also wanted to write some of the things about my teenage traumas that I had been exploring in text on the wall. &lt;br /&gt;It was a wonderful, organic experience. It changed as I progressed. I became very interested in the manliness of the carpentry required for the task, in the haphazard results of someone who had never done that before (and wasn’t sure how to be a carpenter or a man). I was also interested in the fact that the timbers I was using for structure had belonged to a student who exhibited last year in the same space I was exhibiting now. As a result, the boring text-ladden wall I first had in mind was cut in places to reveal the structure behind it and the text was scrapped, giving way to a shinny, high gloss surface that mimicked the gloss of nail varnish, establishing another connection to the video displayed on the built-in screen. I even added tiny buttons on the wall that went right through to push the buttons on the screen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The other piece, which I adequately named &lt;em&gt;Big Phallic&lt;/em&gt;, was a ten meter high fabric banner that would hang from one of the towers in one of the buildings. Straight away, it put me through very feminine issues of selecting fabric, learning how to use a sewing machine to prepare it, sewing parts by hand and just keeping all that fabric neat and clean. But other parts were very masculine. The two days spent elbow-deep in acetone to transfer the image of a gigantic fountain pen onto the fabric, the phallic nature of the challenge of doing something so big and the complex rope system that would keep the piece in place were all things that I contemplated as very nice conflations with the feminine side. &lt;br /&gt;It wasn’t all easy. once tied to the building, the fabric piece acted as a sail, billowing up with the wind and harnessing tremendous pulling power. It was so strong, that on a particular day, it lifted two metal railings tied to its base to keep it down. They flew some two meters into the air and almost smashed nearby windows before being contained by college staff. I reviewed my roping system and things wend smoothly after that. It was actually quite fun to see a system like that working. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There was a third piece that was only visible in the opening night. I was wearing it. It was a skirt designed in collaboration with costume designer Anastasios Kleisias. It mimicked the same fabrics as my shirt, vest and velvet jacket I was wearing on top. Despite it being a skirt, we had managed a certain might to it. I felt powerful parading around the college in it. Closer to that stereotype of the vampire. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==========&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa exposição final fechou para o público ontem. Foi um sucesso de crítica, mas um fracasso de mercado. Não me importei. Tornei-me muito ciente de que meu trabalho por aqui virou mais uma jornada pessoal do que a estratégia de carreira que era no começo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montar a exposição final, acredito, foi a última e mais reveladora experiência. Eu escolhi duas obras para isso: o vídeo &lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt; e uma instalação para o pátio da faculdade que seria uma versão gigantesca de um dos meus &lt;em&gt;phallics&lt;/em&gt; feitos em Novembro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escolhi o &lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt; principalmente por causa das opiniões da turma. A maioria considerou-o o melhor vídeo que eu tenho, a melhor performance. Concordo. Ela é corajosa, mas também tem uma mensagem clara. Ela foi executada direito, com bom equipamento e edição de vídeo. Eu quis projetar o vídeo na parede do meu espaço, mas não consegui encontrar um projetor e me contentei com uma tela. Isto gerou um problema, porque eu tinha receio de que ela fosse roubada no meio da exposição. Então eu decidi montar uma extensão da parede com a tela embutida. Eu também queria escrever algumas das coisas sobre traumas adolescentes que eu tinha explorado em texto na parede.  &lt;br /&gt;Foi uma experiência maravilhosa e bem orgânica. Ela mudou à medida que avançou. Fiquei muito interessado no caráter masculino da carpintaria necessária para a obra, nos resultados toscos de alguém que nunca havia feito isso antes (e não tinha muita certeza de como ser um carpinteiro ou um homem adulto). Também me interessei pelo fato dis sarrafos que eu estava usando para a estrutura terem pertencido a um estudante que expôs no ano passado no mesmo espaço em que eu estava expondo neste ano. Como resultado, a parede maçante e cheia de texto que eu tinha em mente no começo teve alguns pedaços cortados para revelar a estrutura atrás dela e desisti do texto, que deu lugar a uma superfície brilhante que imitava o brilho do esmalte de unha, estabelecendo outra conexão com o vídeo mostrado na tela embutida. Eu até consegui fazer uns pequenos botões na parede que atravessavam até o outro lado para controlar os botões da tela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra obra, que eu adequadamente chamei de &lt;em&gt;Big Phallic&lt;/em&gt;, era um banner em tecido de dez metros de altura que ficaria pendurado de uma das torres em um dos prédios. Logo no começo, ele me fez passar por práticas bem femininas de selecionar tecido, aprender a usar a máquina de costura para prepará-lo, costurar partes à mão e manter tudo aquilo organizado e limpo. Mas outras partes eram bem masculinas. Os dois dias passados em acetona até os cotovelos para transferir a imagem da gigantesca caneta tinteiro para o tecido, a natureza fálica do desafio de fazer algo tão grande e o complexo sistema de cordas que prenderia a obra no lugar eram todas coisas que eu contemplei como belos encontros com o lado feminino. &lt;br /&gt;Nem tudo foi fácil. Uma vez amarrado ao prédio, o tecido agia como uma vela, inflando com o vento e acumulando um tremendo poder de tração. Era tão forte, que um dia levantou as duas barreiras de metal amarradas à sua baase para mante-lo esticado no lugar. Elas subiram dois metros no ar e quase quebraram as portas de vidro ao lado, antes de serem contidas pelos funcionários da faculdade. Eu revi o meu sistema de cordas e as coisas correram bem depois disso. Foi até divertido ver todo aquele sistema funcionando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma terceira obra que só foi vista na noite da abertura. Eu a estava usando. Era uma saia criada em colaboração com o designer de figurino &lt;strong&gt;Anastasios Kleisias&lt;/strong&gt;. Ela imitava os mesmos tecidos da minha camisa, colete e palitó de veludo que eu estava usando. Apesar de ser uma saia, conseguimos dar-lhe um certo poder. Eu me sentia imponente trajando aquilo pela faculdade. Mais próximo do estereótipo do vampiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3607235618523313871?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3607235618523313871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3607235618523313871&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3607235618523313871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3607235618523313871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_09_01_archive.html#3607235618523313871' title='Endgame - the Final Show'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6947277316889216354</id><published>2011-08-17T20:04:00.004-03:00</published><updated>2011-08-17T20:43:31.848-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Carpinteiro de unhas feitas.</title><content type='html'>Achei importante separar um tempo para documentar isso por aqui, ainda que rapidamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi que a parte principal do meu trabalho na exposição final vai ser a versão finalizada do &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/03/male-varnish-estudo.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (essa do link foi apenas um estudo e não coloco a versão final online porque possívies compradores na exposição final iriam querer algo com tiragem limitada e exclusividade...). Na versão final, antes de pintar as unhas, eu as lixo em uma lixadeira da oficina de madeira da faculdade e ainda uso um polidor para polir e remover resíduos antes de pintar. &lt;br /&gt;Resolvii ainda construir uma parede extra no meu espaço da exposição, para colocar a tela do vídeo embutida na parede e poder ainda escrever e desenhar na parede também. Tenho passado os dias em uma febril atividade de carpintaria, construíndo a parede. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flashback para o fim de semana anterior. &lt;br /&gt;Visitei &lt;strong&gt;Allyson&lt;/strong&gt;, um maquiador brasileiro que se apresenta como drag queen por aqui. &lt;strong&gt;Ally&lt;/strong&gt;, como ele se apelida, foi a principal entrevista da minha dissertação (substituíndo o não-cooperativo &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt;), confirmando como segunda opinião várias das minhas visões da sociedade brasileira referentes à masculinidade. Conversamos muito e resolvi fazer um dos vídeos de entrevista com ele, como aquele em que &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=I6IRLQlvs7c" target="_blank"&gt;Neba&lt;/a&gt; corta o meu cabelo e barba. A primeira visita era para combinarmos direito o que íamos fazer e arranjar uma data. &lt;br /&gt;Conversa vai, conversa vem. Ele me falava das interpretações errôneas e diferenças entre &lt;em&gt;cross-dressers&lt;/eM&gt;, &lt;em&gt;drag queens&lt;/em&gt; e afins. Eu explicava a exposição final, os meus vídeos e a liberdade que eu sentia em uma cultura diferente da brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando expliquei sobre a parede que eu ia ter que construir esta semana, ele olhou de canto de olho para minhas unhas que já haviam voltado a crescer depois do vídeo (e que eu planejava ter confortavelmente longas para a abertura da exposição, fazendo a ligação com o vídeo em si). Sem conseguir se conter, &lt;strong&gt;Allyson&lt;/strong&gt; pediu permissão e começou a fazer minhas unhas. Lixando, cortando... Com gestos de quem já faz isso há anos, arranjou um pequeno vidrinho de base para unhas e começou a passar. Disse que aquilo iria proteger as minhas unhas durante a atividade dessa semana, evitando que quebrassem. &lt;br /&gt;Passei o domingo admirando o estranho brilho que elas tinham, e o quase imperceptível aumento de peso. Extremidades cuidadas e singelas em mãos peludas de homem. Era algo estranho, mas curioso, interessante. Me lembrava trechos dos livros de &lt;strong&gt;Anne Rice&lt;/strong&gt; onde Lestat (ou Louis) descrevia suas unhas como tendo um brilho estranho depois que ele foi transformado em vampiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo aqui (as unhas já voltando a clicar nas teclas, indicando que já ficaram grandes demais), percebo que a proteção da base já descascou em vários lugares, revelando a superfície fosca da unha verdadeira. Era de se esperar: passei dois dias levantando madeiras, arrancando pregos, escalando andaimes, usando uma miríade de ferramentas. Não me importei. A base estava aí para isso mesmo, para receber o castigo destinado às unhas. Para dar lugar a esse aspecto de algo que era cuidado e perfeito, mas foi devidamente usado. Me interessei muito pelo contraste masculino/feminino desses eventos. Pela coisa meio cômica, meio bonita, de ser esse carpinteiro (machão...) de unhas feitas. Aprendi que é desse tipo de estranheza que eu devo me inspirar para falar do Masculismo no meu trabalho. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6947277316889216354?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6947277316889216354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6947277316889216354&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6947277316889216354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6947277316889216354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#6947277316889216354' title='Carpinteiro de unhas feitas.'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3114458488001245360</id><published>2011-08-08T21:44:00.004-03:00</published><updated>2011-08-08T22:01:27.569-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Panic on the Streets of London</title><content type='html'>Postando para acalmar os nervos da turma de casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já devem ter ouvido das ondas de violência aqui em Londres. Elas vêm acontecendo desde sábado, quando aparentemente um rapaz negro de 29 anos foi (acidentalmente?) morto pela polícia no bairo pobre de Tottenham. A turma do bairro exigiu satisfações da polícia, que abriu um inquérito. Mas a coisa demorou demais e os moradores do bairro, impacientes, irromperam em violência contra o preconeito da polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_11_01_archive.html#1473528342880366228" target="_blank"&gt;daquela turma&lt;/a&gt; que transformou o primeiro protesto contra os cortes do governo em uma invasão à sede do partido conservador? Não os estudantes, mas sim os "protestantes profissionais" misturados no meio deles? Então, assim que a violência em Tottenham começou, esses daí começaram a organizar a baderna em outros bairros, através de mídias sociais e Blackberrys. Suponho que eles até disseram que queriam protestar contra o preconceito também. Acredito que na verdade só queriam uma baderna mesmo. Chances para saquear lojas e incendiar algumas coisas, porque é legal. Como resultado, rompantes de destruição atingiram Brixton no domingo, Hackney, Islington e Peckham na segunda. Bairros aparentemente desconexos, em diversar regiões de Londres, que só tinham em comum o fato de serem bairros pobres. &lt;strong&gt;Emily&lt;/strong&gt;, minha ex-colega de apê, comentou no Facebook: "o que tem pra roubar em Peckham, extensão capilar?" referindo-se à profusão de cabeleireiros africanos do bairro vizinho ao que nós moramos por dez meses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, não se preocupem. Eu estou muito bem até agora. Inocente, fui comprar material em Brixton hoje de manhã. Encontrei o bairro todo isolado por fitas policiais, que tomavam um quarteirão a mais a cada vinte minutos. A sensação era de ter chegado no dia seguinte a uma senhora balada... &lt;br /&gt;Em Vauxhall, onde estou morando agora, tudo continua tranquilo. Ouço as sirenes passando sem parar na rua. Mas duvido que eles venham aqui incendiar baladas gays e espancar drag queens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que ouvi casos de violência em Birmingham também, me peguei cantarolando o começo da música dos Smiths hoje à noite: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Panic on the streets of London&lt;br /&gt;Panic on the streets of Birmingham&lt;br /&gt;I wonder to myself&lt;br /&gt;Could life ever be sane again ?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3114458488001245360?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3114458488001245360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3114458488001245360&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3114458488001245360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3114458488001245360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#3114458488001245360' title='Panic on the Streets of London'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6843486706476835880</id><published>2011-08-04T17:29:00.003-03:00</published><updated>2011-08-04T20:38:34.851-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Texto do catálogo</title><content type='html'>Achei relevante fazer uma curta nota disso por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíndo da faculdade hoje, minha colega irlandesa &lt;strong&gt;Fiona&lt;/strong&gt; comentou: "Sabe o seu texto do catálogo (cada um de nós enviou um pequeno texto sobre nosso projeto em Chelsea este ano)? Eu achei esse texto brilhante! Você mudou muito o seu jeito de falar sobre o seu trabalho, está perfeito."&lt;br /&gt;Claro, ela refere-se a esse texto em comparação a como eu me apresentei no &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_10_01_archive.html#9121689059205540186" target="_blank"&gt;começo do curso&lt;/a&gt;. Esse comentário fez o meu dia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, o texto do catálogo traduzido: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou um homem branco ocidental heterossexual. Mas eu não sou o Patriarcado. Meu trabalho em video-performance, literatura e pintura tenta fazer a crônica de uma procura por um modo alternativo de existência que não me aliene do meu corpo e minhas emoções como condição para a masculinidade. É um caminho que deve ser percorrido cuidadosamente, ou corro o risco de ser compreendido como um crítico contra o Feminismo e suas importantes conquistas ou um partidário de masculinidades essencialistas e ultrapassadas. Meu trabalho nunca foi sobre isso. Em vez disso, ele lida com minha experiência pessoal de masculinidade brasileira, na esperança de que outros se identifiquem com minhas questões e compartilhem suas próprias 'mazelas de meninice [boyhood]'. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu ainda acho que os homens não nomearam e lidaram com suas 'mazelas de meninice' da mesma forma que o feminismo deu às mulheres jeitos de nomear algumas das tragédias da nossa 'adultice' na sociedade sexista.&lt;/em&gt; - Bell Hooks"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6843486706476835880?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6843486706476835880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6843486706476835880&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6843486706476835880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6843486706476835880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#6843486706476835880' title='Texto do catálogo'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5867440257368009329</id><published>2011-08-03T21:40:00.005-03:00</published><updated>2011-10-12T08:07:04.141-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida Alternativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Existere</title><content type='html'>O cartaz era daquelas coisas que você só vê em faculdade de artes: "Procura-se 90 participantes nus para performance". Logo pensei no &lt;strong&gt;Spencer Tunick&lt;/strong&gt;, uma experiência da qual eu sempre quis participar e nunca consegui. Ele até foi à minha cidade, mas essa foi outra daquelas tantas coisas que eu perdi quando estava jogando minha vida fora nas agências de publicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O premiado trio de artistas &lt;strong&gt;JocJonJosh&lt;/strong&gt;, composto pelo inglês &lt;strong&gt;Joc Marchington&lt;/strong&gt;, o suiço &lt;strong&gt;Jonathan Brantschen&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Joschi Herczeg&lt;/strong&gt; da Eslováquia, era conhecido por instalações e performances que usavam o corpo humano (nem sempre nu) em &lt;a href="http://www.whosjack.org/wp-content/uploads/2011/06/JocJonJosch.jpg" target="_blank"&gt;composições&lt;/a&gt; que variam do simples até aquelas em que não se entende onde um corpo acaba e o outro começa. &lt;br /&gt;Para este projeto, chamado &lt;em&gt;Existere&lt;/em&gt;, a idéia era criar um empilhado de cerca de 60 a 70 corpos no espaço Testbed 1 em Battersea. Seria uma estrutura que lembrava uma casa cilíndrica, e que os artistas tinham pensado em produzir como resposta aos desastres no Japão, Austrália e Nova Zelândia, lembrando que não foram só casas que foram destruídas, mas vidas também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia era simples. A execução, nem tanto...  &lt;br /&gt;Eramos diversos voluntários de vários lugares da Inglaterra, e a coordenação para que todos viessem aos ensaios ficou a cargo de &lt;strong&gt;Jevgenija Ravcova&lt;/strong&gt;, conhecida como &lt;strong&gt;Eugenie&lt;/strong&gt;, que manteve todo mundo comunicado por e-mails. Os ensaios duraram um mês e foram coordenados pelo trio de artistas e a coreografa &lt;strong&gt;Hedva Eltanani&lt;/strong&gt;. E havia muita coreografia nisso tudo. Desde o aquecimento rigoroso, a entrada dos voluntários, por entre a pequena platéia (diversas sessões foram organizadas para que a platéia sempre fosse em número menor do que os participantes), a montagem e a desmontagem da estrutura, em perfeito mutismo. Havia toda uma lógica desenvolvida durante meses de como cada corpo sustentaria o peso dos outros. E um profissionalismo excelente no trato com pessoas que estariam expondo sua nudez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia gente de todos os jeitos. Senhores cinquentões enormes da classe trabalhadora inglesa, estudantes de arte de países diversos como eu, nudistas, modelos de arte (uma que eu já desenhara na faculdade), profissionais de dança, adeptos de ioga, negros, brancos, asiáticos, homens, mulheres, jovens, velhos, casais, pais e filhos (filhos adultos...). Em comum, todos eles tinham ótima aceitação de seus corpos (embora quase ninguém tivesse aquele corpo perfeito) e um desprezo pelas noções comuns de pudor. Aceitavam que se pudesse estar nu fora de um contexto sexual, embora alguns nunca o tivessem experimentado.&lt;br /&gt;Uma coisa que percebi no entanto era que quase nenhum deles era muito peludo. Como se o biotipo europeu suprimisse isso (ou talvez eles lidassem com isso de alguma forma). Eu estava no auge da minha experimentação disso (um mês depois que &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt; raspara minha cabeça e barba e ainda mantendo a calvície diariamente...) e por sorte havia removido boa parte dos meus pelos, podendo me passar por um deles sem problemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cômica dignidade com a qual todo mundo se despiu no primeiro dia foi talvez o único momento de desconforto. Quando nos juntamos no primeiro ensaio para formar pela primeira vez a estrutura, já sabíamos o suficiente da coreografia para que a nudez não incomodasse, tendo ensaiado partes dela com roupas. Havia uma sensação de que as coisas estavam indo ao contrário: de que nos víamos pelados para depois nos conhecermos melhor. Mas isso funcionava muito bem, evitando aquele efeito da &lt;em&gt;acquainted nudity&lt;/em&gt;, o pudor de ver uma pessoa conhecida nua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da última apresentação no dia 23 de Julho, fomos todos ao pub local. Tendo completado o projeto, a coisa toda perdia sua seriedade e nos permitíamos rir dos pequenos detalhes. Rimos imaginando os mortos e feridos do que teria acontecido se, naquele momento solene em que a estrutura está montada e ficamos inertes e calados por dois minutos, alguém peidasse... E fizemos chacota do único rapaz encabulado que não conseguiu evitar uma ereção no desmontar da estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma experiência maravilhosa. De aceitação do corpo, de compreensão do pudor, de arquitetura (!?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5867440257368009329?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5867440257368009329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5867440257368009329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5867440257368009329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5867440257368009329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#5867440257368009329' title='Existere'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5265401501935040097</id><published>2011-08-02T07:28:00.002-03:00</published><updated>2011-08-02T07:30:33.767-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'></title><content type='html'>Eu tinha prometido um texto por dia.... &lt;br /&gt;Mas entre internet falhando, sacanagens de última hora do catálogo, gente despejando trabalho alheio no meu colo, preparativos para a exposição final e pura e simples exaustão, eu acho que vou ter que esticar essa meta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segura aí um pouco que já já eu estou de volta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5265401501935040097?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5265401501935040097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5265401501935040097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5265401501935040097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5265401501935040097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#5265401501935040097' title=''/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6623801694486263460</id><published>2011-07-30T19:29:00.001-03:00</published><updated>2011-09-29T19:35:27.032-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida Alternativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Dissertação de dia, balada de noite</title><content type='html'>O professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; insistia que a minha dissertação não tinha uma pergunta acadêmica adequada. O que eu sempre detestei da academia era a problematização até das coisas mais simples. Eu já tinha apresentado três possíveis questões acadêmicas a serem desenvolvidas na minha dissertação e todas tinham problemas. "O que é o homem contemporâneo?" A pergunta já saia por terra na primeira referência pesquisada, que me revelou que, na era pós-moderna, qualquer conceito (como "homem", por exemplo) é fluido e maleável, incapaz de ser definido e dependente de uma miríade de conceitos que o rodeiam. "A prática de artistas masculinos adotarem alter egos femininos ainda se mantém relevante após as mudanças propostas pelo Feminismo?" Legal, mas eu teria que especificar o que é relevância e para quem a prática ainda é relevante. "Existe uma suposta ligação entre hábitos (práticas) e orientação sexual?" Bom, eu ainda teria que especificar quem faz a suposição e quais hábitos são esses em questão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo de Julho, eu finalmente cheguei a uma questão aceitável. Eu ia pesquisar as áreas de Vauxhall e Soho, notoriamente conhecidas como redutos LGBT onde as delimitações entre os sexos (&lt;em&gt;genders&lt;/em&gt;) eram mais imprecisas, atrás de exemplos de preconceito sistêmico (não partido da opinião de indivíduos) contra o sexo masculino. &lt;br /&gt;A pesquisa juntou detalhes que eu percebera de canto de olho durante o ano inteiro e outras coisas que eu pensara logo no começo. Acabei pesquisando o exército por aqui. O serviço militar inglês é opcional (ao contrátio da nossa dita democracia livre americana) e aberto a ambos os sexos. No entanto, determinadas unidades, como as de infantaria, são apenas masculinas. Em uma curta sessão de bate-papo online com representantes do exército, perguntei a respeito dessas unidades. Um deles respondeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Embora o exército reconheça a capacidade de muitas mulheres em apresentar os requisitos necessários, o exército questiona o impacto de ter equipes mistas e como isso afetaria a sua coesão em combates de curta distância.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta bem elaborada mostrava que o assunto já tinha sido discutido. E pra dizer a verdade, eu via o sentido em não criar unidades com ambos os sexos. No entanto, por que não criar unidades masculinas e femininas separadas? Por que só homens? Esse raciocínio perigava ser duplamente sexista: considerando mulheres inadequadas para esse tipo de combate por limitações físicas, ou considerando homens mais descartáveis e adequados para unidades com muitas baixas. &lt;br /&gt;Outro assunto que eu pesquisei foram as escolas primárias inglêsas. Depois da entrevista com um colega do curso que fora professor primário, passei a me interessar pelo medo britânico do professor pedófilo. Apesar de ter encontrado casos noticiados de mulheres (grupos delas até) envolvidas em casos de abuso infantil, o maior medo ainda era em relação aos homens. As escolas das áreas pesquisadas mantinham um corpo docente com uma média de 10% a 15% de professores homens. Obviamente, nenhuma escola quis comentar a respeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a noite caía nesses bairros, eu aproveitava para ir às baladas locais. Além do Escape, que eu já frequentava pelo karaokê e para tentar arranjar entrevistas com as drags e &lt;em&gt;crossdressers&lt;/em&gt;, eu passei algumas noites na Royal Vauxhall Tavern, que apresentava artistas da chamada &lt;em&gt;queer culture&lt;/em&gt; (a palavra "queer" normalmente tem conotações de homossexualismo, mas aqui é usada para qualquer prática sexual que desvie da dita "normalidade"). E aqui eu preciso admitir abertamente: descobri um novo e fascinante mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos entrando em águas perigosamente pessoais e controversas... Segurem-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei muito a escrever sobre isso porque percebi ao longo dessa minha experiência o quanto muito disso aqui era diferente da experiência que eu tinha do meu país. E o quanto a fama do Brasil de país sexualizado onde tudo era permitido por causa do Carnaval esbarrava em uma realidade católica conservadora que voltava a reprimir tudo na Quarta-feira de cinzas. Que via todo &lt;em&gt;queer&lt;/em&gt; como "viado" (no sentido mais pejorativo da palavra) e que pintava o Brasil como um país retrógrado em comparação com os "frios e tediosos" ingleses. Demorei a escrever, porque ainda não conseguia prever as reações de gente que lê estas páginas (que desde alguns relacionamentos passados passaram a ser escritas com mais zelo pelos sentimentos dos outros...). Mas também porque eu não conseguia definir onde eu me colocava nisso, e isso causava certa confusão que me impedia de escrever. O meu processo todo no &lt;br /&gt;mestrado me fizera rever traumas de infância que tinham colocado em questão a minha orientação sexual e experiências adolescentes que confirmaram minha heterossexualidade em meio a tantas outras questões emocionais complicadas. Mas eu continuava discordando da masculinidade brasileira que eu experimentei. Achava-a entediante, mentirosa e muito, muito conservadora. Além disso, percebi que eu fora ensinado a ter vergonha da minha criatividade sexual, a considerar todos os desvios do padrão católico conservador como "perversão", algo a ser reprimido ou contado em voz baixa e embaraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então havia Londres. Onde o coordenador do curso de mestrado de uma faculdade de renome apresentava-se como drag sem medo de ser feliz. Onde projetos como o Torture Garden organizavam festas de fetiche comentadas em artigos nos jornais gratúitos do metrô como qualquer balada normal. Onde as práticas de BDSM ("Bondage, Domination, Sadism, Masochism") eram vistas como opções de uma vida sexual sadia e criativa, tão naturais quanto preferir ruivas a morenas. Onde apresentadoras burlescas tinha um certo status decadente de celebridades. &lt;br /&gt;Aqui, longe de tudo e de todos que me conheciam antes, eu passei a me permitir mais. Passei a ir nas apresentações burlescas em Vauxhall, nas festas fetichistas em Brixton, nos bares drags de Soho. Quer saber? Estar nesses lugares fez saltar aos olhos o quanto as baladas na minha cidade eram uma mentira. As discotecas comuns eram palco de um jogo de aparência na cultura brasileira, onde eu tinha a impressão de que todo mundo dizia estar lá pra "dançar, beber e se divertir", mas estava lá de fato para pegar alguém. Eram lugares de um erotismo velado, onde as roupas mantinham a decência mas as atitudes não. Aqui nesses lugares de Londres ao menos a coisa era menos hipócrita. As pessoas estavam lá pelo erotismo sim, e não escondiam isso. &lt;br /&gt;Embora uma parte de mim ainda tivesse medo desses lugares, pela educação católica que eu recebi , o tanto que eu me sentia à vontade neles me fazia querer ir mais e mais a fundo. O medo era baseado em todas aquelas premissas estúpidas que alimentam a homofobia no meu país: o medo de que me meter com essa gente me tornaria homossexual, o medo de alguém me pegar à força e me forçar a algo que eu não queria, um medo de contaminação. O sentir-me à vontade era baseado em um mar de novidades que eu experimentava em cada lugar: o "não é não" na porta da balada em Brixton que era respeitado como um mandamento religioso, o quão bem eu me sentia nas roupas incomuns que eu podia usar em Vauxhall e o quanto eu parecia atrair a atenção dos rapazes em Soho sem fazer qualquer esforço. Esse último detalhe era curiosíssimo, porque eu sempre invejara a capacidade feminina de simplesmente estar na balada e atraír interessados enquanto que nós homens tínhamos que correr atrás. E embora eu não me interessasse por rapazes, esse interesse deles por mim fazia um bem incomparável à auto-estima, descontadas as reações homofóbicas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6623801694486263460?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6623801694486263460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6623801694486263460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6623801694486263460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6623801694486263460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#6623801694486263460' title='Dissertação de dia, balada de noite'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-9060451818318969736</id><published>2011-07-29T18:07:00.003-03:00</published><updated>2011-07-31T21:28:06.077-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Moving on to greener pastures</title><content type='html'>Julho também foi o mês da mudança.&lt;br /&gt;Há uma incoerência no sistema universitário daqui, centrada no fato de que todos os serviços relacionados à faculdade são sincronizados com os cursos de graduação. No entanto, os cursos de pós são o que tem  mantido a faculdade longe da falência, motivo pelo qual eles têm cada vez mais alunos (e cada vez uma porcentagem maior de estrangeiros). Um &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/education/2011/apr/19/art-colleges-face-uncertain-financial-future" target="_blank"&gt;artigo&lt;/a&gt; recente no &lt;em&gt;Guardian&lt;/em&gt; mencionou que, como forma de sobreviver à época de austeridade promovida pelos cortes de financiamento do governo, Chelsea tem planos de diminuir e eventualmente acabar com seu curso de graduação (que passará a ser ministrado pela faculdade de Camberwell, parte da mesma universidade), passando a concentrar esforços nos cursos de pós e cursos de férias. Para isso, muita coisa terá que mudar. Porque tudo aqui fecha para férias assim que os alunos de graduação se formam. Lojas de material, serviços da faculdade, a biblioteca fecha mais cedo e nada abre mais aos sábados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra coisa que funciona para os alunos de graduação são as acomodações. Meu contrato no apê da compania ligada à faculdade acabou em Junho. Assim de simples, danem-se os mestrandos. Os jovens com os quais eu morei por dez meses foram gradualmente voltando aos seus lugares de origem, a cozinha lentamente ficando limpa e habitável e as noites mais silenciosas. Até que finalmente, chegou a minha vez de sair. &lt;br /&gt;Fiz as malas e rumei para Vauxhall, um bairro logo ao lado da faculdade, conhecido pela vida noturna LGBT. Ia morar com &lt;strong&gt;Missi Liu&lt;/strong&gt;, uma colega chinesa da faculdade. Além dela, também dividiria o apê com &lt;strong&gt;Lora&lt;/strong&gt;, da Bulgária. &lt;br /&gt;A mudança não foi fácil. Três viagens para trazer toda a parafernália, algumas com malas emprestadas de &lt;strong&gt;Missi&lt;/strong&gt;, depois que a minha maior (e mais não-ergonômica) mala quebrou duas rodinhas enquanto eu a puxava do ponto de ônibus para o apê novo (&lt;em&gt;sorry, mom!&lt;/em&gt;). &lt;strong&gt;Missi&lt;/strong&gt; foi um amor. Fez questão de me ajudar a subir os quatro andares sem elevador com parte das malas. Aceitou minhas complicações financeiras enquanto a compania do apê anterior fazias os laudos necessários e me devolvia o depósito que eu usaria para pagar o apê novo. &lt;br /&gt;Porém &lt;strong&gt;Missi&lt;/strong&gt; era muito viajadora. E só em Julho deu um pulo em Genebra e depois voltou para a China para resolver problemas familiares. Assim que, nesse primeiro mês, passei boa parte do tempo mais com &lt;strong&gt;Lora&lt;/strong&gt;. Uma bióloga, ela estava participando de pesquisas sobre lupus, uma doença autoimune complicada. Muito simpática, disciplinada e aparentemente tímida, ela no entanto recebia algumas pessoas que passavam a noite com ela, não deixando muito claro qual era o grau de relacionamento dela com esses amigos e amigas. Não que isso me importasse... De manhã, competíamos tacitamente pelo banheiro. Quem acordasse primeiro tomava banho. Depois de um tempo, acabei me dando conta que eu podia chegar meia hora mais tarde na faculdade, mas ela tinha que estar no laboratório em um horário específico, e quando eu pegava o banheiro primeiro ela era forçada a sair sem banho. Passei a dar-lhe primazia. &lt;br /&gt;Outras coisas me deixavam menos certo do quanto estávamos competindo. Ela parecia não se importar com o prato ou copo que eu por vezes deixava na pia depois da janta e lavava tudo, junto com os dela. Chegou até a comentar, quando eu lhe disse para deixar minhas coisas que eu as lavaria depois, que ela não era uma "dish nazi" (algo como nazista de louças) e não se importava com essas delimitações de tarefas tão rigidas com as quais eu tinha me acostumado (e me frustrado) morando com a turma de 18 a 20 anos. Ela ainda tirava o lixo com uma diligência à qual eu não estava acostumado, enquanto &lt;strong&gt;Missi&lt;/strong&gt; varria e aspirava a cozinha. No geral, eu passei a me sentir como o mais bagunceiro e desleixado da turma, percebendo o quanto dos maus hábitos da garotada anterior eu tinha absorvido. Mas eu tinha uma desculpa (ou pelo menos me dizia isso) no catálogo e na dissertação da faculdade. Eu era desleixado porque não tinha tempo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras rotinas externas mudaram. O supermercado mais próximo era um Sainsbury's, que vendia carne mais caro do que o Morrisons ao qual eu me acostumara. Então continuei peregrinando até Camberwell todo fim de semana para fazer supermercado. Mas não era só por isso: alguns dos meus projetos de fotografia não ligados à faculdade estavam acontecendo lá. Fotos sobre as quatro estações que eu tirava todos os dias e agora passava a só poder tirar nos finais de semana. Além disso, alguns dos meus colegas do mestrado moravam perto de Camberwell, e estávamos passando a nos encontrar fora da faculdade com mais frequência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao apê, meu quarto era levemente maior do que o anterior. Uma janela bastante grande dava uma vista para a estação de metrô de Vauxhall e o prédio do MI5 ao fundo. A janela, com uma cortina de palha que até hoje não aprendi a operar, estava acima do nível dos prédios vizinhos. O que significava que eu podia ter aquela deliciosa sensação exibicionista de andar pelo quarto pelado com a janela aberta, sem que ninguém pudesse me ver (a menos que um tarado no prédio do MI5 tivesse uma luneta...). &lt;br /&gt;Eu ganhei um armário de pano e armação de alumínio que parecia prestes a cair com o peso das roupas, três cactos na janela, um sofá e uma mesa baixa. Sem mesa para trabalhar... Ignorei o fato quando estava procurando lugar pra ficar, mas logo na primeira tradução que recebi, minhas costas pediram arrego. Rapidamente tratei de montar uma mesinha na oficina de madeira da faculdade, que eu pudesse sentar no sofá e colocar no colo com o computador. Era uma coisa tosca, feita às pressas e com pernas dobráveis, mas servia seu propósito. Depois de um tempo, coloquei até buracos para facilitar a ventilação do meu computador, que estava aquecendo e desligando quando eu renderizava vídeos. No geral, o quarto tinha um ar até meio sensual, mediterrâneo. Não sei explicar. É algo que distoava de Londres de uma forma muito interessante. Tinha o desleixo de casa de praia. A porta não tinha tranca (mas tinha um adorno de penas na maçaneta...) e as paredes eram mais grossas em cima do que na base, criando um ângulo esquisito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar das peculiaridades, era um lar. A localização era uma delícia, a dez minutos de caminhada da faculdade. Podia voltar para almoçar (e pegar as várias coisas que eu esqueço...). Porém o mais interessante de Vauxhall era a vida noturna e os personagens caricatos da comunidade LGBT. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso fica para próximos posts...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-9060451818318969736?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/9060451818318969736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=9060451818318969736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/9060451818318969736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/9060451818318969736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#9060451818318969736' title='Moving on to greener pastures'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5627385882950415026</id><published>2011-07-28T16:00:00.003-03:00</published><updated>2011-07-28T19:43:53.126-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>O acidente de Brian, a consequente onda de destruição e o catálogo</title><content type='html'>Na faculdade, o efeito dominó começou quando &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;, nosso líder do curso, teve um acidente de bicicleta logo após a minha avaliação com ele e &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt;. Quebrou um braço e teve algum problema na bacia. Demorou duas semanas para voltar à faculdade, de muleta e sob o efeito de analgésicos. Durante esse tempo, o curso caminhou como uma daquelas galinhas que continuam correndo depois de terem a cabeça cortada. As avaliações dos outros alunos foram mal feitas por professores substitutos chamados de última hora, as notas tiveram que esperar até que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; voltasse e a visita de um avaliador externo, parte importantíssima dessas avaliações, nunca aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse período de caos evidenciou uma das maiores falhas da faculdade, que todos nós já tínhamos observado: o curso inteiro estava nas costas de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;, um senhor de uma certa idade que voltava para casa de bicicleta no meio de Londres todos os dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O incidente teve um impacto enorme na moral da turma. Os que já tinham suas práticas estabelecidas, continuaram produzindo. Mas a maioria (eu incluso), tendo sido colocada nesse estado de experimentação &lt;em&gt;hard core&lt;/em&gt; que o mestrado promove, perdeu completamente o rumo até nosso líder de curso voltar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte, eu acabei me concentrando em algumas coisas paralelas à arte, mas principalmente na procura por patrocínio para o catálogo final da turma. Uma tarefa cuja chefia a essa altura eu estava dividindo com &lt;strong&gt;Sonke&lt;/strong&gt;, um artista plástico alemão. Devo a ele muitas das sacadas que sequer teriam me ocorrido ou que eu não teria coragem de levar a cabo. Ele peitou muita gente dentro da faculdade para conseguir alguma ajuda, organizou partes da minha gestão que estavam meio caóticas por pura inépcia minha e levantou a moral do resto do grupo do catálogo. Com a ajuda das garotas da turma de design, chefiadas pela brasileira &lt;strong&gt;Joana&lt;/strong&gt;, o catálogo começava a parecer novamente como uma coisa possível. Ambiciosa pra caramba, mas possível. Autoridades da faculdade diriam nas reuniões, que a qualidade do catálogo era muito superior a muita coisa que eles tiveram nos anos anteriores. E isso, devo a &lt;strong&gt;Joana&lt;/strong&gt;, que venceu a competição de design que montamos, e mostrou por A + B que o preço exorbitante desse design podia ser diminuido e negociado com os fornecedores até custar quase o mesmo que o horrendo catálogo do ano passado. Designer profissional é outra coisa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Julho foi um mês de frustrações nessa área. Todos os nossos possíveis patrocinadores negaram ajuda. E mesmo a faculdade, para surpresa do grupo, não estava disposta a pagar um centavo para um projeto que ela nos incitou a fazer e que claramente serviria para promovê-la. &lt;br /&gt;Essa posição da faculdade complicou ainda mais as coisas quando chegou aos ouvidos da turma geral de artes plásticas. Quando comunicamos que os alunos teriam que contribuir com algum dinheiro para o catálogo, os mais idealistas (artista plástico idealista é quase um pleonasmo...) se negaram a pagar por algo que a faculdade devia prover. Muito bem, concordo plenamente. Mas esse dinheiro teria que vir de algum lugar, e se eles não pagassem, não haveria catálogo. O pior de tudo é que, com a turma do design trabalhando no catálogo em si e &lt;strong&gt;Sonke&lt;/strong&gt; correndo atrás de possibilidades dentro da faculdade, a responsabilidade pelo patrocínio externo ficou inteira na minha mão. E eu nunca soube mendigar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao assunto inicial do acidente de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;, no meio do mês, os alunos altamente descontentes (e os mais idealistas) se juntaram para protestar. A tensão estava tão palpável, que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; sacou que algo estava acontecendo, só não sabia o que era. Nos reunimos no &lt;em&gt;Banqueting Hall&lt;/em&gt;, um salão nobre que, apesar de muito menor, tinha a solenidade do salão principal de Hogwarts (HAHAHAHAHA). Com nosso manual do curso, procuramos especificamente tudo o que tinha sido prometido pela faculdade quando nos inscrevemos e que não foi entregue. A visita do avaliador externo foi só o começo. A idéia era exigir um encontro com o reitor da faculdade e exigir uma compensação pelas falhas. Falou-se muito em exigir financiamento para o catálogo. &lt;br /&gt;Entre a reunião no &lt;em&gt;Banqueting Hall&lt;/em&gt; e o encontro com o reitor, o leilão de cartões postais aconteceu. O evento acontecia todos os anos, para levantar dinheiro para o catálogo e a exposição final. Com cartões (na verdade, vale qualquer coisa que tenha o tamanho de um postal) feitos pelos alunos e doados por ex-alunos famosos, o evento geralmente levantava uma boa grana e era uma noite divertida de frivolidade. Pessoalmente, meu &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/07/articulated-conflation.html" target="_blank"&gt;cartão&lt;/a&gt; tinha sido talvez a única obra que eu tinha feito até aquele ponto de Julho. Uma mistura de carpintaria (masculina) e costura (feminina), o cartão tinha um enorme artigo “THE” no meio, que em inglês não especifica sexo, diferente do que acontece nas línguas latinas. Sob o título de “Articulated Conflation” (algo como “Fusão Articulada”) , a peça foi vendida para uma coreana por vinte libras. &lt;br /&gt;Mas infelizmente, e para aumentar as frustrações do mês, o leilão arrecadou metade do que tínhamos previsto, aumentando a pressão na turma do catálogo para arranjar dinheiro. Nesse ponto, eu voltei para casa depois do leilão com a certeza de que o catálogo já era. Eu tinha gasto uma boa porção do meu tempo e concentração em um projeto faraônico que, apesar de lindo, não ia sair do PDF. Já estava pensando na redação do e-mail para a turma me desculpando e explicando que estávamos cancelando o projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí que uma daquelas reviravoltas emocionantes aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta passada, o bando descontente com o curso se reuniu com o reitor para reclamar sobre os eventos recentes. Ele, muito diplomático e político nato, aceitou o que era inevitável (que o examinador externo nunca veio, que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;John Cussans&lt;/strong&gt; estavam trabalhando em suas áreas com um contingente muito maior do que podiam lidar e sem ajuda alguma e que o acidente de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; foi remediado da pior maneira possível) e montou um pequeno show de desculpa, dizendo que não sabia do que estava acontecendo (né, companheiro &lt;strong&gt;Lula&lt;/strong&gt;?). Como compensação, iria reabrir a faculdade aos sábados, uma regalia que havia acabado depois que os alunos de graduação se formaram (pra vocês verem como tudo aqui gira em torno da graduação, mas isso fica para o próximo post). Além disso, iria falar com o diretor da universidade da qual Chelsea fazia parte para ver se podia nos dar algum financiamento para o catálogo! &lt;br /&gt;O dinheiro veio em menos de uma semana. Uma fração do que precisávamos, mas já era o suficiente para diminuir a quantidade que os alunos teriam que pagar, tornando-a tão modesta, que mesmo os idealistas aceitaram pagar. Neste ponto, não era mais uma questão apenas do dinheiro. Nós tínhamos feito um catálogo muito melhor do que os anteriores, para uma das mais numerosas turmas da história da faculdade (o que complicava o processo e aumentava o preço), e conseguiramos reduzir o preço para que os alunos pagassem metade do que os do ano passado tinham pagado. Claro, idealmente, a faculdade devia pagar por isso e os alunos deveriam ter o catálogo de graça. Mas depois de todo esse esforço e dedicação da equipe do catálogo, e com um resultado tão incrível, mesmo os idealistas achavam que seria um desperdício negar isso por causa de ideologia. E claro, termos colocado uma simulação do catálogo em exposição na biblioteca também seduziu alguns dos indecisos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo isso, os últimos alunos estão pagando suas partes. Cada e-mail que recebo avisando sobre pagamentos vem com notas de agradecimento dos alunos pelo esforço da equipe. Acho que jamais senti esse carinho e respeito, esse agradecimento por um trabalho bem feito. É mais do que um "você fez um bom trabalho", é um "você se importou com o coletivo". E é uma delícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em assuntos relacionados, a visibilidade que ganhei como gerenciador do grupo do catálogo me rendeu algumas regalias na faculdade. Pude atrasar datas de entrega de projetos e ter a atenção dos tutores por mais tempo ou fora dos horários oficiais. Afinal, eu tinha gasto tanto tempo com um projeto em prol da faculdade, que eles respeitavam a dedicação de fazer isso e ainda levar a cabo um mestrado. Eu já ficava maravilhado com o fato de todo mundo saber quem era o &lt;strong&gt;Pedro&lt;/strong&gt; e dos tutores me tratarem como mais do que um mero aluno, uma notoriedade que eu nunca experimentara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria ótimo se isso também revertesse em perspectivas de carreira...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5627385882950415026?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5627385882950415026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5627385882950415026&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5627385882950415026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5627385882950415026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#5627385882950415026' title='O acidente de Brian, a consequente onda de destruição e o catálogo'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8726233121856083999</id><published>2011-07-25T14:29:00.002-03:00</published><updated>2011-07-28T11:53:13.242-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Julho</title><content type='html'>Nossa, já faz quase um mês que eu não escrevo! &lt;br /&gt;Não é a toa que o pessoal anda perguntando se eu ainda estou vivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resumir Julho? &lt;br /&gt;Uma forma de resumir tudo seria dizer que o curso desandou, mas que eu continuei crescendo imensamente. Tanto que me pergunto se consigo comunicar aqui o rápido transformar acontecido nessas semanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nisso, s vocês parcos leitores aguentarem, proponho um intensivão de posts daqueles. Um post por dia, sobre todos os diversos e complexos assuntos que aconteceram na minha estadia na terra da Rainha em Julho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitem diariamente. Aposto que vai ser melhor do que a novela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8726233121856083999?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8726233121856083999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8726233121856083999&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8726233121856083999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8726233121856083999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#8726233121856083999' title='Julho'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6644526166909119609</id><published>2011-06-28T17:49:00.004-03:00</published><updated>2011-06-28T18:05:36.331-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Nota</title><content type='html'>E por falar na avaliação com as duas &lt;strong&gt;Dawns&lt;/strong&gt;, hoje recebi a nota. O número era mais ou menos o que eu esperava: 63. Na média da turma, que ficou nos 60. Eu achava que receberia algo assim, depois de perceber como meu nervosismo de rever &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; influenciara na minha apresentação. Recebi altas notas em experimentação e técnica (adorei!), porém uma nota um pouco mais humilde em conhecimento do tema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais interessante do que a nota foram as anotações que ela escreveu a respeito do trabalho. Senti que conquistei ao menos um mínimo respeito dela, e isso muito me agradou. Abaixo, traduzo o que ela escreveu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1) Ótima experimentação em termos de formato (media) do trabalho. Desenvolveu estratégias performáticas através de formatos em vídeo e ao vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Precisa desenvolver distanciamento crítico e talvez uma estratégia para comunicar isso, dada a por vezes confusa combinação de metas políticas objetivas, material autobiográfico e regras performáticas fictícias. [Eu nem sabia que tinha tudo isso!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Relationamento discursivo com outros alunos é bom e aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Temas interessantes relacionados à identidade cultural latinoamericana abordados por uma perspectiva pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Precisa chegar a um posicionamento para fazer julgamentos auto-críticos sobre o trabalho.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6644526166909119609?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6644526166909119609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6644526166909119609&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6644526166909119609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6644526166909119609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#6644526166909119609' title='Nota'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1701118033357498832</id><published>2011-06-28T17:28:00.002-03:00</published><updated>2011-06-28T17:48:58.318-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>A seriedade que vira piada</title><content type='html'>Tentando dar umas dicas para &lt;strong&gt;Louise&lt;/strong&gt;, uma colega irlandesa que queria começar um blog, mostrei o meu &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blog profisssional&lt;/a&gt;. Ela, uma artista que trabalha principalmente com vídeos, viu alguns dos vídeos que ela nunca tinha visto antes, como o &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/05/semiotics-of-workshop.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Semiotics of the Workshop&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/03/male-varnish-estudo.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;Uma coisa estranha e interessante acontece com esses vídeos. Incluo no grupo também a performance do &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/02/how-to-sew-button.html" target="_blank"&gt;botão&lt;/a&gt;. São trabalhos que eu desenvolvi com um intuito sério. Eu queria que fossem trabalhos relativamente sérios no começo. O primeiro estudo para a performance do botão foi feito no estúdio de Chelsea, em absoluto silêncio, como um ato quase religioso. Nesse caso, o trabalho mudou e passou a ser sátira antes da versão final. Mas nos outros dois, eu realmente produzi a coisa com um certo intuito sério, pra levantar questões políticas sérias. Mas o resultado saiu cômico. É aquele cômico meio sarcástico, de rolar os olhos, mas é uma graça interessante. Eu acho que não me ofendo como faria nos primeiros anos da faculdade quando um trabalho "desandava" desse jeito, em parte por já ter amadurecido e aprendido a respeitar essas mudanças que o trabalho faz sozinho, mas também em parte porque a crítica política (política aqui mencionada como &lt;em&gt;gender politics&lt;/em&gt;, não política de governo) continua lá. Mesmo que vestida de bizarra comédia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Louise&lt;/strong&gt; acha que a força desses trabalhos, em especial do &lt;em&gt;Male Varnish&lt;/em&gt; está na naturalidade do ato. Eu estou mesmo experimentando pintar as unhas e tentando fazer isso direito. E estou mesmo usando verniz de madeira. Eu não estou montando uma cena como nos outros ou tentando atuar como um comediante. Eu estou sendo eu mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me faz pensar no que mais eu posso fazer com essa carga de realismo cômico. Mais ainda, me faz pensar no que &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; diria. Percebi que, na ansiedade da minha &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#515226149700611352" target="_blank"&gt;avaliação&lt;/a&gt;, não mostrei esses vídeos a ela... ¬¬&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1701118033357498832?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1701118033357498832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1701118033357498832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1701118033357498832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1701118033357498832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#1701118033357498832' title='A seriedade que vira piada'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8811883429793204514</id><published>2011-06-28T08:31:00.002-03:00</published><updated>2011-06-28T09:28:06.565-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Tutorial 6</title><content type='html'>A long time had passed and a lot had happened since my last &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1968640229833618272" target="_blank"&gt;tutorial&lt;/a&gt; with &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt;. I had pondered about my clothes, traveled to Romania and rekindled my love for vampires, linked gender politics with vampirism through the character of Dr. Frank-N-Further, and had a few other experiences I didn't note down here. I was changed. Completely. And &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt; was pleased. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I was prepared this time as well. After wasting a good deal of time on our first tutorial due to a diverted bus, I made sure to be in College a full 45 minutes before our appointment. &lt;strong&gt;Stephen&lt;/strong&gt;, surprisingly, showed up 15 minutes early. Nonetheless, I was prepared. &lt;br /&gt;And just to vindicate my previous forgetfulness, I started by offering him a small box of brigadeiros, the Brazilian dessert I had been making on several occasion here in London. There was a point to be  made with them. I wanted to get from him the same surprised expression I had gotten from many of my colleagues, when they realized those delicate treats had been carefuly made by a man (of course, by now, I was less of the traditional barbecueing male and more closely related to this sort of gastronomy). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The result was interesting: &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt; denied them. He mentioned having an issue with personal space and not accepting anything from other people. &lt;br /&gt;A while ago, I can't remember when or where, an older man had given me something to eat. I can't even remember who it was (and it was probably someone from the course), but I do remember that feeling of being fed, of biting something off the fingers of another man. There was something provocative about the act, something latently homo erotic. It would have bothered me were I not dealing with these issues as part of my research. &lt;br /&gt;I had thought of a performance with brigadeiros as my final piece. Of feeding men in an audience during a performance in that same way, causing that feeling of strangeness and sexual doubt on them. With &lt;strong&gt;Stephen&lt;/strong&gt;, this had perhaps happened before the actual act of feeding (and I never intended to feed them to him...). We talked about that event, which I recalled as best as I could, mentioning it probably had happened in Soho, that neighborhood in London famous for its transgendered nightlife. He extrapolated the idea, filling in the gaps left by my faulty memory with much of his own personal fears of that sort of unwanted intimacy. And we envisioned another sort of performance. One where an audience would feed each other, men feeding men, women feeding women, to take it away from me as a character and closer to each participant's issues with sexuality, gender and intimacy. &lt;br /&gt;I was somewhat thrilled at the idea that my art could revolve around food. It resonated, for me, with &lt;strong&gt;Graysson Perry&lt;/strong&gt;'s pottery: something girly, but where that female aspect would come as both a defining thing in the life of the artist and a critique to everyone else.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I got other interesting reactions from other pieces, as I took him through all the violent changes that had happened since we last spoke. He had told me "not to make things confortable", and I had delighted in taking that advice to heart. The video of &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt; shaving my head seemed interesting in itself, and the photography that followed (some of it still unpublished on any of my other media) definitely fit that description, being quite outright provocative. But a lot of it eventually stubled on stereotypes that I wasn't doing enough to question. And that made the work dangerously shallow. &lt;br /&gt;The feeding performance, on the other hand, had "a good energy", he said. I agreed. And I'm thinking of ways of running this through my classmates before taking it any further, to see their opinions. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We also talked about characters. Some of my photos had been an attempt to develop a character that would take the place of my absent Butcher's Daughter. And I suppose this character is still going to happen, when I go back to a more conservative lifestyle back in my own country. It'll be the dormant form my transgression will take. But that's a bit too convoluted to explain. &lt;br /&gt;But while we talked about characters, I mentioned the first researched I had done on &lt;strong&gt;Oreet Ashery&lt;/strong&gt; and the first interview with &lt;strong&gt;Benedetta de Alessi&lt;/strong&gt;. What interested me about them was that they had practical reasons for separate alter egos. &lt;strong&gt;Oreet&lt;/strong&gt; was dealing with Jewish rituals that excluded women and wouldn't be able to penetrate these societies without her male character. &lt;strong&gt;Benedetta&lt;/strong&gt; created her character of the little boy Oscar because she was interested in that particular stereotype of the boy and in "being over-emotional and romantic, or in tears, as a male". That is to say, she couldn't have done it as a grown woman, because it would invalidade the whole experience.&lt;br /&gt;Drag characters were something different. And &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt; mentioned a conference held a few years back that asked the question: "is drag dead"? The actual question is: is there anything left for drag to question to maintain its transgressive status? In a world of stay-at-home dads and men wearing make up, drag is simply becoming an exageration of questions that aren't really relevant anymore. &lt;br /&gt;My upcoming interview with &lt;strong&gt;Brian "Dawn" Chalkley&lt;/strong&gt; might give me some more info on the matter. &lt;br /&gt;Meanwhile, &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt; is still giving me the silent treatment.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8811883429793204514?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8811883429793204514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8811883429793204514&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8811883429793204514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8811883429793204514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#8811883429793204514' title='Tutorial 6'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5854604296738006434</id><published>2011-06-19T18:43:00.002-03:00</published><updated>2011-06-19T19:35:03.741-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Da ligação entre atitudes e orientação sexual</title><content type='html'>Tive uma conversa interessante na noite anterior, em uma festa na casa de uma de minhas colegas. Uma amiga dela, ao ser apresentada a mim, fez aquela pergunta: "então, que tipo de arte você faz?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta, que lá vem a história....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter que responder desengonçadamente essa pergunta uma porção de vezes, acabei desenvolvendo um começo decente. Eu estou interessado em política de gênero (&lt;em&gt;gender politics&lt;/em&gt;, por aqui todo artista já ouviu falar disso por causa das feministas), mas pelo lado masculino, depois do feminismo. A resposta é suscinta, adequada, e ainda deixa a pessoa com aquele gosto de "legal, quero saber mais a respeito". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das diferenças culturais que eu tenhno ressaltado por aqui, conversas com não-artistas sempre são cheias de interesse, de concordar, de achar legal. Nossa conversa demorou mais de uma hora, entre trocar experiências e tirar dúvidas. E no final, eu tinha saído disso com mais um ponto interessante a considerar: essa ligação entre atitudes e orientação sexual. &lt;br /&gt;Se bem me lembro, conversávamos sobre a entrada das mulheres no mercado de trabalho e outras "masculinizações" que aconteceram no século XX. E em algum momento, me veio essa idéia: hoje já é perfeitamente normal que as mulheres façam determinadas coisas que antes eram masculinas. E não se questiona sua orientação sexual por causa disso (ainda há algumas excessões, claro...). &lt;br /&gt;Não seria ótimo para um homem poder escolher opções similares sem precisar pensar nessa ligação entre atitude e orientação sexual? Não seria ótimo poder pensar sobre o próprio corpo, como mencionei no post anterior, ou sobre cuidar dos filho e etc, sem que isso enviasse uma mensagem errada? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me fez pensar em uma perfomance que não sei se ainda terei energia e tempo pra montar. Uma em que eu começaria perguntando para a platéia aquela pergunta que virou clichê: "&lt;em&gt;does this shirt make me look gay?&lt;/em&gt;" ["essa camisa me faz parecer gay?"]. E daí ir progredindo para coisas mais e mais desafiadoras nessa questão. Pintar as unhas, passar maquiagem, etc. Onde está o limite?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5854604296738006434?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5854604296738006434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5854604296738006434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5854604296738006434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5854604296738006434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#5854604296738006434' title='Da ligação entre atitudes e orientação sexual'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2031475260379292744</id><published>2011-06-19T18:13:00.002-03:00</published><updated>2011-06-19T18:43:21.419-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>No-body</title><content type='html'>Acho que eu não cheguei a comentar sobre essa idéia por aqui ainda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei lendo o &lt;em&gt;Male Order&lt;/em&gt; da &lt;strong&gt;Rowena Chapman&lt;/strong&gt;, uma coletânea de textos do final dos anos 80 que já discutia com certa seriedade as questões masculinas. Fiquei impressionado ao perceber como a discussão andou muito pouco de lá pra cá, apesar de já ter mostrado &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_06_01_archive.html#6748202828029711908" target="_blank"&gt;resultados&lt;/a&gt; interessantes. &lt;br /&gt;Mas achei muito interessante que um dos textos (não anotei qual...) desenvolvia mais a fundo a idéia já conhecida de que o homem é o observador que objetifica a mulher. De acordo com o texto, a mulher como objeto de desejo é corpo, é visual. Era uma das coisas criticadas pelo feminismo antigo, da década de 70, e pelas vertentes posteriores em uma forma mais kitsch.&lt;br /&gt;Mas o interessante do texto era considerar a situação do homem observador. Como observador, ele não tem corpo. Quando muito, ele tem um orgão simbólico, o falo, cujo poder como símbolo é transferido (fetishisado) para objetos alheios ao corpo do homem: o carro, a caneta dourada, a arma, a ferramenta, etc. Mas o corpo físico do homem... Bem, esse é escondido, ignorado, façamos de conta que não existe. Por que? Ah, porque é feio, ninguém quer ver um pinto... Sinceramente, certas partes mais íntimas da anatomia feminina são tão feias quanto. &lt;br /&gt;A questão é que o corpo masculino ainda é em grande parte um tabu. Ele é escondido e o homem que o aprecia recebe o carimbo: [GAY!]&lt;br /&gt;E não é apenas na apreciação do corpo do outro. Cuidados masculinos com o corpo são aceitos quando se fala da barba, esse símbolo de masculinidade que eu recentemente &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/05/untitled.html" target="_blank"&gt;ataquei&lt;/a&gt;. Mas além disso, cuidados com a pele, com formas adequadas de depilação, ou até mesmo o considerar depilar-se por questão higiênica ou de conforto, cuidados com unhas, cabelo, alimentação... Tudo isso ainda pertence àquela área cinzenta que, mesmo aqui em Londres, os igleses defendem dizendo que "os tempos mudaram e homens podem discutir isso". Mas o fazem em tom baixo, olhando para os lados depois de ter medido a outra pessoa dos pés a cabeça pra saber se ela não vai achar estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho sim começado a pensar. &lt;br /&gt;Depois dos desajeitados primeiros experimentos de Maio, comecei a considerar o comprimento adequado e confortável das unhas. Comecei a pensar na vasta quantidade de pelos que me cobrem o corpo e o quanto eu não gosto disso. Comecei a ver maneiras de lidar com isso sem passar outro mês me coçando inteiro (sério, cada vez que o vento batia e eu sentia calafrios, as raizes dos pelos raspados giravam dentro da pele - como centenas de agulhas afiadíssimas). Tenho ido a aberturas de exposição e outros eventos públicos importantes com uma ponderada quantidade de maquiagem apenas para esconder imperfeições, sem exageros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um corpo. Você pensa no seu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2031475260379292744?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2031475260379292744/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2031475260379292744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2031475260379292744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2031475260379292744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#2031475260379292744' title='No-body'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6917771163052405075</id><published>2011-06-15T16:00:00.003-03:00</published><updated>2011-06-15T16:49:32.090-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>The Chosen Ones</title><content type='html'>O verão teoricamente começou por aqui. Mas Londres ainda não percebeu. Média de 18º. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não consegui garantir a entrevista com &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt;. Mas andei pesquisando os outros que me interessaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Brian "Dawn" Chalkley&lt;/strong&gt; dispensa apresentações. Coordenador do nosso curso de mestrado, ele se apresenta como seu alter ego, a perniciosa e exibida &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt;. Aliás, fará uma apresentação amanhã, na galeria Beers.Lambert, em uma exposição à qual me inscrevi e não fui selecionado, só com artistas lidando com questões de gênero. Nas suas apresentações, &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; geralmente lê o "Tranny Manifesto", uma lista de frases que especificam tudo que ela é a favor. Coisas kitsch, uma mistura de cinismo bem realista e provocação debochada. Ela não está fazendo nada além de inserir detalhes pessoais de suas noitadas com executivos. Esses homens malvados que só querem o seu corpo. Daí você lembra que ela é ele... E todo mundo sabe disso, porque a maquiagem exagerada não está lá para esconder, mas para realçar o fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem diferente dele, a ex-aluna italiana &lt;strong&gt;Benedetta de Alessi&lt;/strong&gt;, mestranda de Chelsea em 2009, é conhecida na internet como &lt;strong&gt;Oscar&lt;/strong&gt;. Era. &lt;strong&gt;Oscar&lt;/strong&gt;, uma versão atualizada e emo do jovem Werther de &lt;strong&gt;Goethe&lt;/strong&gt;, cometeu suicídio no ano passado, depois de deixar uma última mensagem ao seu amante P. &lt;strong&gt;Benedetta&lt;/strong&gt; fazia um esforço para que sua identidade feminina não fosse descoberta. Fotos em que ela atingia uma bem elaborada androginia ilustravam o &lt;a href="http://oscarscar.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt; de &lt;strong&gt;Oscar&lt;/strong&gt;. Muitas das fotos dele ainda criança, que eram de fato fotos da própria &lt;strong&gt;Benedetta&lt;/strong&gt;, naquela fase assexuada da infância. De sua parte, &lt;strong&gt;Benedetta&lt;/strong&gt; estava interessada na representação do jovem atualmente, e nas várias semelhanças da cultura jovem de hoje com a cultura do romantismo, de onde surgiu Werther. Mas por que um alter ego masculino então? O que havia nessa questão que ela não podia explorar como uma mulher? Suspeito houvessem outros motivos pela escolha. Motivos anteriores ao trabalho de mestrado dela aqui em Chelsea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora do âmbito da faculdade, &lt;strong&gt;Oreet Ashery&lt;/strong&gt; me fora indicada por várias pessoas. A artista tinha um alter ego masculino, o judeu ortodoxo &lt;strong&gt;Marcus Fisher&lt;/strong&gt;, com o qual ela investigava os rituais do judaísmo que só podíam ser presenciados por homens e os ambientes onde "homens eram homens" (Já estou ansioso pra saber o que ela achava dessa premissa, como definia-se "homens" nesses ambientes). Ela sim tinha um motivo muito específico para a escolha do alter ego do sexo oposto, mas me pergunto o quão estreita tornou-se a relação entre criador e criatura com o passar do tempo. Será que ela chegou ao ponto de adotar alguns dos hábitos de &lt;strong&gt;Fisher&lt;/strong&gt;? Habitos de "homens"? Estou quase convencido de que &lt;strong&gt;Oreet&lt;/strong&gt; jamais poderia efetuar aquela fusão entre masculino e feminino que tornaria o alter ego obsoleto. Para isso, ela teria que mudar todo o judaísmo. Mas acho que a nossa conversa ainda pode trazer detalhes muito interessantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, fazendo a volta completa e voltando ao tema inicial, andei pesquisando &lt;strong&gt;Grayson Perry&lt;/strong&gt;. Talvez a figura mais estranha do bando. &lt;strong&gt;Perry&lt;/strong&gt; trabalha fazendo vasos de porcelana delicada, nos quais, à moda grega, ele pinta imagens provocantes que questionam limites de gênero. Com uma cabeleira natural loira ao estilo He-Man, ele por vezes encarna seu alter ego &lt;strong&gt;Claire&lt;/strong&gt;, uma garotinha de vestido (que não é filha de açougueiros). Vale lembrar, &lt;strong&gt;Perry&lt;/strong&gt; é casado com uma psicóloga e tem uma filha. O que o coloca no âmbito heterossexual (enquanto que eu ainda tenho dúvidas a respeito de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;). Pessoalmente, acho que ele já incorpora tanto do lado feminino, que questiono a necessidade da separação entre ele e seu alter ego. Acho que ele já é ambos meio que ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;Um detalhe interessante pescado da página da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grayson_Perry" target="_blank"&gt;Wikipedia&lt;/a&gt; sobre ele: ele menciona que seu trabalho reflete sobre sua criação como menino e a "ausência de aconselhamento adequado sobre conduta masculina". Adoraria conversar largamente com ele e trocar estranhices... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post me fez bem. Ajudou a organizar as idéias. Faz parte da minha tentativa de sair aos poucos do caos para a disciplina de novo. Mas desta vez trazendo um pouco das peculiaridades do outro lado junto comigo. &lt;br /&gt;Às vezes sinto pena de não ter mantido a disciplina e escrito mais sobre o processo todo por aqui. Meu trabalho e minha cabeça já mudaram tanto, mas perdi o link entre o antes e o depois. Teria sido interessante documentar. Enfim, vamos adiante!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6917771163052405075?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6917771163052405075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6917771163052405075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6917771163052405075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6917771163052405075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#6917771163052405075' title='The Chosen Ones'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8265380631560239214</id><published>2011-06-08T21:42:00.004-03:00</published><updated>2011-06-08T22:52:07.633-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Finalmente, a questão</title><content type='html'>Agora que a minha calvície já virou de conhecimento público depois das fotos que apareceram no Facebook [&lt;a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150324050776038&amp;set=a.10150324050771038.420073.503931037&amp;type=1&amp;theater" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150326796381038&amp;set=t.503931037&amp;type=1&amp;theater" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;], resolvi postar os textos que estavam esperando o vídeo de &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt; me raspando a cabeça. A faculdade continua dificultando a edição desse vídeo, privilegiando os alunos da graduação que estão há uma semana da sua exposição final e precisam editar trabalhos. Então voudar continuidade à história, e vocês verão o vídeo quando ele acontecer... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim... Se você não sabe quem é &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt;, os textos que eu publiquei foram &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#3002237413541972951" target="_blank"&gt;este&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#515226149700611352" target="_blank"&gt;este&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#8687610575455469360" target="_blank"&gt;este&lt;/a&gt;. Leia, que você vai entender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, depois destes remendos cronológicos, preciso contar de hoje à noite. &lt;br /&gt;O professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; tinha indicado na nossa avaliação que eu ainda não tinha desenvolvido uma boa questão acadêmica para pesquisar. Tentei pensar nisso conscientemente, mas eu sabia que, no meu momento atual, ela viria do inconsciente, quando eu menos esperasse, e que tentar forçar a barra só ia piorar. &lt;br /&gt;Achei uma possível questão quando achei a &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/06/butchers-daughter-found-at-foundry.html" target="_blank"&gt;Filha do Açogueiro&lt;/a&gt; na antiga Foundry. Voltei a pensar na idéia de que ela viera ao mundo real simbolizando uma fusão entre minhas personas masculina e feminina, ambas agora no mundo real. &lt;br /&gt;Dentre as leituras que o professor me recomendou, fui ler sobre &lt;strong&gt;Grayson Perry&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Oreet Ashery&lt;/strong&gt; e uma mestranda de Chelsea em 2009 chamada &lt;strong&gt;Benedetta de Alessi&lt;/strong&gt;. Todos eles tinham criado alter egos do sexo oposto. As duas últimas pessoas eram mulheres com alter egos masculinos. E antes deles havia &lt;strong&gt;Duchamp&lt;/strong&gt; com sua &lt;strong&gt;Rrose Selavy&lt;/strong&gt; e tandos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que trouxe a minha questão à tona foi perceber que todos eles haviam mantido uma separação clara entre suas identidades e seus alter egos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o mesmo problema que apontei &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#3564609568412281549" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; em relação à personagem drag do professor &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt;. Quando a arte acabava, aquela personagem entrava em um estado de suspensão, latência, momentaneamente deixava de existir. E o artista voltava ao seu gênero original. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a pergunta (que ainda estou elaborando melhor...) seria: "por que é preciso um personagem separado?" Ou então: "seria possível incorporar o personagem, fundi-lo à identidade principal para que as características do gênero oposto exploradas através dele passassem a ser características da identidade principal?"&lt;br /&gt;Fiquei muito feliz com o ímpeto investigativo que isso desperto em mim. Queria entrevistar esses artistas. Perguntar sobre os personagens e como eles tinham mudado seus hábitos. Perguntar se a divisão entre personagem e artista tinha sido borrada com os anos e entender os casos em que ela persistia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corte repentino para um bar no distrito do baixo meretrício perto de Leicester Square. O Escape ficava em Brewer Street, uma rua conhecida pelos sex shops e comunidade GLBT. Eu estivera no Escape um par de vezes, atraído por curiosidade ao único karaokê disponível e barato que eu encontrara, sugestivamente chamado &lt;em&gt;Trannyoke&lt;/em&gt;. O evento acontecia às quartas no Escape, liderado por uma drag que atendia pelo nome de &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt;. O lugar, como a maioria dos karaokês, mostrava pouca clientela, apesar de &lt;strong&gt;Lloyd&lt;/strong&gt; e uma trupe de outras figuras manterem o clima bem animado. &lt;br /&gt;Eu estava de novo no Escape, novamente aproveitando a noite de pouco movimento para cantar, causar uma impressão favorável em &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt; e com sorte conseguir que ele(a - putz, que gênero eu uso?) concordasse em ceder-me uma entrevista. A noite correu muito bem, rápida e sem complicações. &lt;strong&gt;Lloyd&lt;/strong&gt; me deu seu e-mail e disse-me para procurá-lo(a - isso é meio desconfortável...) no Facebook. E que adoraria fazer parte dessa entrevista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei o modo como terminamos a conversa, com &lt;strong&gt;Lady Lloyd&lt;/strong&gt; avisando que teríamos que combinar algo durante a noite, porque de dia ele(a - tá, vou parar com isso...) &lt;u&gt;não existia&lt;/u&gt;. Vampírico, dividido, perfeito para a entrevista...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8265380631560239214?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8265380631560239214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8265380631560239214&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8265380631560239214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8265380631560239214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#8265380631560239214' title='Finalmente, a questão'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6796945040662080411</id><published>2011-06-04T19:17:00.002-03:00</published><updated>2011-06-04T20:59:50.997-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grafite'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Brick Lane e a volta da garota desaparecida</title><content type='html'>Naquele fim de semana, também passei pela Brick Lane. A rua emblemática de Londres tornou-se um dos &lt;em&gt;points&lt;/em&gt; mais recentes, tomando um pouco do monopólio de Camden Town. &lt;br /&gt;Na verdade, era uma questão tribal. &lt;br /&gt;Camden tornara-se o reduto de uma cultura punk, gótica e clubber. Eram culturas que tinham um visual mais violento, mas uma índole muito boa se você conseguisse passar a barreira do visual. Eu mesmo adorava o visual, e junto com minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt;, tínhamos visitado Camden várias vezes para comprar nossos pinduricalhos de couro e caveiras. &lt;br /&gt;Brick Lane era outro território. Quando o punk e gótico virou &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt; demais, surgiram alternativas, etre elas os &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_10_01_archive.html#2806035978801580825" target="_blank"&gt;hipsters&lt;/a&gt;. E é em Brick Lane que eles comprar suas roupas estilo "minha avó tinha" e almoçam culinária vegetariana do oriente médio ou algo do gênero. &lt;br /&gt;[Tá, deu pra notar que eu sou mais da outra tribo mesmo...]&lt;br /&gt;E por que é que eu tinha ido a um lugar desses? Além de ter ouvido falar muito a respeito, eu estava procurando uma pela de roupa. Sim, roupa. Não, eu não ia aderir à moda hipster. Eu estava interessado em achar algo ridiculamente barato que parecesse vagamente com os trajes da Butcher's Daughter, já que preparava o terreno para ela ser "encontrada" depois de seus dois meses de ausência. Não achei nada que não tivesse estampas floridas. Voltei de mãos vazias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho de volta, além de ver o vídeo de &lt;strong&gt;Dinh Q. Le&lt;/strong&gt;, resolvi dar uma passada por Old Street. Eu estivera por lá pela primeira vez antes da viagem para a Romênia, em um tour guiado pelo bairro para ver o grafite dos artistas locais. Lá, tinha encontrado duas obras de grafiteiros conterrâneos: um grafite enorme do &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/zezao/" target="_blank"&gt;Zezão&lt;/a&gt; e outro do Milo Tchais. E tinha ficado com essa idéia fixa na cabeça de que, se minha açogueira ruiva tinha fugido dos cartões, ela deveria aparecer lá, nas ruas de Londres, perdida e misteriosamente atraída por esses grafites. Mas como executar a idéia? &lt;br /&gt;O local em questão era um terreno vazio, servindo de estacionamento até o último dia de Maio, quando seria fechado para medições e a construção de um hotel. Eu estivera rondando aquele local por semanas, esperando uma chance. As leis em Londres contra o grafite são severas, e as câmeras de vigilância, presentes em todos os lugares, me intimidaram bastante. Ficava imaginando que ter problemas com a lei sendo um estrangeiro não seria boa idéia... &lt;br /&gt;Mas naquele sábado, encontrei o local aberto. &lt;br /&gt;Um par de trabalhadores russos construia um pequeno chalé em um dos cantos do terreno. Não souberam me dizer quem era responsável pelo local. Sem esmorecer, corri para a faculdade para pegar meu material. Eu tinha feito uma pintura da minha personagem em jornal: o plano era fazer um "paste up", colando o jornal na parede como lambe-lambe e passando uma camada de cola por cima para proteger das intempéries. &lt;br /&gt;Mas quando voltei, os portões estavam fechados novamente... &lt;br /&gt;Quase desisti de todo o negócio. Aquele era o último fim de semana para aquilo. Mas então, vi a porta da galeria ao lado aberta. Qual não foi minha surpresa ao perceber que se tratava de uma galeria onde uma colega tcheca estava expondo um de seus trabalhos em uma exposição em grupo! O assunto me ajudou a ganhar crédito com os donos da galeria, que eram de fato os responsáveis atuais pelo local ao lado. &lt;br /&gt;O dono da galeria, o também tcheco &lt;strong&gt;Yarda&lt;/strong&gt;, deu uma olhada no meu jornal e nas imagens da Butcher's Daughter na internet, e não hesitou em me dar permissão não só para colar o jornal, como para pintar a personagem diretamente na parede, se eu quisesse. Se eu quisesse? Claro que queria!http://www.blogger.com/img/blank.gif&lt;br /&gt;Assim que, na terça seguinte, voltei para o local com os materiais apropriados e passei o dia trabalhando. E na noite de quarta, anunciei ao Facebook que eu tinha encontrado minha pequena e truculenta ruiva, perdida e desorientada, em um terreno vazio em Londres! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Delirante, ela insistia que não era real nesta realidade.&lt;br /&gt;A cena deveria acontecer como seu eu, seu pai, a tivesse encontrado e a estivesse levando para casa. Mas eu era de fato seu pai? Eu jamais trabalhara em açougues e o pai para quem ela escrevia sempre fora outro além de mim na minha compreensão dos cartões postais. No mais, ela também era meu alter ego feminino. Eu era o criador, pai, e ao mesmo tempo a existência paralela dela."&lt;/em&gt; [do &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/06/butchers-daughter-found-at-foundry.html" target="_blank"&gt;blog profissional&lt;/a&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6796945040662080411?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6796945040662080411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6796945040662080411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6796945040662080411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6796945040662080411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#6796945040662080411' title='Brick Lane e a volta da garota desaparecida'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2835554137162495175</id><published>2011-06-04T19:16:00.001-03:00</published><updated>2011-06-04T19:17:14.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Dinh Q. Lê e as mazelas de pai pra filho</title><content type='html'>No sábado passado, fui até a &lt;a href="http://www.whitechapelgallery.org/exhibitions/elodie-pong-ergin-cavusoglu-dinh-q-le" target="_blank"&gt;Whitechapel Gallery&lt;/a&gt; assistir ao vídeo de do artista vietnamita &lt;strong&gt;Dinh Q. Le&lt;/strong&gt;. O vídeo, separando a tela ao meio, uma delas passando cenas do ator &lt;strong&gt;Charlie Sheen&lt;/strong&gt; no filme &lt;em&gt;Platoon&lt;/em&gt;, e a outra com cenas de seu pai, &lt;strong&gt;Martin Sheen&lt;/strong&gt; em &lt;em&gt;Apocalypse Now&lt;/em&gt;. A montagem de &lt;strong&gt;Le&lt;/strong&gt; era muito interessante. O começo tinha um filho olhando com um misto de preocupação e confusão para a tela ao lado (originalmente olhando para o horizonte no filme), onde o pai, isolado em um quarto de hotel, enlouquecia lentamente, lidando com os efeitos psicológicos do pós-guerra. O filho então vai seguir os passos do pai, anacronicamente participando até da mesma guerra. Há até um brevedueto de cenas em que o pai pergunta ao filho por que ele entrou para o exército, e o filho responde que seu pai e avô tinham lutado pelo país e ele queria fazer o mesmo, ao que o pai responde que com certeza ele não ia aprender nada sobre si mesmo trabalhan do em alguma fábrica no interior dos EUA. Pai e filho estão presos, escravizados por uma lógica circular que se reproduz de geração para geração, e que os faz vítimas seduzidas de uma violência que sequer lhes diz respeito e um horror que eles enfrentam com medo e deleite. As cenas emblemáticas se repetem em ambos os filmes, com pai e filho atravessando um tipo de rito de passagem para a masculinidade adulta que exige que eles matem seus superiores. A montagem termina com uma inversão, onde o pai olha com um misto de preocupação e culpa para um filho que lida à sua maneira com o lento enlouquecer dos traumas de guerra, seu espírito paradoxalmente quebrado e fortificado pelo horror que ele procurou voluntariamente (?) seguindo os passos do pai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto são contingências que parecem se encaixar perfeitamente. O fato do artista ser vietnamita faz da obra algo um pouco menos americanófilo. E os recentes escândalos envolvendo &lt;strong&gt;Sheen Filho&lt;/strong&gt; parecem incrementar ainda mais a imagem do moleque que aprendeu da influência patológica de um pai que provavelmente também aprendeu da influência patológica de um avô (e assim sucessivamente...).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2835554137162495175?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2835554137162495175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2835554137162495175&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2835554137162495175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2835554137162495175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#2835554137162495175' title='Dinh Q. Lê e as mazelas de pai pra filho'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2255775388968073267</id><published>2011-05-31T17:39:00.002-03:00</published><updated>2011-05-31T17:44:03.461-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Video'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Vídeo 2</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;object width="853" height="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vuveB6JMn4Y?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vuveB6JMn4Y?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="853" height="510" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legendas disponíveis! Procure o "CC".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referente aos textos: [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#2047533468927455891" target="_blank"&gt;Lost in Brasov&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#1740494326790403799" target="_blank"&gt;Brasov by day&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#301890610136207124" target="_blank"&gt;Bran castle&lt;/a&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2255775388968073267?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2255775388968073267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2255775388968073267&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2255775388968073267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2255775388968073267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2255775388968073267' title='Visiting Vlad - Vídeo 2'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8687610575455469360</id><published>2011-05-30T18:17:00.001-03:00</published><updated>2011-06-08T22:10:20.301-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Retorno à Ordem</title><content type='html'>Já faz algum tempo que meus posts por aqui têm rareado. Desde depois que voltei da Romênia. Aliás, editando os vídeos da viagem, a memória já começa a ganhar aquele tom de incerteza, como seu eu tivesse sonhado que estive por lá. Não acredito. Foi uma imersão na minha fantasia de infância, e o gosto foi muito bom. Mas estou digredindo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho escrito muito, porque as semanas desde logo antes da viagem começaram a me dar aqueles sinais de que eu estava mergulhando em outra daquelas épocas de caos visceral que me acontecem de tempos em tempos. Eu cedo aos impulsos mais viscerais e vou cometer loucuras, ou pensar sobre os assuntos que eu censuro nas épocas de ordem. E andei pensando muito mesmo. Sobre os traumas de adolescência e o porquê de eu estar tão obcecado com questões de gênero. Andei cometendo as pequenas loucuras relativas a isso tudo, raspando não só o cabelo e a barba para conversar com um eu mais antigo e mais feminino. Andei me disciplinando a não roer as unhas como sempre faço para vê-las crescer e ponderar a utilidade e a beleza/estranheza de unhas longas em homens. E como sempre, nesse meu reinventar-me que geralmente me faz meio peculiar, fui ficando um pouco mais isolado, um pouco mais anti-social. Ensimesmado. Como um psicopata que sabe que deve esconder o crime que cometeu, mas ainda deleita-se nele. Andei me deleitando com uma androginia malformada, vampírica como o conde do &lt;strong&gt;Murnau&lt;/strong&gt;, confortável e sedutora. Mas que ao mesmo tempo tinha meus colegas perguntando detalhes ou passando reto sem me reconhecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando o caos vem, ele toma conta de tudo. Há alguns dias, acordei e me dei conta da situação. Meu banheiro tinha mais pelos no chão do que eu. O quadro de cortiça onde eu andava organizando idéias do mestrado era uma coleção de começos sem desenvolvimento. O blog tinha vários posts atrasados enquanto eu tentava editar o vídeo de &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt; raspando-me a cabeça, para manter a surpresa. Eu já não estava conseguindo coordenar as tarefas domésticas como antes. As unhas causavam mais erros no digitar das traduções (embora fossem fantásticas para descascar laranjas...). &lt;br /&gt;Mas acho que nada disso me incomodava assim tremendamente. O que andava me roendo era o modo como minha produção de arte para o mestrado tinha se tornado tão experimental, mas tão experimental, que dissolvera-se em nada. Tornara-se um viver, uma mudança nos modos de vida. Mas além de mim mesmo, eu não tinha mais nada para mostrar. Nada para inscrever nas exposições, para mostrar aos tutores. O caos, como sempre, trouxera gosto à vida, mas um gosto que era saboreado no presente, sem memórias para virarem passado, e sem planos para o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a perceber uma vontade de organizar as minhas coisas, de traçar planos factíveis, metas. Vontade de voltar a pintar para ter um produto apresentável. Vontade de aproveitar o aprendizado dessa época de me reinventar para consolidar algumas coisas e abandonar outros experimentos que não tinham levado a nada. Engraçado, eu nunca tinha documentado meus retornos à ordem. Sempre escrevi por aqui das épocas em que eu cansava da vida regrada e descia essa espiral do caos. Mas nunca tinha marcado os momentos em que eu caía em mim e percebia que o caos não estava mais rendendo. Esses momentos de nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8687610575455469360?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8687610575455469360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8687610575455469360&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8687610575455469360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8687610575455469360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#8687610575455469360' title='Retorno à Ordem'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2183236131595846696</id><published>2011-05-29T12:39:00.002-03:00</published><updated>2011-05-29T12:47:13.174-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Agradecimento</title><content type='html'>Nota rápida enquanto tento lidar com as trezentas urgências que estão acontecendo ultimamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre elas, o catálogo da exposição final da turma. Quando não fui eleito para ser o &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_10_01_archive.html#8221869132684248368" target="_blank"&gt;representante de classe&lt;/a&gt; da turma de mestrado, resolvi ainda me envolver com os assuntos gerenciais da turma. Meio como forma de compensar a minha apatia nos anos da graduação. Acabei coordenando a produção do catálogo, já que eu tinha experiência (não muita...) no mercado editorial e de design. &lt;br /&gt;Ultimamente dei o aviso para começar a coletar informações da turma, para que todos me mandassem seus dados iniciais. Tenho recebido muitos e-mails com os dados que vêm com mensagens da turma, agradecendo-me imensamente por estar fazendo isso. Fico feliz, muito feliz, e me sinto importante. Me sinto um pouco menos "estrangeiro ignorante". Mais do que isso, é um aprendizado: preciso aprender a ser mais agradecido com as pessoas que ajudam como eu estou fazendo agora. Um simples "obrigado, o que você está fazendo significa muito para mim" já faz toda a diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2183236131595846696?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2183236131595846696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2183236131595846696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2183236131595846696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2183236131595846696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2183236131595846696' title='Agradecimento'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2152067320982335043</id><published>2011-05-24T07:19:00.003-03:00</published><updated>2011-05-25T05:36:43.327-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trabalho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dudi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Mercado vs Academia</title><content type='html'>Ontem assisti a uma palestra interessante por aqui. &lt;br /&gt;Uma pesquisadora PhD falou um pouco sobre a carreira de artes, de um modo bem direito e sem rodeios ou romantismos. Deu dicas de como se aproximas dos galeristas e colecionadores, do que inspira segurança nesses possíveis investidores e como começar a carreira depois da formatura (a palestra, aliás, era dirigida aos alunos de graduação, mas alguns de nós mestrandos soubemos e achamos interessante). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei muito boa a iniciativa. Eu sinto falta desse tipo de palestra na carreira de artes. E aliás, quando saí da publicidade para tentar levar a sério as artes, pensei em dar esses conselhos por aqui, se eu os descobrisse. Até cheguei a falar de &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2008_12_01_archive.html#2789576880401791538" target="_blank"&gt;algumas coisas&lt;/a&gt;. A palestra de ontem teve vários desses insights, mas eu queria falar de um dos mais relevantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa pesquisadora mencionou que colecionadores e galeristas gostam de uma certa estabilidade na produção. Até aí, a idéia de que quantidade faz mais carreira do que qualidade não é nada novo. Já comentei sobre ela, e acho relevante principalmente em uma época onde as artes admitem o pastiche, a coisa feita &lt;em&gt;nas coxas&lt;/em&gt; e a "apropriação" como estratégias criativas. Mas ela comentou sobre outra estabilidade, a da escolha de mídia. Disse que investidores gostam quando o artista tem uma série coesa de pinturas, por exemplo. Ou que tenha feito fotos desde que saiu da faculdade. Dá uma certa insegurança neles quando o artista faz algumas pinturas, um punhado de performances, uns quantos vídeos e se interessa por instalações [Oi? Falando comigo?]. Faz sentido: investir num artista desses é comprar gato por lebre. Se você, galerista, sabe que seus colecionadores de estimação adoram pintura mas não sabem o que fazer com uma performance, você tem que investir especificamente em pintores. Não nos ditos "artistas multi-mídia". &lt;br /&gt;Daí tem o outro lado, o da academia. Uma instituição de ensino das artes não vai te dar esse fato assim, de mão beijada, porque ela corre o risco de você abandonar qualquer reflexão pessoal e experimentação, que gerariam bom conteúdo acadêmico, para correr atrás dos "ítens da lista" das galerias. Correm o risco de seus alunos acabarem montando uma linha de produção de obras todas iguais (que na verdade, depois de alguma pesquisa e desenvolvimento, é exatamente o que as galerias querem). Não, a academia vai te dizer outra coisa: "experimente, tente o que você nunca fez antes". Foi exatamente o que eu ouvi em Chelsea. E é um bom conselho. Foi um bom conselho. Mas cá entre nós, não desenvolve carreira (exceto, claro, a acadêmica). Lembra-me um pouco o jeito que o &lt;strong&gt;Dudi Maia Rosa&lt;/strong&gt; tinha de evitar o assunto do mercado sempre que eu lhe perguntava sobre a carreira: dizia que isso não é importante, eu que não devia pensar nisso, devia pensar na pintura. Concordo até certo ponto, mas além desse ponto, acho tudo meio romantismos artísticos totalmente não-pragmáticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dos fatos, estou em uma encruzilhada. Um caminho é desenvolver uma produção constante do que eu sei fazer (pinturas, muitas, com uma identidade comum entre elas, como a &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20TBC" target="_blank"&gt;série do TBC&lt;/a&gt;), para tentar seduzir galerias e colecionadores. O outro é continuar a experimentação e o desenvolvimento de dissertações sobre um tema, independente da produção artística. Ambos tem seus poréns. Eu até posso desenvovler uma série extensa de pinturas, mas não sei fazer a política necessária para as galerias. Eu também posso continuar pesquisando as questões masculistas e escrevendo a respeito (aliás, a área onde eu tenho me saído melhor por aqui), mas para isso ainda preciso descobrir qual é a minha pergunta, o que eu estou querendo saber com a pesquisa. E eu sinto que eu na verdade não estou "querendo saber" nada, apenas procurando um jeito de me sentir bem sendo homem e lidar com os traumas do passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ideal, suponho, seria descobrir um meio termo saudável. Me ego pensando, daquele jeito frio que eu faço às vezes, em planejar o ano que vem para passar seis meses dando ênfase napesquisa e seis meses dando ênfase na produção. Claro que com instâncias de um no outro. Tudo para mim é equilíbrio. E não é à toa que o símbolo de Yin-Yang tem um ponto de cada cor dentro da outra. &lt;br /&gt;Mas sei que, como consequência, andei pensando em voltar à pintura para ter material pra trazer de volta quando o curso acabar. Ontem, no fim do dia, limpei minha parede do estúdio e preguei alguns tantos papéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenhei furiosamente até fecharem a faculdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2152067320982335043?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2152067320982335043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2152067320982335043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2152067320982335043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2152067320982335043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2152067320982335043' title='Mercado vs Academia'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2018677592804163096</id><published>2011-05-23T16:39:00.001-03:00</published><updated>2011-05-25T21:25:38.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Loosing it</title><content type='html'>Parece engraçado que eu tenha começado a me deprimir por aqui justo agora que a primavera chegou. Tinham me acautelado sobre os males do inverno londrino no humor de indivíduos solitários, mas confesso que passei o inverno muito bem, rodeado de livros, arte e as minhas pequenas manias. Mas agora que tudo está explodindo em flores e os belos ingleses estão todos cochilando nos amplos gramados dos parques, eu estou começando a sentir o puxar da tristeza e do vazio. As razões são várias, embora eu já tenha aprendido a não tentar explicar sentimentos com razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos por âmbitos. &lt;br /&gt;No âmbito profissional, enquanto vejo alguns colegas entrarem em algumas exposições, eu continuo sendo negado. Não consegui até agora nada além de exposições sem curadoria. Eu começo a me convencer da minha mediocridade na carreira das artes, pois embora eu consiga maravilhar ou ao menos entreter amigos e parentes, eu ainda estou fora da esfera profissional. Não importa quantos diplomas de quais universidades eu tenha. Falta-me o tato social, a política, e falta-me até mesmo um quê a mais na minha arte. Devo admitir no entanto que esse golpe de realidade tem seus benefícios: liberado desses delírios de grandeza, eu fico mais à vontade para procurar o retorno financeiro puro e simples. Penso em voltar ao Brasil, porque ao menos lá eu já aprendi, nos dois anos que se passaram desde que abandonei a publicidade, a ganhar dinheiro de verdade, o suficiente para ir além do sustento e me permitir alguns luxos. E a perspectiva de usar o mestrado para tornar-me professor na escola onde estudei me parece, embora não tão excitante, ao menos segura e satisfatória. Estou cansando da minha própria soberba, de acreditar em mim mesmo mas não ver ninguém mais no mercado acreditando. &lt;br /&gt;No âmbito pessoal, além da óbvia falta da minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt;, sinto a falta de amigos. Caminho pelos gramados dos parques forrados de ingleses fazendo pic nic no sol e tento absorver um pouco desse sentimento gregário, dessa felicidade primaveril. Mas tudo parece auto-enganação quando eu mesmo estou só. Eu poderia chamar meus colegas de mestrado. Ou um ou outro conhecido de fora da faculdade. Eu sempre aconselhei meus amigos no Brasil a procurarem companhia em vez de esperarem ser procurados. Falta-me fazer isso. Mas mesmo quando estou com essas pessoas aqui, como nas idas ao parque que fizemos nas últimas semanas do mestrado antes desse recesso, sinto-me inadequado, desconfortável. Um estrangeiro sem modos, ignorante e inculto. Sinto que não sei o que se passa ao meu redor durante boa parte do tempo. Será que eu sentia isso também no meu país, com os meus amigos? Acho que um pouco. E se é o caso, vejo-me fadado a uma existência complicada, entre o precisar de companhia para aproveitar melhor a vida, e precisar da solidão quando passo a me sentir inadequado assim. Neste exato momento, eu queria que me convidassem para sair. &lt;br /&gt;Adicionando a esta nota, meus companheiros de apê já aprenderam que existe um abismo entre nós, formado pela diferença de idade, maturidade e cultura. Eu sou o tio estrangeiro com mania de organização e limpeza, que não se droga e pouco bebe. Uma daquelas figuras nerds e anti-sociais, nada interessantes. Eles não têm por que me chamar pra sair. Mais importante, eu não tenho porque aceitar...&lt;br /&gt;No âmbito doméstico, eu vejo a prisão que montei ao meu redor, de rotina e assepsia. Era muito divertido e gratificante no começo da minha estadia aqui ter um quarto totalmente sob meu controle, uma rotina semanal muito eficiente, e uma situação de afazeres simplificada pelo fato de eu estar meio que "começando do zero" aqui em Londres. Mas o tempo passou, aquelas pequenas trivialidades inúteis (papéis, cupons de lojas de arte, notas de jornal sobre lugares a visitar, anotações de livros a procurar) foram empilhando no canto de afazeres da mesa e a faculdade me apresentou uma miríade de coisas que eu gostaria de fazer. Organizar tudo isso de forma coerente tem me estressado e sinto estar perdendo o controle das coisas. Por outro lado, sinto que às vezes estou levando esse controle mais a sério do que a necessidade de viver a vida. Me contendo para manter o controle. Sinto ainda que uma parte de mim está resistindo ao impulso de simplesmente deixar tudo explodir e perder o controle, que seria o conselho natural que eu receberia de metade de vocês leitores, porque eu estou rodeado de pessoas no apê que não têm controle algum. E eu desprezo imensamente as consequências dessa atitude com as quais eu tenho que lidar todos os dias: a comida estragada, a cozinha entulhada de panelas e pratos, os utensilhos faltando, as reclamações do proprietário do apê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estejam atentos: a qualquer momento, isso tudo vai explodir em alguma atitude extrema. Mas não se preocupem, eu sei me manter seguro e saudável. Vai ser apenas um pouco mais... estranho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2018677592804163096?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2018677592804163096/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2018677592804163096&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2018677592804163096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2018677592804163096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#2018677592804163096' title='Loosing it'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-687700980736940456</id><published>2011-05-18T08:34:00.003-03:00</published><updated>2011-05-18T12:40:41.864-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Let's do the Time Warp again!</title><content type='html'>O que primeiro me chamou a atenção para o &lt;em&gt;Rocky Horror Picture Show&lt;/em&gt; foi &lt;strong&gt;Tim Curry&lt;/strong&gt; vestido como o &lt;a href="http://www.trailershut.com/actor-images/tim-curry-5388.jpg" target="_blank"&gt;Doutor Frank-N-Furter&lt;/a&gt; (uma brincadeira entre Frankenstein e o nome das salsichas alemãs). Calçando plataformas brilhantes, meia arrastão e cinta-liga, um corpete não muito justo e luvas. Usando sombra e delineador carregadíssimos e uma boca infernalmente vermelha e brilhante. Cabelos cacheados em profusão. Chamou-me a atenção, porque eu estava mais acostumado com &lt;a href="http://www.imdb.com/name/nm0000347/" target="_blank"&gt;este&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Tim Curry&lt;/strong&gt;, mais recheado, barbudo e... bem... velho. Esse fascínio inicial não passou daí, e fiquei mais interessado em saber que ele tabém interpretara o &lt;a href="http://goremaster.com/blog/wp-content/uploads/2010/04/tim-curry-legend.jpg" target="_blank"&gt;vilão&lt;/a&gt; do filme &lt;em&gt;Legend&lt;/em&gt; e o palhaço &lt;a href="http://goremaster.com/blog/wp-content/uploads/2010/04/Tim_Curry_Pennylamp.jpg" target="_blank"&gt;Pennywise&lt;/a&gt; em &lt;em&gt;It&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois de algum tempo, voltei a encontrar o filme pela internet e fiquei fascinado com outras coisas. Inicialmente pelas personagens femininas, como a pequena e graciosa (embora muito provocante) &lt;a href="http://farm1.static.flickr.com/76/227871543_601b42bfc6.jpg" target="_blank"&gt;Columbia&lt;/a&gt; e a empregada &lt;a href="http://www.alicia-logic.com/capsimages/rhps_025MagentaTimeWarp.jpg" target="_blank"&gt;Magenta&lt;/a&gt;, surtada, cheia de caras, bocas e muita malícia. Uma procura na vasta coleção das bibliotecas da faculdade me trouxe uma fita VHS, que passei boas horas assistindo (para fins de pesquisa, claro... XD)junto com documentários do filme que virou um fenômeno cult. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, mais de uma semana depois, não consegui tirar algumas das músicas da cabeça, que ficam passando em loop contíno do momento em que acordo até a hora de deitar. Sinal do impacto que causou em mim. &lt;br /&gt;E acho que boa parte do impacto se deve novamente ao personagem de &lt;strong&gt;Tim Curry&lt;/strong&gt;. Frank-N-Furter é um travesti, coisa que ele anuncia abertamente em um dos melhores &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bc80tFJpTuo" target="_blank"&gt;números musicais&lt;/a&gt; do filme (meu outro favorito, por apresentar as duas moças, é o ótimo &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=6827163268088648679#" target="_blank"&gt;Time Warp&lt;/a&gt;). Durante a história toda, o personagem parece incitar os protagonistas a cederem aos seus impulsos, coisa que eles evitam em nome das morais e bons costumes (sério que ninguém mais pensou na trama do &lt;em&gt;Drácula&lt;/em&gt;!?). Ele seduz tanto o mocinho quanto a mocinha, sem pudores ou distinção. Muito me interessou o caráter libertário e libertador do personagem. Afinal, ele já está aparecendo de cinta-liga e corpete. Sexualidade realmente não é um assunto que o incomoda e ele claramente não vê seus aspectos femininos como coisas a serem escondidas ou abafadas. E no entanto, ele continua sendo repleto de caractereisticas masculinas, sexualmente ativo, dominador, relativamente violento e um dos mais poderosos personagens da trama. Não sei se mencionei por aqui, mas eu tinha lido livros sobre psicologia que postulavam que a identidade masculina era criada em um processo de negação do feminino (ou seja, o masculino é o não-feminino, então o feminino se mantém como a referência absoluta, inteira, concreta, e o masculino deriva dela - ainda preciso postar minha dissertação em algum lugar). Daí a maioria dos homens negarem e suprimirem seus lados femininos. Com o Doutor F, a coisa era diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a única coisa que encontro na internet relacionada ao filme são montagens de foto e reinterpretações em teatro (e até em um episódio de Glee). Mas nada se compara ao filme original. Aluguem, mesmo que vocês detestem. Vale a pena só pela referência cult. &lt;br /&gt;[Depois vejam o documentário dos Dzi Croquettes, que eu ainda não vi...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-687700980736940456?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/687700980736940456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=687700980736940456&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/687700980736940456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/687700980736940456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#687700980736940456' title='Let&apos;s do the Time Warp again!'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-515226149700611352</id><published>2011-05-18T06:45:00.006-03:00</published><updated>2011-06-08T22:07:26.641-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Avaliação com as duas Dawns</title><content type='html'>Novamente, avaliações. &lt;br /&gt;Então novamente, volto a escrever aqui para tentar desafogar minha mente lotada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu temi esta avaliação. Tinham anunciado que, depois da avaliação teórica com o professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt;, cada um de nós receberia a visita do professor &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt; e do primeiro tutor, para avaliar como a parte prática tinha evoluído desde o começo. Isso significava rever &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;Eu tinha sensações confusas a respeito desse reencontro. Porque embora ela fosse responsável pela maior violência sofrida até agora em relação ao meu trabalho, ela era também meu maior desafio. E se eu conseguisse sua aprovação, voltaria a acreditar no trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me convenci de que não tenho como me organizar para esses encontros. Meu discurso era caótico, indo e voltando na cronologia, procurando vídeos no computador, cartões postais na minha mesa, etc. Eu tinha até preparado uma porção de brigadeiros para durante a sessão (querendo tirar deles aquela sensação de espanto ao ver um homem oferecendo doces caseiros feitos por ele), que completamente esqueci de oferecer. &lt;br /&gt;Falei do processo que tinha sido tudo até aqui. De ter botado a pintura de lado em favor de algo menos historicamente machista, de ter descoberto as performances, de ter descoberto através delas o contato direto com o público e a arte como realidade. Contei as tramas paralelas: a publicação semanal dos cartões postais da &lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt; até ela fugir em Março, simbolizando a fusão de personas masculina e feminina, o consequente interesse por bandas de rock que faziam essa fusão sem perder a heterossexualidade, a viagem para a Romênia e a releitura de &lt;em&gt;Drácula&lt;/em&gt; como uma história sobre sexualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; escutou durante metade do tempo, imóvel e sem reação, repentinamente interrompendo-me para interjeitar. Disse-me que eu estava falando dos aspectos pessoas com muito mais confiança e sabendo claramente da minha trajetória. No entanto ela ainda não conseguia entender aonde eu estava indo com isso. O problema todo era que eu estava sendo muito confuso ao explicar o meu trabalho, e ela era ainda mais confusa ao articular as suas dúvidas. Eu não conseguia entender onde estava o problema. O que ela não estava entendendo? Era uma conversa de surdo e mudo.&lt;br /&gt;No entanto, ela mencionou uma ou outra coisa que fez muito sentido (como sempre). &lt;br /&gt;Ela referiu-se àquele momento da avaliação como sendo em si uma performance. De fato, eu surpreendera-os com a cabeça raspada, um outro jeito de me vestir e me movimentar que era um pouco mais distante do &lt;em&gt;dandy&lt;/em&gt; que incomodara &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; (ambas as &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#6281429748482619275" target="_blank"&gt;Dawns&lt;/a&gt;...). E eu estava fazendo isso tudo em parte porque eu sabia as pessoas com as quais eu estava lidando. Embora isso insinuasse que eu estava sendo relativamente falso, na verdade me fez pensar: será que eu não passara a &lt;em&gt;performar&lt;/em&gt; constantemente? Será que eu não estava vestindo um (ou mais) personagem(ens) desde que chegara em Londres? &lt;br /&gt;Mais relevante: será que eu não estivera &lt;em&gt;performando&lt;/em&gt; há mais tempo do que isso? &lt;br /&gt;Ainda mais relevante: o que seria então o "agir como eu mesmo"? O que eu estava escondendo (de mim mesmo)? &lt;br /&gt;Pra dizer a verdade, eu achava que, embora a minha vida adquirisse um certo aspecto performático nos meses recentes, no cuidado maior ao vestir-me e apresentar-me ao mundo fora do quarto, eu também estava sentindo mais liberdade para deixar de lado trejeitos e modos com os quais eu não concordava e assumir de vez outros. Aquele modo de cruzar as pernas contra o qual alguns homens se policiam violentamente, por exemplo. &lt;br /&gt;Talvez eu estivesse deixando de lado a persona que tentava ser "normal" (a minha concepção de normal, pelo menos) e abraçando com mais fervor um verdadeiro eu, que por acaso era mais performático e menos contido como eu me condicionara a ser. &lt;br /&gt;Talvez eu simplesmente estivesse num limbo, sem saber de fato como ou o que ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe relevante que &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; mencionou foi o conceito de "vítima" e "vitimizador". Achei um modo gostoso de falar de algo que de fato era a motivalçao principal do meu trabalho. Por causa de traumas de infância e adolescência, eu me sentia vitimizado (ou me vitimizava, há uma diferença), e transformava algumas personagens femininas da minha vida em principais vitimizadoras. E desde então, a vida toda fora uma tentativa de me fortalecer para algum dia deixar de me sentir vítima. Essa dinâmica, eu percebia agora, estava presente em tudo. Obviamente nos quadros de mulheres enormes sendo cobiçadas por garotos impúberes. No momento inicial do mestrado, de tentar justificar e honrar o sexo masculino. Na criação de alter egos femininos extremamente violentos e fisicamente invulneráveis como a &lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt; ou Alice. Na busca pela femininização como forma de anular uma masculinidade vulnerável. &lt;br /&gt;O quanto disso era paranóia? Ainda pensarei muito nisso... &lt;br /&gt;Nessa nota, vale mencionar que entendi porque &lt;strong&gt;John Cussans&lt;/strong&gt; mencionara o artista &lt;strong&gt;Mark Hogencamp&lt;/strong&gt; na outra avaliação. &lt;strong&gt;Hogencamp&lt;/strong&gt; tinha sido um soldado, treinado para combate. No entanto, foi surpreendido e atacado um dia, voltando para casa. Os marginais o espancaram e ele passou algum tempo hospitalizado, tendo perdido a memória de sua vida anterior como consequência dos danos cerebrais sofridos. Como forma de "terapia", ele criou &lt;em&gt;Marwencol&lt;/em&gt;, uma miniatura de cidade fictícia da Segunda Guerra Mundial, populando-a com bonecos que representavam a ele, seus amigos e até os marginais que o atacaram. A manipulação dos bonecos para produzir suas fotografias supostamente ajudou o artista a recuperar os movimentos, enquanto que as batalhas imaginadas na cidade o ajudaram a superar o trauma mental. Entendo agora que o professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; estava me mostrando outra história de superação da vitimização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinado ponto, depois de eu ter mencionado que estava interessado nas diferenças entre a América e Londres, &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; me perguntou qual era a relevância de fazer um trabalho assim em um lugar que era mais aberto a esse tipo de comportamento andrógino. Respondi que Londres era meu campo de teste. O caráter mais permissivo da cultura daqui, onde ninguém falava nada independente do que você usasse nas ruas, me permitia testar onde estavam os meus próprios limites. Depois eu avaliaria o que levar para a cultura do meu país, e que coragem eu teria para enfrentar parentes, amigos e sociedade com essas escolhas ("enfrentar", novamente a vítima...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; apenas balizava a discussão, tentando extrair sentido da confusão de &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; e guiando a minha apresentação caótica. Mas encerrou o nosso horário colocando que talvez eu ainda estivesse em um momento no processo onde eu não conseguia ver o "big picture". Uma euforia de produção que eu conhecia bem, onde o mais recente é sempre considerado o melhor trabalho, mas talvez não o seja. Deixou-me imaginando que talvez mais adiante, quando eu tiver passado esta época mais destrutiva e visceral, eu possa olhar para trás e julgar, entre alter egos postais, transferências fálicas, performances debochadas, nudez noturna e calvície andrógina, para entender o que de tudo isso pode ser considerado um "bom trabalho" que vale a pena ser continuado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-515226149700611352?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/515226149700611352/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=515226149700611352&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/515226149700611352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/515226149700611352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#515226149700611352' title='Avaliação com as duas Dawns'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3002237413541972951</id><published>2011-05-16T13:55:00.005-03:00</published><updated>2011-06-08T22:00:14.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lexy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Who's gonna shave me?</title><content type='html'>Lembro de um dia o &lt;strong&gt;Dudi Maia Rosa&lt;/strong&gt; ter perguntado sobre o "design" da minha barba. Eu contei a história de como eu tinha decidido deixar crescer depois de ter visitado Trieste, na Itália, como símbolo da superação que tinha sido aquela viagem. Um símbolo pessoal do ingresso vida adulta. A decisão derivava da experiência de ter visto meu pai e seu bigode que durou quase vinte anos da minha vida, até que ele resolveu raspá-lo quando fez 50, talvez para sentir-se um pouco mais jovem. Eu tinha planos de fazer o mesmo, e simbolicamente “seguir os passos de meu pai”. Além do fator simbólico, havia todo um raciocínio escondido no desenho: as pontas que se projetavam das costeletas imitavam pontas que o meu cabelo fazia nos lados da testa, e que me lembravam uma coisa selvagem, presas de um animal (um leão?). Mas o acabamento cuidadoso suavizaria o caráter selgavem, deixando um equilíbrio entre o visceral e o controlado. Contei ainda que, desde que eu tinha cultivado a barba, as pessoas passaram a lembrar de mim, do meu rosto, que antes era comum demais e facilmente esquecido. Eu passei a ser alguém. &lt;strong&gt;Dudi&lt;/strong&gt; achava tudo aquilo fascinante. Como eu podia dar tanto significado àquilo e como eu tinha me dedicado a elaborar a minha imagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia no entanto um problema. A barba e bigode eram uma coisa inegavelmente masculina. E para o momento em que minha pesquisa de mestrado estava entrando, de busca de um equilíbrio entre o masculino e feminino, era uma incoerência complicada de justificar, e que tinha até sido apontada por alguns dos meus tutores (&lt;strong&gt;Steven Wilson&lt;/strong&gt; mencionara algo no nosso primeiro &lt;a href=”http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1968640229833618272” target=”_blank”&gt; tutorial&lt;/a&gt;). Então aproveitei para coordenar diversos projetos que eu queria fazer há tempos e que envolveriam a tirada da barba (e de boa parte dos outros pelos do corpo…). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das idéias veio, como meus tutores pediram, da minha convivência como estrangeiro em Londres. Há alguns meses conheci &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt;. Uma iraquiana muçulmana que tinha um jeito curioso de se vestir. Pois embora ela estivesse sempre com a cabeça coberta (na maioria das vezes por dois a três lenços), o resto das suas roupas eram truculentas, meio militares, coturnos e jaquetas de couro, calças militares cor de areia e tecidos camuflados. Ela parecia uma daquelas interpretações MUITO absurdas de culturas estrangeiras que às vezes despontam como heróis dos quadrinhos americanos. Nela, vi a mistura interessante do masculino e feminino. Comparando-a a uma outra garota gótica que vi na faculdade, com a cabeça totalmente raspada e vários piercings, comecei a pensar: &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt; precisaria cobrir a cabeça se raspasse o cabelo? Porque o motivo de cobrir a cabeça na religião muçulmana é o significado que se dá ao cabelo feminino.  Se ela raspasse a cabeça, como várias feministas faziam para interromper o prazer que o olhar masculino supostamente deriva do cabelo feminino, ela estaria abrindo mão de parte de sua identidade feminine, mas estaria livre dos lenços. E então pensei que, se eu raspasse a barba, estaria igualmente abrindo mão de parte da minha identidade masculina, possivelmente chegando mais próximo de um equilíbrio andrógino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria também a chance de testar outra coisa. &lt;br /&gt;Desde que eu chegara aqui, eu tinha feito fotos diárias de determinados lugares para documentar a passagem das quarto estações que eu nunca tinha visto no meu país. Passei a ficar muito interessado por essas fotos de passagem de tempo (uma idéia que já me ocorrera em relação a mulheres grávidas), e comecei a ter vontade de fazer uma séria com o crescimento dos pelos, barba e cabelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, tendo voltado da Romênia, eu decidi que um dos meus trabalhos de conclusão do mestrado amarraria todas essas experiências, e seria uma pintura enorme (depois de me aventurar nas performances, eu voltava para a pintura). Um auto-retrato meu como um vampiro. O intuito era me retratar como o aficionado por vampiros pelo qual muitos me conheciam, e ao mesmo tempo discursar sobre o caráter andrógino deles, além de deixar um registro da minha técnica de pintura a essa idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se havia um momento certo para fazer isso, era agora. Lembro de ter escrito a idéia das fotos de tempo em um dos meus cadernos, deixando uma nota de que eu deveria fazer isso em uma época em que eu não estivesse namorando e nem empregado, para não ter implicações sociais muito bruscas. Hoje acho que não teria problema algum com a &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; ou meus empregadores atuais, mas essa distância da viagem e o momento mais experimental do mestrado ajudaram a me dar aquela sensação de &lt;em&gt;agora ou nunca&lt;/em&gt;. Confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta passada, gravei o video com &lt;strong&gt;Neba&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;[VIDEO AINDA EM EDIÇÃO. EM BREVE POR AQUI.]&lt;br /&gt;Pretendo fazer outros videos como este, descontraídos porém fortes. De preferência, eles tomarão o lugar dos meus cartões postais semanais da &lt;em&gt;Butcher’s Daughter&lt;/em&gt;, que continua desaparecida desde que &lt;a href=”http://www.youtube.com/watch?v=T2WXkiYq_Zk” target=”_blank”&gt;fugiu&lt;/a&gt; dos cartões em Março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3002237413541972951?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3002237413541972951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3002237413541972951&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3002237413541972951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3002237413541972951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#3002237413541972951' title='Who&apos;s gonna shave me?'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-9033069928196459143</id><published>2011-05-11T07:38:00.004-03:00</published><updated>2011-05-11T08:26:37.766-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Avaliação com John Cussans</title><content type='html'>Depois de ter falado com o professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; sobre a minha monografia do mestrado, fui à biblioteca para escrever o que eu captei do encontro antes que tudo isso evaporasse da minha mente. Antes, deixei uma nota no Facebook: "Que delicioso jogo de prazer e dor está se tornando este mestrado!" &lt;br /&gt;De fato, os tutores, colegas e a faculdade inteira consegue me manter naquele estado maniaco-depressivo, em que eu não acredito em nada do que eu estou fazendo e estou prestes a desistir de tudo em um dia, e no dia seguinte sou convencido de que o que eu estou fazendo está indo muito bem salvo por pequenas alterações. Ou então recebo dicas de uma pessoa para evitar falar de determinado assunto, só para ouvir de outra pessoa que tal assunto é a parte mais significativa de todo o trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor mencionou que faltava no texto a motivação que me levara a entrar em toda a questão masculina. E eu lhe contei que, por causa do limite de 2000 palavras imposto nesta primeira versão, eu tinha cortado uma bela introdução que tinha ares do tipo de coisa que meus pais considerariam pessoal demais para expor (e que eu não me importaria em escrever - afinal, arte é uma questão extremamente pessoal). Naturalmente, quando lhe contei o que tinha escrito, ele disse que eu &lt;u&gt;precisava&lt;/u&gt; incluir aquilo no texto, porque era a mais relevante motivação que eu tinha para a pesquisa. &lt;br /&gt;Suponho que eu ainda precise escrever sobre essa questão por aqui. Sinto que lidar com ela tem sido como lidar com fantasmas de um passado antigo (tão antigo quanto a Colômbia), de valentões da escola e assédio. Mas talvez essa ainda seja uma das poucas questões que eu de fato ainda considero pessoal demais para contar em um blog na internet (uma raridade...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida entramos em território mais árido. Advertências contra generalizações (que estão se tornando fortuitamente mais raras), referências que eu não pesquisei antes de fazer afirmações categóricas, uma única frase perigosamente ambígua. E um comentário sobre a apresentação simples. &lt;br /&gt;Na verdade, este último refletia a confusão que as instruções dos tutores causaram em toda a turma. Estávamos convictos de que se tratava de um rascunho, tendo ouvido de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; que não precisávamos nos desesperar com essa avaliação preliminar, então ninguém caprichou na apresentação. A minha era minimalista, apenas o texto, as imagens todas agrupadas em duas páginas separadas no fim, para economizar na impressão colorida. Tudo "encadernado" por uma folha de papel mais grosso A3 dobrada ao meio, com meu logo do leão transferido com acetona na frente. Até mesmo a escolha de cortar a introdução e a conclusão para encaixar apenas o conteúdo dentro das fatídicas 2000 palavras tinha o descaso de um rascunho. &lt;br /&gt;No entanto, estávamos sendo avaliados como se aquilo fosse pra valer. Meu colega americano &lt;strong&gt;Jon Morgan&lt;/strong&gt; foi condendo a reescrever o seu trabalho em uma semana, por não estar dentro dos padrões acadêmicos. Vários outros alunos estavam recebendo críticas violentamente negativas também. &lt;br /&gt;Quando ouvi sobre o que acontecera com &lt;strong&gt;Jon&lt;/strong&gt; e os outros, fiquei com medo do que ouviria do professor. Mais medo talvez do que eu tinha da minha avaliação da semana seguinte com &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; de novo. Assim que fiquei muito surpreso quando o professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; me recebeu em um tom muito positivo, me mostrou referências bem relevantes como os trabalhos de &lt;strong&gt;Mark Hogencamp&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;John Jordan&lt;/strong&gt;, e mostrou mais compreensão em relação à fase atual do meu trabalho do que muita gente me oferecera na Europa até agora. &lt;br /&gt;Havia no entanto uma questão complicada a resolver. De acordo com a nossa conversa, eu estava indo muito bem na pesquisa acadêmica e no meu modo de apresentar a teoria. Mas faltava o centro da questão, a parte mais importante: qual era a minha pergunta, o que eu estava tentando descobrir? A simples questão inicial da minha monografia, "O que é um homem adulto hoje?", não era suficiente para padrões acadêmicos.&lt;br /&gt;Inconscientemente eu sabia qual era a questão. Havia uma vontade que me guiava, de me ver livre das suposições feitas a respeito dos homens. Eu queria encontrar um modo de ser onde eu não sentisse que ser um homem era uma fraqueza atacável. Mas como formular isso em uma pergunta acadêmica? Mais importante, como desenvolver uma metodologia para pesquisar isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-9033069928196459143?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/9033069928196459143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=9033069928196459143&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/9033069928196459143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/9033069928196459143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#9033069928196459143' title='Avaliação com John Cussans'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-7759096897779025172</id><published>2011-05-06T13:00:00.005-03:00</published><updated>2011-05-06T19:31:49.739-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>Vampire Top 5</title><content type='html'>Encerrando o meu período de Romênia, achei interessante sugerir os meus cinco filmes favoritos do gênero, que tenho assistido no Youtube e outros meios durante essa aventura toda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu quinto lugar vai para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NX8dcM1ONnI&amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;The Hunger&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; de &lt;strong&gt;Tony Scott&lt;/strong&gt;. Na verdade, fui atraído ao filme porque &lt;strong&gt;David Bowie&lt;/strong&gt; interpreta John Blaylock, um vampiro que, ao perceber os primeiros sinais de envelhecimento, se dá conta da traição centenária de sua amante interpretada por &lt;strong&gt;Catherine Deneuve&lt;/strong&gt;, que o transformou em vampiro prometendo que ele viveria para sempre. Gosto do filme mais pelo caráter estético, pelos vampiros contidos, sem caninos afiados, que se valem de medalhões com lâminas escondidas para tirar o sangue das vítimas. A trama dá a entender que a vampira interpretada por &lt;strong&gt;Deneuve&lt;/strong&gt; vive desde o antigo Egito, algo sobre o qual falarei mais adiante. Está presente no filme também uma &lt;strong&gt;Susan Sarandon&lt;/strong&gt; muito jovem, como uma possível candidata a substituta do personagem de &lt;strong&gt;Bowie&lt;/strong&gt;. A consequente relação lésbica entre as duas personagens dota o filme de uma discussão recorrente que muito me interessa, dos vampiros como criaturas que amam além das convenções de gênero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto lugar fica para o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LhKbHPeNwiY" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;The Addiction&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; do cultuado diretor de terror &lt;strong&gt;Abel Ferrara&lt;/strong&gt;. Em preto e branco, o filme conta a história de uma estudante de filosofia (&lt;strong&gt;Lily Taylor&lt;/strong&gt;) que dá o azar de esbarrar em uma vampira (a bela &lt;strong&gt;Anabella Sciorra&lt;/strong&gt;). O filme apresenta os vampiros não como personagens sexuais (e estereotipicamente promíscuos), mas como viciados por sangue como alguém se viciaria por drogas. De fato, o filme me foi apresentado por &lt;strong&gt;Mary&lt;/strong&gt; na Itália, uma estudante de filosofia que de fato passara anos viciada em heroína. O filme faz bom trabalho de ilustrar a decadência da personagem,  o gradual espalhar do vício em seu ciclo de conhecidos, síndromes de abstinência, overdoses e a superação do vício. Tudo regado a alta filosofia. Destaque para uma ótima cena interpretada por &lt;strong&gt;Christopher Walken&lt;/strong&gt; como um vampiro mais antigo, que discorre sobre controlar e apreciar o vício, em vez de deixar que ele o controle. Algo como de fato só tomar drogas socialmente, por diversão, e não porque o corpo precisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro lugar é ocupado pelo &lt;a href="http://www.tudou.com/programs/view/xOPgoRbF5hY/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Interview with the Vampire&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; de &lt;strong&gt;Neil Jordan&lt;/strong&gt;. O filme é bom, mas a série de livros é ótima. No filme, sinto que a estética dada aos vampiros é o que deveria ser: eles são belos e aparentemente perfeitos, mas sem aquele exagero gótico. A história consegue manter uma boa tensão no ar, e quando a violência finalmente explode, ela vem na medida certa tanto de impacto quanto de efeitos especiais. Mas o maior destaque que eu tenho que dar a esse filme é no fato de que a autora &lt;strong&gt;Anne Rice&lt;/strong&gt; dá o próximo passo na interpretação do vampiro como criatura sexual: a idéia de que eles se relacionam indiscriminadamente com homens e mulheres já estava presente em muitas obras, inclusive em &lt;em&gt;Dracula&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Carmilla&lt;/em&gt;, as obras seminais do gênero. Mas os vampiros de &lt;strong&gt;Rice&lt;/strong&gt;, além de não fazerem distinção de gênero, borram a distinção de idade (no relacionamento entre Louis e a garota Claudia) e parentesco (entre Lestat e sua mãe Gabrielle, nos livros). &lt;strong&gt;Rice&lt;/strong&gt; consegue assim atualizar a polêmica que sempre rondou essas criaturas. &lt;br /&gt;Os livros também traçam a origem dos vampiros ao Egito, como em &lt;em&gt;The Hunger&lt;/em&gt;, reconhecendo naquela uma cultura obcecada com o além-vida e a vida eterna. Eu no início torci o nariz para isso, estando doutrinado a ver o vampiro como uma figura européia, mas hoje reconheço a ligação e o potencial para uma história fabulosa, em uma terra onde o sol é quente e fatal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico na dúvida quanto ao segundo e primeiro lugares da lista. &lt;br /&gt;Um dos candidatos é o suéco &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=adCGapsqUNM" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Låt den rätte komma in&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; [&lt;em&gt;Deixe ela entrar&lt;/em&gt;] de &lt;strong&gt;Tomas Alfredson&lt;/strong&gt; (ainda não disponível na internet). Ele leva em conta vários dos temas que eu mencionei acima (o vampiro como criatura além dos gêneros, além das idades e além das necessidades humanas), mas o faz com incomparável poesia, tanto na beleza das imagens e cenários, quanto na crueza dos detalhes mais macabros. Evita vários dos clichês góticos já obsoletos e cria uma história que ao mesmo tempo me desespera e me seduz. Parte do meu interesse no filme vem de uma sensação de que talvez eu ainda não tenha entendido tudo a respeito dele, o que me seduz a ler o livro original, ver o filme de novo, talvez até passar na Suécia um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro candidato, obviamente, é o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bQrFmRGlDWw" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Bram Stoker's Dracula&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; do &lt;strong&gt;Francis Ford Coppola&lt;/strong&gt;. Neste caso, pelo motivo oposto: por tudo que eu pude compreender a respeito dele. &lt;br /&gt;O filme se apresenta commo uma adaptação do livro, e boa parte dele de fato faz isso. Porém, por ser um filme de Holywood, faz-se necessária a história de amor obrigatória. Então eles inventaram um romance extra-conjugal entre Mina Harker e o Conde que não está no livro original, onde o vampiro é tratado como intrinsecamente mau, vampirizando a mocinha enquanto ela dorme, por noites seguidas, sem que ela perceba. Tudo enquanto seu marido dorme ao seu lado. O que não deixa de ser, de certa forma, uma relação extra-conjugal mais simbólica. Antes disso, Lucy Westerna, passando pela transformação, recebe transfusões sanguíneas (fluídos corporais) de quatro homens saudáveis que tentam salva-la da morte. Outras alusões eróticas escandalosas para a era Vitoriana acontecem no decorrer do livro, mas este parece mais uma procissão de juras de amizade e amor entre os personagens humanos que se juntam para combater o Conde. Ele, por sua vez, aparece em um quinto do livro, tornando-se um personagem que atua nos bastidores, e cuja presença é comentada, mas raramente concretizada. &lt;br /&gt;Mas voltemos ao filme. &lt;strong&gt;Coppola&lt;/strong&gt; faz uma boa mistura de referências a coisas que aconteciam na época, com decoração remetente ao Art Nouveau, cenas (que novamente não aparecem no livro) homenageando os irmãos Lumiere e os primórdios do cinema e um bom gosto incrível para fazer efeitos especiais toscos virarem parte dessa homenagem ao remeterem aos antigos filmes de vampiro (&lt;strong&gt;Murnau&lt;/strong&gt; adoraria a sombra com vida própria...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, nem eu estou mais aguentando tanta obsessão com vampiros. Mas imagino que isso tudo, especialmente as questões de gênero relacionadas ao assunto, continuem a ser comentadas por aqui nos trabalhos que farei nas próximas semanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês que me aguentem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-7759096897779025172?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/7759096897779025172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=7759096897779025172&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7759096897779025172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7759096897779025172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_05_01_archive.html#7759096897779025172' title='Vampire Top 5'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-337128179594426046</id><published>2011-04-28T20:13:00.003-03:00</published><updated>2011-04-28T20:18:03.291-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Video'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Vídeo 1</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;object width="853" height="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GKpBBhDfC9c?fs=1&amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GKpBBhDfC9c?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="853" height="510" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referente aos textos: [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#7847747618567233557" target="_blank"&gt;Prologue&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#5270767029199196773" target="_blank"&gt;Romania&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#6945098025578839314" target="_blank"&gt;Arrival&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#8245744312947445064" target="_blank"&gt;A spell of anxiety&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#2719746432383689496" target="_blank"&gt;Sighisoara&lt;/a&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-337128179594426046?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/337128179594426046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=337128179594426046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/337128179594426046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/337128179594426046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#337128179594426046' title='Visiting Vlad - Vídeo 1'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6257264164150466570</id><published>2011-04-24T21:47:00.003-03:00</published><updated>2011-04-24T21:53:16.121-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><title type='text'>Visiting Vlad - Addendum</title><content type='html'>Encontrei um bom filme produzido em 2000 que aparentemente tenta contar a história do verdadeiro Vlad Tepes. Estou assistindo aos poucos, depois da viagem, para me inspirar enquanto edito os vídeo que fiz por lá. Assista também: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BvG_YiEzyYs&amp;feature=related" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WxKp3Al-2bE&amp;feature=related" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JY-HGTbpxsw" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=B8RccDrsvn4&amp;feature=related" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=k4MFNguvsp8&amp;feature=related" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MO2Ggp0ecFY&amp;feature=related" target="_blank"&gt;6&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=IOQ51DL7YcE&amp;feature=related" target="_blank"&gt;7&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NvFZ2vmLyBg&amp;feature=related" target="_blank"&gt;8&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9hDDB6XCeWg&amp;feature=related" target="_blank"&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6257264164150466570?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6257264164150466570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6257264164150466570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6257264164150466570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6257264164150466570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#6257264164150466570' title='Visiting Vlad - Addendum'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2635146105844817611</id><published>2011-04-23T22:22:00.004-03:00</published><updated>2011-04-24T00:11:24.567-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><title type='text'>Visiting Vlad - Epilogue</title><content type='html'>Comecei minha jornada de volta ontem de manha, voltando para Brasov. Tomei meu tempo: teria dois dias para voltar, prevendo qualquer atraso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida que o trem atravessava os Carpatos, me dei conta de que ja me familiarizara o suficiente com a paisagem para fazer uma descricao mais experiente do pais. A paisagem pela janela ia me lembrando dos detalhes que eu tinha visto nesses dez dias correndo atras de Dracula. Era uma terra de amplos campos verdes onde animais poderiam correr livres. A terra era escura e fertil onde tinha sido arada, e boa parte do territorio era rural, sendo pastado por ovelhas de uma la estranha que escorria quase lisa (de fato, nao me ocorre ter visto nenhum romeno de cabelos cacheados). Vez por outra uma ferida imensa na terra era um rio cruzando o territorio. As margens eram sempre de pedra cinza-amarelada, dura e a água por vezes cristalina e em outras de um cinza meio esverdeado. No horizonte, os Carpatos se projetavam do solo, formando uma ferradura que tomava conta de boa parte da Transilvania, com Tirgu Mures bem no seu centro. Eram montanhas daquela mesma pedra cinza, que chegavam a alturas onde a neve comecava a acumular nos picos. Mas eram em grande parte cobertas de uma vegetacao bela e hostil. Coniferas eram tao presentes quanto aquelas outras arvores retorcidas e peladas, de troncos acinzentados, altos e esguios, por entre as quais eu fantasiava correr como um lobisomem. Elas estavam destituidas de folhas mesmo em plena primavera. O pais inteiro parecia ainda nao ter acordado para a nova estacao. Mas aqui e ali, umas arvores rebeldes ja despontavam flores brancas, rosadas e roxas. Estas ultimas em um formato que eu nunca tinha visto, como bojos de calices de vinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As casas dos camponeses tem uma arquitetura peculiar, europeia. Mas sao rodeadas de entulho da propria construcao e da vida rural. Muita lama. Porem o mais perturbador e deslocado sao as referencias a entulho de uma realidade capitalista, de plastico colorido e design de marcas, que nao tem nada a ver com a vida simples dessa gente, mas que permanecem como evidencia no lixo do quintal. Evidencia de que o modo de vida deles foi corrompido e seduzido por um outro modo de vida do qual eles nao fazem parte e pelo qual eles anseiam. Nas cidades grandes, a mesma incoerencia pode ser vista na fusao das muralhas da cidade medieval com os predios dos empreendimentos imobiliarios americanoides. Predios que, exceto nos bairros atualmente ricos, estao sempre descascando, imundos, quebrados. Por que e que a minha mente identifica isso imeddiatamente com o leste europeu, com passados socialistas? A Romenia algum dia foi socialista? Nao tenho informacao sobre isso. &lt;br /&gt;As pessoas sao outro misto indecifravel. Por causa das diferentes etnias, do embate entre o rural predominante no pais e um desejo pelo moderno. Vao dos boiardos que ja foram aristocracia e hoje sao caipiras pobres, passando pelos &lt;em&gt;roma&lt;/em&gt; (os ciganos propriamente ditos) e os adolescentes das cidades grandes. Nao pude deixar de notar os tenis impossivelmente brancos dos garotos ricos, mesmo em um pais onde ha terra e po e sujeira em tudo. E provavelmente mante-los brancos deve ser um sinal de status, de estar acima da decadencia ao redor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei Brasov hoje de manha. Passei por Sighisoara mas nao parei. Estou tomando o aviao em Tirgu Mures sob aquela luz peculiar do entardecer centenario deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho lido muito sobre &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; e a epoca em que ele escreveu &lt;em&gt;Dracula&lt;/em&gt;. O suficiente para querer aproveitar minha estadia na Inglaterra e visitar algumas das cidades onde ele aconteceu. Whitby e partes da Irlanda. E o suficiente para querer um pouco do que era aquela epoca. Mesmo que fosse uma epoca de muito sentimento contido (e que o proprio livro parece criticar), mas era uma epoca em que as pessoas viviam para fazer o que era certo e virtuoso. E sabiam o que era certo e virtuoso. Os excessos sentimentais aconteciam como excessos e nao rotineiramente como hoje. Entao quando as pessoas se permitiam sentir, o sentimento era intenso. Hoje nos permitimos tanto e tao frequentemente, que o sentimento e diluido em partes infinitesimais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi muito com essa aventura. Agora volto para Londres para lidar com o meu mestrado, sentindo que eu dediquei mais fervor ao meu estudo do Vlad Tepes e da Romenia do que jamais poderia dedicar ao Masculismo. E se por um lado serviu para intensificar a crescente certeza de que eu deveria ter seguido pela carreira literaria em vez das artes plasticas, por outro lado me deu a nocao de uma nova forma de viajar e aproveitar uma viagem. De procurar viagens que facam mais sentido para mim, e aproveita-las do meu jeito, de uma forma mais cerebral alem da empirica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2635146105844817611?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2635146105844817611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2635146105844817611&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2635146105844817611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2635146105844817611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#2635146105844817611' title='Visiting Vlad - Epilogue'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3002886211733372915</id><published>2011-04-21T13:55:00.000-03:00</published><updated>2011-04-23T22:26:47.003-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - The rush to Poeinari</title><content type='html'>Fechada. Claro que a porta do hotel estaria fechada. Eram cinco da manha e eu estava tentando sair para pegar o primeiro trem da manha para Curtea de Arges. Bati na porta da dona do hotel, que abriu em menos de um segundo, de banho tomado e arrumada. Me desculpei como pude por incomoda-la a essa hora da manha, mas ela me abriu sorridente e se despediu. &lt;br /&gt;Minutos depois, estava no trem para Titu, e depois para Curtea de Arges. Eu ia preocupado. Tinha planejado meu tempo para chegar na cidade na noite anterior, dormir e comecar a peregrinacao para o castelo de manha cedo. A maior parte da informacao que eu tinha sobre como chegar la viera de um &lt;a href="http://www.manningkrull.com/photo_album/swi_aus_rom_slo/draculas_castle/more_info_on_castle_poenari.html" target="_blank"&gt;site&lt;/a&gt; de um cara muito estranho (me pergunto se eu passo uma impressao similar?) que fizera o caminho em 2005. Ele especificamente dizia para sair pela manha para voltar no fim da tarde. Mas eu chegaria em Curtea de Arges quase ao meio dia. Eu estava arriscando ter que voltar no meio do caminho, sem visitar o castelo, dependendo de quanto demorasse a caminhada. &lt;br /&gt;Tive tempo apenas de largar as coisas no quarto da &lt;a href="http://www.turistinfo.ro/curtea_de_arges/cazare-curtea_de_arges/pensiunea_jankovic-c38776.html" target="_blank"&gt;pensao&lt;/a&gt; (que alias, foi um achado, um custo-beneficio fantastico!). Rapidamente montei minha mochila com os essenciais e algumas excentricidades (eu queria levar meus pinduricalhos goticos para serem "abencoados" - ou "amaldicoados, sei la) e parti em direcao a minha ultima aventura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o site que eu mencionei, da pra chegar em Poeinari pegando a van para Arefu. Mas Arefu fica a quatro quilometros de Poeinari, e andar tudo isso levaria um tempo que eu nao tinha mais. Por sorte, eu tinha obcecado o suficiente com o castelo para saber de Capatineni, o vilarejo mais proximo. A van passa por la e toma uma estrada de terra em direcao a Arefu. Assim que vi a placa, pedi para descer. &lt;br /&gt;O vilarejo estava repleto de pistas: "Camping Dracula", "Hotel Dracula", "Restaurante Dracula", eles estavam realmente aproveitando a fama do voivode. Uma placa me direcionou por uma das estradas, anunciando que o castelo estava a 1,5km. O rio Arges passava pela cidade, e seguindo-o alem dos detritos da urbanizacao, onde a agua era cristalina, pude ver o castelo entre as montanhas pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visao me pegou de surpresa. Mas la estava ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando pelas margens do Arges, passando por pastores com seus carneiros, cheguei a hidrelectrica de Vidraru. O site tambem mencionara isso, e eu a vi no mapa antes de partir. Se eu passasse o castelo, chegaria na represa de Vidraru, um caminho tortuoso e hostil por entre os Carpatos. &lt;br /&gt;O turismo da regiao de fato estava tentando capitalizar em cima do castelo, e tinham ate construido uma pousada ao lado da hidreletrica, chamada "Pensiunea Cetatea", a Pensao do Castelo. &lt;br /&gt;La por perto, encontrei o comeco dos longos 1480 degraus para o castelo. Tomei meu tempo, subi aos poucos. As placas ao longo da subida pareciam zombar do esforco, indicando quantos degraus faltavam. Outras davam informacao e rumores sobre o castelo. A escadaria mostrava os sinais do tempo, da floresta ao redor mudando, derrubando partes, retomando o lugar.  &lt;br /&gt;Depois de uma hora fazendo videos dos entornos e pegando folego para a escalada, cheguei no castelo. &lt;br /&gt;Um "porteiro" guarda a entrada, pedindo 5 Lei - a moeda romena - para entrar (embora ele tenha tentado superfaturar a entrada e cobrar quase 10 para mim...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, eu estava la. No ultimo castelo de Dracula. A vista era uma das mais belas que eu tinha visto. Em grande parte, a beleza tinha a ver com essa sensacao de estar no alto de um penhasco e poder ver toda aquela belisima paisagem romena ao redor, por milhas, sentindo-me seguro dentro de uma fortificacao. Mas talvez tambem fosse pelo historico do lugar, e por saber que eu estava la, depois de uma peregrinacao de uma semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O castelo original era apenas um cubo de pedra, construido antes do Vlad Tepes, como refugio para um de seus predecessores. Vlad construiu as muralhas e torres de vigia durante seu governo. Para essa tarefa, ele aprisionou os boiardos, a antiga aristocracia da regiao de Targoviste, que se aliara aos Danesti (aquela linhagem rival, lembra?). Dracula levou-os a Poeinari e obrigou-os a trabalhar "ate rasgarem a roupa do corpo", construindo as muralhas e torres.  &lt;br /&gt;O unico cerco documentado a Poenari aconteceu em 1462, contra os turcos, supostamente quando aconteceu o episodio em que sua primeira esposa recebeu a flecha com a mensagem falsa dizendo que ele tinha morrido e se jogou no Arges, preferindo a morte a ser escrava dos turcos. E o mesmo ano em que Vlad foi pedir subsidios ao imperador da regiao e foi aprisionado, acusado de traicao, e enviado como prisioneio ao castelo de Bran. Ele ainda teria um ultimo governo por volta de 1470, antes de ser morto em batalha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma sensacao de missao cumprida e uma felicidade sem tamanho, voltei a Curtea de Arges. Me joguei na ampla cama do quarto de hotel e, exausto, dormi por duas horas. Estava na hora de comecar minha lenta jornada de volta a Londres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3002886211733372915?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3002886211733372915/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3002886211733372915&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3002886211733372915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3002886211733372915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#3002886211733372915' title='Visiting Vlad - The rush to Poeinari'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6217673359704195738</id><published>2011-04-20T11:51:00.004-03:00</published><updated>2011-04-20T12:34:28.042-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Lost in Vlad's capital</title><content type='html'>Por alguma razao, me despedi de Brasov com uma certa melancolia. Talvez porque foi a cidade onde eu passei mais tempo durante a viagem. Talvez porque eu estava comecando a fazer amizades mais significativas com &lt;strong&gt;Soren&lt;/strong&gt;, o dinamarques com quem eu jantei essas noites e &lt;strong&gt;Andra&lt;/strong&gt;, a esforcada dona do albergue. Nos despedimos cedo, enquanto &lt;strong&gt;Andra&lt;/strong&gt; tentava fazer cafe da manha para um grupo de vinte adolescentes e alguns professores que tinha chegado na noite anterior. Tirei fotos com ambos e disse adeus, avisando que talvez eu voltasse em dois dias, no meu trajeto de volta a Londres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estacao, subi no onibus e fiz minhas financas. Ja estava alem da metade da viagem e ainda muito antes da metade do dinheiro que eu levara. A Romenia estava provando ser um destino relativamente barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as duas horas da viagem de onibus, fui pulando de um lado do outro, fotografando e gravando videos. Subimos os Carpatos ate onde ainda havia varios centimetros de neve, descendo depois para Sinais, uma vila agreste perdida no meio do nada, rodeada por florestas de pinheiros que pareciam o cenario perfeito para contos de lobisomem. Eu estava deixando a Transilvania e entrando na Wallachia. Mais adiante, a paisagem voltou a ser planicie, e Targoviste me pegou de surpresa, quando comecei a cochilar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei impressionado com Targoviste. Impressionado em um sentido estranho. Dizem os relatos historicos que ha 500 anos, esta era a capital da regiao governada por Vlad III. Foi daqui que ele partiu, cruzou Bran e travou batalha em Brasov. &lt;br /&gt;E no entanto, a cidade era um nada. Uma parada no meio do caminho para caminhoes e trens de carga. Casas pequenas, simples, calcadas esburacadas. E internet quase inexistente... Quando o Rio de Janeiro deixou de ser a capital do Brasil, usou o impulso ganho nos seus anos de importancia para virar uma cidade fundamental para o pais, mesmo sem o poder politico. Claro, Targoviste deixou de ser a capital ha muito tempo, cedendo o lugar para Bucareste, mas ainda assim, eu nao imagino o Rio regredindo tanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nao teria sequer me aventurado tao ao sul se nao fosse pela &lt;em&gt;Curtea Domneasca&lt;/em&gt;. Andei por quase uma hora, com toda a minha bagagem nas costas (nao achei lugares para deixar tudo aquilo), perguntando aos nativos (ja que nao achei internet para me informar melhor), ate encontrar o lugar. A chamada "Corte do Principe" consistia de uma basilica com um interior de tirar o folego, repleto de imagens de santos do chao ao teto; as ruinas do palacio; e a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chindia_Tower" target="_blank"&gt;Turnul Chindiei&lt;/a&gt; [Torre de Chindia]. Inicialmente, o terreno abrigava a casa de Mircea, o Velho, quando ele governou a Wallachia. Quando o terreno passou para Vlad Dracul, o pai, este contruiu um suntuoso palacio, do qual hoje sobraram apenas as ruinas. No reinado do seu filho, Vlad Tepes, foi construida a torre, que servia propositos militares e dava o toque de recolher, depois do qual ninguem podia manter fogos acesos para evitar que a cidade fosse vista de longe. Algum tempo depois, provavelmente depois que a capital foi transferida para Bucareste, foi construida a basilica. Hoje a torre abriga uma exibicao de armas e documentos de Vlad III (que estava fechada para a pascoa...), as ruinas sao abertas a visitacao e guardam entalhes de pedra expostos nos subterraneos morbidamente refrigerados do castelo, e a basilica tambem fica aberta, apesar de estar passando por restauracao. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cheguei. Aquilo era o mais proximo que eu ia chegar do verdadeiro Dracula historico, longe da ficcao de &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt;. Ali era o centro do seu imperio, e aquele foi, pelo que eu pude entender, o verdadeiro castelo do Dracula. Mais uma etapa da minha missao estava cumprida! E uma etapa que eu nem sabia que existia quando planejei a viagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, o imprevisivel aconteceu. Cansado pelo peso da mochila, um pouco confuso com uma cidade plana que nao tinha marcos visiveis, me perdi por entre suas ruas humildes. Cheguei na estacao de onibus meia hora depois do ultimo onibus para Brasov ter partido. &lt;br /&gt;Um momento de panico. Os olhos dos ciganos comunicando que eles estavam reconhecendo a minha situacao fragilizada. Na estacao de trem, o ultimo para Brasov sairia dentro de uma hora, mas chegaria por la perto da meia noite, tarde demais para rumara para meu ultimo destino, Curtea de Arges. Estava me resignando a aparecer na albergue de Brasov e pedir envergonhado a &lt;strong&gt;Andra&lt;/strong&gt; que me recebesse a uma da manha... &lt;br /&gt;So por curiosidade e completa falta de opcao, perguntei sobre Curtea de Arges. A moca que me atendeu falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo (e constatando no mapa, ficava obvio mesmo): ir ate Brasov para depois ir a Curtea de Arges tomaria um tempo absurdo! Ela sugeriu uma viagem mais curta, descendo a montanha ate Titu, e depois seguindo pelos vales ate Curtea de Arges. Ainda era um ir e vir, mas as distancias eram muito menores e eu estaria em Curtea de Arges em tres horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nao havia mais trens naquele dia. O plano passou a ser deixar Targoviste as 6:30 e chegar em Curtea as 9:30, como seu eu tivesse seguido o plano original e acordado meio tarde... Percebi que ia ser isso ou desistir do ultimo destino, o precioso Castelo de Poeinari. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidido, arrastei os passos ate o albergue humilde que eu tinha visto perto da estacao de onibus. Acomodacoes modestas. MUITO modestas. Mas uma aventura nao seria uma aventura sem seus altos e baixos. Pelo menos eu tinha meu proprio banheiro... Me fechei no quarto e abri a caixa de botoes de chocolate que minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; me mandara para a Pascoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi entao que percebi que de fato, era Pascoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6217673359704195738?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6217673359704195738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6217673359704195738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6217673359704195738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6217673359704195738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#6217673359704195738' title='Visiting Vlad - Lost in Vlad&apos;s capital'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-301890610136207124</id><published>2011-04-19T12:27:00.003-03:00</published><updated>2011-04-19T12:55:27.007-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Bran Castle</title><content type='html'>-"Ce face?" ["O que voce esta fazendo?"] perguntou o garotinho. &lt;br /&gt;Eu estava agachado na Piata Sfatului, fingindo ter comida na mao para ver se os pombos, como os de Veneza, se arriscavam a pousar em mim pra conferir. Os daqui eram mais timidos. O passatempo local da criancada era correr atras dos pombos e jogar pao para ve-los se atirarem as dezenas sobre qualquer pedaco. &lt;br /&gt;Percebi que estava me distraindo e perdendo tempo. Corri para a estacao da cidade e tomei o onibus para Bran. Pouco menos de uma hora de viagem, passando por Rasnov no meio do caminho. Eu tinha lido sobre Rasnov, que tinha um letreiro mais impressionante do que o de Brasov, por estar logo na frente do castelo da cidade. Mas a unica licao a aprender por la era mais sobre estrategias de defesa medieval: a fortaleza de Rasnov, em vez da muralha dupla, tinha muralhas que eram aposentos inteiros. Fiquei imaginando invasores derrubando a muralha e tendo que lutar entre a mobilia dos aposentos, coisa meio complicada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O onibus me largou no meio da cidade de Bran. No primeiro momento, nao vi o castelo. Mas quando me virei para olhar, ele estava la, quase em cima de mim. Enorme sobre o penhasco, em uma curva da estrada. Um pequeno rio fluindo pelo lado. &lt;br /&gt;Nao vou me deter muito na minha visita ao castelo de Bran. O &lt;a href="http://www.bran-castle.com/" target="_blank"&gt;site&lt;/a&gt; deles diz mais do que eu poderia dizer por aqui sem entediar meus leitores. Alem disso, eles tem um &lt;a href="http://www.reklama360.ro/site.prepareHorecaPanorama.do?announceID=52dc86d2_12263191927_8034" target="_blank"&gt;tour virtual&lt;/a&gt; bem decente. &lt;br /&gt;Devo mencionar que o castelo nao faz apologia a Vlad Tepes. Em vez disso, a visita parece girar em torno da historia da Rainha Marie da Romenia e sua filha Ileana, da Austria, durante a primeira metade do seculo XX. Foram os ultimos ocupantes aristocratas do castelo, que hoje exibe a colecao de moveis de Marie. Parece ter sido um lugar muito gostoso de morar. &lt;br /&gt;Como eu tinha dito no comeco da aventura, Bran nao foi o castelo real de Vlad Tepes. De fato, documentos contam que ele tomou o castelo apenas brevemente em 1459, durante uma de suas excursoes para punir or mercadores germanicos de Brasov, que se recusavam a obedecer as leis de comercio da Wallachia regida por Vlad III. A punicao, obviamente, incluia o brutal impalamento. Diz a lenda que Vlad aprendeu a tecnica durante a epoca em que viveu com os turcos. Seu pai, Vlad Dracul, mandou Vlad e seu irmao Radu para serem refens honorarios dos turcos, como garantia para o tratado de paz entre Dracul e os Otomanos que ele jurou pela Ordem do Dragao a combater. Radu se deu muito bem entre os turcos, enquanto Vlad III foi constantemente maltratado por nao aceitar que seu pai negociasse com o inimigo. Aproveitou para aprender tudo o que pode, e voltou para tomar posse da Wallachia. De volta ao seu pais, empregou tecnicas crueis, mas relativamente comuns em epocas onde outros governantes enforcavam e cravavam seus suditos com estacas como punicao. Ele acreditava que so o terror colocaria ordem interna no pais, fortalecendo-o para combater as ameacas externas. Hoje, o povo romeno o considera um unificador, um heroi historico. &lt;br /&gt;Quanto a sua estadia em Bran, alem do episodio em 1459, tambem soube que depois de perder algumas guerras, Vlad foi pessoalmente pedir financiamento ao governante superior, Mathias Corvinus. Insatisfeito com Vlad, Corvinus o aprisionou por suposta traicao (?), mantendo-o em Bran por dois meses antes de transferi-lo para outro lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se Bran nao foi o castelo de Dracula, porque ele ganha tanta fama como tal?&lt;br /&gt;Pessoalmente, acho que e por causa de uma serie de coincidencias com a historia de &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt;. O castelo ficticio, assim como Bran, tambem era descrito como estando no alto de um penhasco, do lado de um rio. Mais do que isso, &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; o colocou entre a Transilvania, Moldavia e Bukovina, como eu disse. E Bran estava entre Transilvania, Moldavia e Wallachia. Perdoando a licensa poetica, o aficionado por vampiros diria que &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; errou por um nome, mas que Bran poderia muito bem ser o castelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vlad Tepes passou por aqui a caminho de Brasov. Era o acesso mais facil a Brasov para um exercito vindo do sudoeste. Mas de onde vinha Vlad III? O centro de seu governo estava em Targoviste, um pouco mais ao sul de Bran. E e pra la que eu vou tentar ir amanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabam aqui as partes planejadas e reservadas da viagem. Para o resto, ou nao encontrei coisas reservaveis, ou fui aconselhado a chegar nos lugares e procurar. Nem tudo na Romenia esta na internet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-301890610136207124?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/301890610136207124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=301890610136207124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/301890610136207124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/301890610136207124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#301890610136207124' title='Visiting Vlad - Bran Castle'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1740494326790403799</id><published>2011-04-18T16:19:00.002-03:00</published><updated>2011-04-19T11:56:35.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Brasov by day</title><content type='html'>Enquanto escrevo isso, me ocorre que desperdicei um dia ficando para ver Brasov. Mas e aquele tipo de coisa que a gente so percebe depois que ja fez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da cidade ser grande, nao houve muito que me interessasse por aqui. A lenda e o fato historico do Dracula tangenciam Brasov e nao deixam muitos rastros na cidade. Ainda assim, passei o dia interessado pela antiga estrutura medieval da cidade, que me ensinou muito depois de ter visto Sighisoara. &lt;br /&gt;Assim como a cidade anterior, Brasov tambem tinha uma muralha pontilhada por torres. E cada uma delas tambem era defendida e mantida por uma das guildas da cidade. Entao depois de comecar o dia novamente na Igreja Negra, ao lado da Piata Sfatului (a Praca do Conselho), fui para as duas torres mais proeminentes da cidade, a Turnul Negru (Torre Negra), pertencente aos ferreiros; e a Turnul Alb (Torre Branca) dos latoeiros (gente que lida com latao). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante sobre essas torres e que elas ficavam no monte proximo da cidade com alguns metros de distancia entre elas e a muralha antiga, hoje ja incorporada pelas casas modernas. Pareceu-me uma estrategia mais interessante do que a de Sighisoara, porque significava que se a torre fosse derrotada, a cidade nao necessariamente seria invadida como consequencia. No entanto, fica claro que Sighisoara nao tinha essa opcao, por ser uma cidade no alto do morro, onde o espaco para colocar torres era pouco, e elas tinham que ser incluidas na muralha mesmo. &lt;br /&gt;Brasov, ao contratio, estabelecera-se em um vale. De inicio me pareceu uma besteira, ja que invasores vindos das montanhas teriam a vantagem de altura. Mas depois imaginei que seria quase impossivel empurrar canhoes ou catapultas morro acima nos Carpatos, e so conseguiriam talves avancar com alguns homens que seriam facilmente derrotados pelas torres. Alem disso, qualquer governante esperto teria sentinelas no alto da montanha para ver a chegada do inimigo. &lt;br /&gt;As estrategias de defesa de Brasov tinham ainda outros detalhes interessantes. A muralha era dupla, e depois do inimigo ter perdido muito para atravessar a primeira, seria encurralado entre o resto dela e uma segunda muralha. No espaco entre as duas ficavam os bastioes da cidade, onde as guarnicoes do exercito se reuniam para suprir as torres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco adiante da cidade ficava a fortificacao do governante. Um pequeno castelo no alto de uma colina, com muralhas reforcadas e quatro cantos proeminentes, de onde as sentinelas veriam o inimigo muito antes dele chegar. No centro do castelo, uma vila confortavel e aconchegante rodeava um poco. Hoje, o castelo virou uma especie de atracao noturna, completa com bar e discoteca. Mas e aberto a visitacao durante o dia. Devo admitir que ele esta em pessimo estado de conservacao, paredes ruindo e luminaria quebrada. Parece ser algo constante por aqui. E de certa forma, e um sinal pequeno do que acontece em maior escala em toda Brasov, onde empreendimentos imobiliarios com cara de coisa americana tomam os morros ao redor do centro historico, invadem as muralhas e deformam a identidade centenaria do lugar com uma voracidade maior do que os antigos hunos ou magiares.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite, sai com um dinamarques que tambem estava hospedado no albergue para experimentarmos a comida tipica local. Esqueci de mencionar, mas eu ja tinha experimentado a &lt;em&gt;paprica cu pui&lt;/em&gt;, mencionada nas primeiras paginas do livro do Bram Stoker como "paprica hendl", com a &lt;em&gt;mamaliga&lt;/em&gt; que ele descreve como mingau de milho, a boa e velha polenta. Desta vez, procurei o outro prato mencionado como &lt;em&gt;impletata&lt;/em&gt;, que ele descrevia como beringela recheada de carne. Sem conseguir encontra-la, aceitei a sugestao do pessoal do albergue de experimentar a &lt;em&gt;tuchitura transilvania&lt;/em&gt;, um delicioso picadinho de carne bovina com bacon e um molho que nao consegui decifrar, mas que com certeza levava paprica. Voltando para casa, peguei o livro e me dei conta de que ele menciona vinhos tambem. Veremos se os encontro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1740494326790403799?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1740494326790403799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1740494326790403799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1740494326790403799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1740494326790403799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#1740494326790403799' title='Visiting Vlad - Brasov by day'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1294607017423357505</id><published>2011-04-17T17:39:00.005-03:00</published><updated>2011-04-19T11:57:42.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Pequeno dicionario romeno</title><content type='html'>[A ser expandido durante a viagem]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ASTEPTARE - Esperar&lt;br /&gt;BILET - Bilhete, ingresso, passagem&lt;br /&gt;BINE - Bem &lt;br /&gt;BUNA - Bom&lt;br /&gt;COPI - Crianca&lt;br /&gt;CU - Com&lt;br /&gt;DA - Sim&lt;br /&gt;DESCHIS - Aberto ("Desfechado"?)&lt;br /&gt;FASOLE - Feijao&lt;br /&gt;INCHIS - Fechado&lt;br /&gt;INPINGE - Empurre&lt;br /&gt;MULTUMESC - Muito obrigado (eles tambem dizem "Merci", mas acho que a intencao e ser o termo em frances mesmo)&lt;br /&gt;NU - Nao&lt;br /&gt;PENTRU - Para&lt;br /&gt;PIACERE - Prazer, usado como "de nada"&lt;br /&gt;PLECARE - Partir&lt;br /&gt;SCUSATI-MI - Com licensa&lt;br /&gt;SERA - Noite&lt;br /&gt;SOSTIRE - Chegar&lt;br /&gt;STREGA - Bruxa&lt;br /&gt;STRIGOI - Fantasma&lt;br /&gt;SUNT - Sou/Estou&lt;br /&gt;TRAGE - Puxe&lt;br /&gt;VANZARE - Vender&lt;br /&gt;VISNI - Cereja&lt;br /&gt;VORBERE - Falar&lt;br /&gt;IUBESC - Amor&lt;br /&gt;IUBIRE - Amar &lt;br /&gt;TE ROG - "Te rogo", "te suplico", expressao para "por favor"&lt;br /&gt;ZIUA - dia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1294607017423357505?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1294607017423357505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1294607017423357505&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1294607017423357505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1294607017423357505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#1294607017423357505' title='Visiting Vlad - Pequeno dicionario romeno'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2047533468927455891</id><published>2011-04-17T14:23:00.006-03:00</published><updated>2011-04-17T16:22:53.777-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Lost in Brasov</title><content type='html'>Me despedi da recepcionista com caninos longos e aversao a alho do albergue em Sighisoara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estacao de onibus, meu romeno ja estava tomando forma: &lt;br /&gt;EU - "Buna ziua! Scusati-mi, te rog, autobus pentru Brasov?" [Bom dia! Com licensa, por favor, o onibus para Brasov?]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;?? - Nu, ?????? autobus. ??????? treni. [Sem onibus, algo sobre trens]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU - "Ah, bine.... Multumesc" [Ah, esta bem, muito obrigado]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante, eu outra compania de onibus, encontrei um que iria para Brasov. Estava receoso dos trens, por ouvir rumores de que iam cheios de ciganos. E nao os boiardos, os outros, que eram insistentes e cheios de truques. &lt;br /&gt;O onibus me levou para Brasov em quatro horas. A paisagem mudou lentamente das planicies ao pe dos Carpatos, para embrenhar-se pelas montanhas e por florestas de arvores peladas. Algumas montanhas eram cobertas de arvores com folhas vermelhas, como montanhas de sangue. Depois de um tempo, a paisagem voltou a planicie, desta vez com os picos nevados dos Carpatos ao fundo, surgindo primeiro atraves da nevoa, como fantasmas, e gradualmente ficando mais definidos. Pouco tempo depois, desci em Brasov. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comeco foi confuso. Era um domingo, as agencias de informacao estavam fechadas, nao havia lugar nenhum para pegar um mapa e aqueles ciganos apareciam em todos os lugares. Decifrando os mapas de pontos de onibus, consegui entender o que me levaria ao albergue. O Onibus me deixou perto da praca principal, a Piata Strafului, logo em frente a Igreja Negra. Eu tinha lido sobre a igreja, que recebeu o nome depois que a fuligem de um incendio deixou suas pedras pretas. Hoje, depois de um intenso programa de restauracao, ela tinha sido escovada ate ficar.... bem, cinza. Minha primeira visao dela nao poderia ter sido mais publicitaria: na composicao do meu ponto de vista, o relogio da igreja alinhava com o singelo letreiro com o nome da cidade nas montanhas ao fundo. &lt;br /&gt;Da praca, caminhei um pouco. Atravessei a Porta Schei e segui ate um dos cantos da cidade. Porque e que albergues sao sempre nos cantos da cidade? Eu sei, por causa do preco... Demorei para achar o &lt;a href="http://oldtownbrasov.com/" target="_blank"&gt;albergue&lt;/a&gt;. Eles nao tinham placa alguma na porta e eu tinha cometido um dos meus erros tipicos: tinha visto na internet tudo sobre como chegar la, menos o numero da casa. E nao estava anotado em lugar nenhum. Mas apesar do desespero, eu raramente perco a calma nessas horas. Andei por muito tempo, ate dar em um hotel com o mesmo nome (e precos bem mais caros). A dona, muito solicita, me deixou usar o computador para ver os detalhes do albergue na internet.&lt;br /&gt;A turma do albergue era mais estressada do que o pessoal em Sighisoara. Pudera: aquele estava vazio salvo por mim e a escritora americana, enquanto o de Brasov estava recebendo grupos inteiros,avidos por informacao sobre os varios castelos da regiao (ao contrario do que eu pensava, nem todo mundo vai a Romenia para visitar o de Bran e ouvir sobre o Dracula). Depois de uma explicacao acelerada da recepcionista, sai para a cidade para comer um KFC (quem diria, e bem caro na Romenia!), deixando as iguarias locais para o dia seguinte. Logo depois, muito cansado, resolvi voltar, relaxar e ler mais sobre &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt;. Comecaria bem cedo no dia seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2047533468927455891?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2047533468927455891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2047533468927455891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2047533468927455891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2047533468927455891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#2047533468927455891' title='Visiting Vlad - Lost in Brasov'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2719746432383689496</id><published>2011-04-15T10:45:00.006-03:00</published><updated>2011-04-16T17:33:42.181-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Sighisoara</title><content type='html'>Quisera ter feito videos do trajeto entre Tirgu Mures e Sighisoara. Parte do cenario era o tipico filme de vampiros. Parti em uma manha nublada e chuvosa, por planicies repletas de arvores sem folhas e cemiterios de tumbas retorcidas, cobertas de musgo. A planicie se estendia ate o horizonte, onde os primeiros sinais dos Carpatos se projetavam contra o seu nublado. &lt;br /&gt;Nao gravei imagens, por estar entretido em uma conversa produtiva com um casal de alemaes. Me ajudaram a localizar o onibus certo e a falar com o motorista. Mas depois fiquei encabulado de filmar o trajeto pela janela do lado deles. &lt;br /&gt;No nosso trajeto, pegamos camponeses com chapeus enormes e camponesas em saias floridas e lenco na cabeca, que nao se intimidavam na hora de botar o seio para fora e alimentar seus bebes. Eram os boiardos, uma variedade dos ciganos da regiao. As outras criancas falavam um lento romeno que parecia o entoar de magia. Prolongados "la" e vibrantes Rs, em uma melodia bem peculiar. &lt;br /&gt;Uma breve passada no divertido &lt;a href="http://sighisora.nathansvilla.com/en/strona-glowna/" target="_blank"&gt;albergue&lt;/a&gt; para deixar as minhas coisas, e logo parti para ver a cidade, que ja mostrava sinais de estar na base dos Carpatos. Todo aquele clima de leste europeu estava la, os predios meio decaidos, nao muito cuidados; rodeados por uma natureza hostil, porem muito bonita; e a presenca sempre forte da igreja ortodoxa nas igrejas majestosas e impecaveis contrastando com o desgaste arquitetonico local. &lt;br /&gt;Entrei na area murada da cidade (o "burgo" de Sighisoara) pela torre do relogio. Quase fiquei em uma pensao ao pe da torre, nao fosse o preco alto. Parecia estranhamente correto: todos os jogos da franquia &lt;em&gt;Castlevania&lt;/em&gt; que eu jogava na infancia tinham uma fase que se passava dentro de uma torre do relogio, antes de chegar ao castelo do Dracula. Na minha edicao favorita do jogo, vencer a fase do relogio dava acesso ao personagem Grant Danasty [&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lYTn-sdAgLw" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wQFw5Okb7rs" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;], cujo sobrenome era uma corruptela de Danesti, a linhagem similar porem rival a familia de Vlad. &lt;br /&gt;O interior da torre hoje abriga um museu com um pouco da historia de Sighisoara e uma vista interessante dos mecanismos do relogio (muito mais simples e em melhor estado do que os do jogo...). Do alto da torre, pude ver a cidade inteira, alem de placas que indicavam a distancia para diversas cidades na Europa, com Londres entre elas. &lt;br /&gt;Logo ao lado da torre, encontrei o que procurava. Uma casinha simples tinha um dragao na porta anunciando que aquilo hoje era um restaurante. A "Casa Dracula", como era chamada, tinha outra placa na parede que proclamava em romeno que "neste local, entre os anos de 1431 e 1435, habitou Vlad Dracul, filho de Mircea, o Velho". Tratava-se do pai de Dracula, Vlad II. &lt;br /&gt;A cidade tinha uma antiga muralha do seculo 14 que, embora um pouco destruida pelo tempo, ainda mantinha muito de sua graca. Originalmente, ela deveria ter 14 torres, cada uma mantida por uma das guildas da cidade (a Guilda dos Ferreiros, dos Acougueiros, dos Carpinteiros, etc.), alem de cinco bastioes de artilharia. Com o passar do tempo, sobraram 9 torres e 2 bastioes. Seguindo-a, encontrei a "igreja na colina" depois de subir os 172 degraus da escada coberta, e alem dela, o cemiterio germano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E possivel ver Sighisoara em um dia, se o passeio for bem planejado. Uma trupe de cinco atores vestidos em roupas de epoca passeia pelas ruas regularmente, contando detalhes engracados aos turistas em romeno e anunciando sua localizacao com um tambor medieval. As lojinhas de souvenirs estao em todas as partes e vendem coisas que vao do Dracula mitologico ao verdadeiro governante romeno, alem de artesanato local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os dois dias que fiquei na cidade, sempre voltei ao albergue durante o por do sol, atravessando a ponte de pedestres sob aquela peculiar luz do entardecer nos Carpatos. A turma do albergue foi muito divertida e informativa, e conversamos ate as primeiras horas da manha. Alem deles, conheci uma estudante de literatura americana que estava fazendo o caminho inverso ao meu, vindo de Brasov, e que me deu varias dicas, alem de trocarmos figurinhas sobre vampiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor de tudo e que a ansiedade do primeiro dia sumiu, a medida que fui ficando mais a vontade no pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanha, Brasov. A apelidada "Hollywood romena" por causa do enorme letreiro em uma das colinas proximas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2719746432383689496?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2719746432383689496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2719746432383689496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2719746432383689496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2719746432383689496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#2719746432383689496' title='Visiting Vlad - Sighisoara'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8245744312947445064</id><published>2011-04-15T10:13:00.002-03:00</published><updated>2011-04-15T10:45:13.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - A spell of anxiety</title><content type='html'>["Spell" em ingles, vale para o verbo "soletrar", mas tambem para o substantivo "maldicao" e para referir-se a sintomas passageiros]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira noite na Romenia nao foi facil. Assim como minha primeira noite na Italia, eu senti a tensao de um dos meus ataques de ansiedade querendo se instalar. Depois de ter encontrado um lugar com internet para mandar noticias e comido algo rapido (no McDonald`s, assim como naquela primeira noite na Italia), eu voltei para meu quarto de hotel para tentar relaxar. Tomei um banho, deitei no carpete do amplo espaco do meu quarto e tentei lentamente perceber todos os meus musculos tensos e tentar forca-los a relaxar. Essa tensao era um dos principais aspectos da ansiedade e surgia sempre que eu me distanciava de minha rotinas planejadas. Minha cabeca fervilhava com pensamentos inspirados, porem sofridos, &lt;em&gt;flashes&lt;/em&gt; rapidos como videoclipe. Era algo assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A spell of anxiety&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;"Spell", sintoma passageiro&lt;br /&gt;"to spell", soletrar&lt;br /&gt;"Spell", maldicao na terra dos vampiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que e que eu estou fazendo aqui, afinal? Que loucura e essa?&lt;br /&gt;Vontade de pegar um aviao de volta amanha. De volta para onde? Londres? Sao Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens de Lucy Westerna contorcendo-se na cama durante um ataque de um Dracula invisivel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um anuncio em romeno na televisao: o tom declamatorio da publicidade fazia aquilo um pouco mais familiar&lt;br /&gt;Percebi que o embate com a linguagem ao mesmo tempo familiar e alheia (&lt;em&gt;alien&lt;/em&gt;) piorava minha tensao: eu estava saturado dela por hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me levanto para mudar de canal e colocar em uma MTV romena, a Kiss TV, onde hip hop americano me fornece um ingles mais palatavel, ainda que a qualidade da programacao seja pessima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deito de novo: a mudanca de perspectiva me traz imagens do castelo no filme do Coppola, de perspectivas que confundem o que e chao, parede e teto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto mentalmente fragil, como um ingles da era Vitoriana (como &lt;strong&gt;Bram Stoker&lt;/strong&gt;), sendo invadido por um sublime que sua personalidade contida nao consegue aguentar  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sera que isso sempre vai acontecer nas minhas primeiras noites em terras estranhas? Deveria me programar em proximas viagens para lidar com isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo, um pouco mais sob controle, desliguei a TV e procurei o refugio dos livros que trouxe comigo. Li ate as primeiras horas da manha sobre a vida de &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt;. Me identifiquei com sua infancia meio doente, seu amor pela literatura e sua mania de organizacao que o fez um bom contador (como eu organizo minusiosamente minhas financas), mas nao com o porte atletico que o fez popular na faculdade ou com os detalhes da vida na Irlanda. Soube que ele se tornou critico de teatro nao-pago porque sentia que o ator &lt;strong&gt;Henry Irving&lt;/strong&gt; merecia alguem que o elogiasse, e largou um bom emprego como contador do governo quando &lt;strong&gt;Irving&lt;/strong&gt; o convidou para gerenciar um teatro em Londres com ele. Tal atitude servical seria caricaturada em &lt;em&gt;Dracula&lt;/em&gt;, em personagens como Renfield e o protagonista Jonathan Harker, que servem aos minimos desejos do conde. O primeiro e levado a loucura por isso, enquanto o outro rebela-se e foge do castelo.&lt;br /&gt;A relacao de &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Irving&lt;/strong&gt; foi poderosa, e deu fama ao ator em vida, e ao escritor alem da morte. Minha vontade de identificar-me com essa historia e tamanha, que me pergunto se ainda encontrarei um &lt;strong&gt;Irving/Dracula&lt;/strong&gt; a quem servir para ficar na historia, ou um &lt;strong&gt;Stoker/Renfield&lt;/strong&gt; que me fara famoso em vida. Devaneios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei de manha apenas com um &lt;em&gt;aftertaste&lt;/em&gt; da ansiedade passada. Esperava nao sentir mais isso durante a viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8245744312947445064?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8245744312947445064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8245744312947445064&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8245744312947445064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8245744312947445064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#8245744312947445064' title='Visiting Vlad - A spell of anxiety'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6945098025578839314</id><published>2011-04-14T15:35:00.003-03:00</published><updated>2011-04-14T16:01:09.121-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Arrival</title><content type='html'>Depois de duas horas de viagem atraves de um ceu nublado, descemos abaixo do nivel das nuvens e tive minha primeira visao da Romenia. Minha impressao era de que ate a luz aqui e diferente. Mais dourada. Lembra um tanto a iluminacao no filme do Coppola. &lt;br /&gt;A imagem la do alto era de uma terra rustica, agricola, de muitas areas cultivadas e poucas cidades. Casas baixas, sempre menores do que as igrejas locais. &lt;br /&gt;O povo daqui nao parecia muito diferente do povo italiano. Seus rostos camponeses, estaturas medianas. &lt;br /&gt;Mas fiquei fascinado com o idioma. Ja enquanto procurava os detalhes pela iternet, pude perceber como era um idioma parecido com o italiano que eu aprendi ("buna sera" dizem eles a noite). De fato, aparentemente ambos os idiomas tem uma fonte comum no latim. No entanto, a semelhanca era mais perceptivel no texto do que na lingua falada, e tentar entender o que eles dizem e um exercicio complicado. Ainda assim, a maioria das pessoas fala ingles e eu consigo me virar muito bem por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas percepcoes daqui sao memorias revividas dos meus primeiros dias em Perugia. O cheiro do ar lembra cidades medievais, o ar mais frio de onde a primavera ainda nao chegou, a iluminacao noturna alaranjada do centro da cidade, os computadores sem acentos... Mas principalmente esse embate com o idioma e essa sensacao de nao-familiaridade que atica um pouco a minha sindrome de ansiedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanha parto para Sighisoara, a cidade onde Dracula nasceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, aproveitem uma das minhas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dMfhFf5xWzU&amp;feature=related" target="_blank"&gt;cenas&lt;/a&gt; favoritas do filme do Coppola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6945098025578839314?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6945098025578839314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6945098025578839314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6945098025578839314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6945098025578839314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#6945098025578839314' title='Visiting Vlad - Arrival'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5270767029199196773</id><published>2011-04-13T17:11:00.003-03:00</published><updated>2011-04-13T18:46:14.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><title type='text'>Visiting Vlad - Romania</title><content type='html'>Romênia. &lt;br /&gt;Rodeada pela Sérbia e Bulgária ao sul, Hungria e Ucrânia ao norte e com a Moldávia crescendo no nordeste como um calo. O país em si é dividido por &lt;a href="http://www.eliznik.org.uk/RomaniaEthno/politicalmap/romania_judetul-regions.htm" target="_blank"&gt;três regiões&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;Ao noroeste, a conhecida Transilvânia (como já mencionei, do latim "trans" - além; e "sylvam" - floresta ou bosque). Eu devo chegar no país por lá, pousando em Tirgu Mures, uma cidade rodeada pelos Cárpatos, a característica cordilheira de montanhas que até hoje fica no inconsciente coletivo quando mencionamos a Transilvânia. &lt;br /&gt;Ao nordeste, a região da Moldávia (sim, como o país que situa-se além das fronteiras romenas naquela direção). &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; colocou o castelo do Conde entre a Transilvânia, a Moldávia, e uma região ao norte chamada Bukovina, hoje pertencente à Ucrânia. O protagonista Jonathan Harker atravessa Bistrita, uma cidade que existe ainda na Transilvânia, para chegar ao castelo. Porém Drácula nunca esteve nessa região, e hoje há por lá apenas uma atração turistica criada em cima do livro, sem conexão com o verdadeiro príncipe romeno. &lt;br /&gt;Acreditando que seria perda de tempo ir atrás disso, marquei minha viagem para ir para o sul, em direção da terceira região, a Wallachia ("Ualaquía"). Do outro lado dos Cárpatos, foi aqui que Drácula viveu e batalhou de fato. A região recebe o nome do termo &lt;em&gt;Valach&lt;/em&gt;, usado pelos germanos para se referir aos estrangeiros (geralmente invasores). Eu tinha ouvido coisa similar na Itália, onde o termo &lt;em&gt;bárbaro&lt;/em&gt; veio de &lt;em&gt;babale&lt;/em&gt;, o gaguejar característico de quem vem de fora e tenta falar um idioma que não é o seu. &lt;br /&gt;Meu primeiro objetivo vai ser chegar em Bran, perto da divisa entre as três regiões. Me ponho a pensar que &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; acertou ao colocar o castelo do conde em uma divisa similar, mas errou por alguns quilômetros e mencionou uma região errada. Em Bran fica o que é anunciado como o verdadeiro castelo do Conde Drácula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como veremos durante a viagem, a verdade por aqui não é assim tão clara e óbvia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A região foi palco de muita guerra durante a idade média, o que causou ondas migratórias que misturaram os povos. Os romenos são uma mistura incompreensível de povos do leste europeu, dentre os quais se destacam os magiares da Hungria, os szelekys nativos da Transilvânia, os dácios que foram parte do império romano e toda sorte de povos de origem eslava. &lt;br /&gt;Essa mistura de povos (e consequentemente de versões da história) cria uma terra onde a verdade é difícil de achar, o fato histórico é um mito e o mito, um fato histórico. Já comentei por aqui como a conhecida imagem do próprio &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_11_01_archive.html#7647515019643413915" target="_blank"&gt;Vlad&lt;/a&gt; era na verdade um de seus cortesãos. E mesmo o castelo de Bran só chegou a ser ocupado por ele brevemente em 1459 (sua morada, veremos, era mais ao oeste). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso tudo eu irei desvendando ao longo dos relatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5270767029199196773?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5270767029199196773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5270767029199196773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5270767029199196773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5270767029199196773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#5270767029199196773' title='Visiting Vlad - Romania'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-7847747618567233557</id><published>2011-04-12T07:30:00.004-03:00</published><updated>2011-04-12T08:18:23.172-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romênia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Visiting Vlad - Prologue</title><content type='html'>&lt;em&gt;In the vampire world gender roles are confusing: Dracula penetrates, but he - not the woman - receives the vital fluid, blood/semen.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;BELFORD, Barbara&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Bram Stoker: A Biography of the Author of Dracula&lt;/em&gt;. London: Phoenix, 1997]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui começam os relatos da minha visita à Romênia, em busca do castelo de Drácula. A viagem ainda não começou, e eu me encontro neste momento terminando minhas obrigações do mestrado em artes na faculdade de Chelsea, em Londres. Uma raridade aconteceu: eu comecei a lidar com essas obrigações com antecedência suficiente para poder me presentear o tempo para pesquisar sobre este personagem que, de acordo com o livro citado acima, já superou o diabo como ícone do mal e só perde em citações literárias para Sherlock Holmes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha escolha por essa viagem parecia no começo ter sido isolada da minha pesquisa sobre &lt;em&gt;gender roles&lt;/em&gt; no mestrado. Mas eu já sabia que existiam conexões. Os vampiros de &lt;strong&gt;Anne Rice&lt;/strong&gt; tinham sido os primeiros a me chamar a atenção para o fato de que essas criaturas pertencem ao sobrenatural ("além do natural"), e portanto além das distinções de sexo, idade ou parentesco (&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fhvYsW7X8jA/TKj9J6spEFI/AAAAAAAAAHs/rO1z9Gcpwos/s1600/lestat-bites-louis.jpg" target="_blank"&gt;Louis e Lestat&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs49/f/2009/204/c/3/Louis_and_Claudia_by_silver_dog09.jpg" target="_blank"&gt;Louis e Claudia&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabrielle_de_Lioncourt" target="_blank"&gt;Lestat e Gabrielle&lt;/a&gt;). Fazia muito sentido portanto que &lt;strong&gt;Bram Stoker&lt;/strong&gt; tivesse situado tal criatura na Transilvânia que, conforme me dei conta pesquisando o lugar, era a "área além da selva" (do latim: "trans" - além; "silvana" - silvícola, relativo à selva, ao bosque, ao natural). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, eu estava tomando o recesso da faculdade para descansar da pesquisa, sem no entanto abandoná-la completamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para esta viagem acompanhado de dois livros: o original &lt;em&gt;Dracula&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Bram Stoker&lt;/strong&gt;, em inglês; e o livro citado acima, uma biografia sobre &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; que cita documentos históricos, notas pessoas do autor e faz um bom apanhado sobre a época em que o livro foi escrito. De início, já aponto algumas coisas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; viveu e escreveu no fim da Era Vitoriana na Inglaterra, uma época cheia de morais e bons costumes, que o autor prezava e tentava proteger da Era Moderna que chegava. Seu vampiro é uma metáfora de todos os desejos reprimidos que os vitorianos mantinham, o monstro perfeito do romantismo, e ao mesmo tempo uma alegoria do modernismo chegando para arrebatar toda essa época, sodomizá-la e converte-la com seu liberalismo, sua sexualidade e sua psicanálise. &lt;br /&gt;• O Conde Drácula histórico foi apenas um veículo para &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; comunicar sua história. Sua real inspiração veio de uma relação conturbada com o ator inglês &lt;strong&gt;Henry Irving&lt;/strong&gt;, que inspirou os modos e o poder dominador do Dácula fictício. A história toda é uma codificação do medo e fascínio de &lt;strong&gt;Stoker&lt;/strong&gt; por &lt;strong&gt;Irving&lt;/strong&gt;, de seu sentimento de masculinidade ameaçada e do processo psicológico de "matar a figura paterna" que &lt;strong&gt;Irving&lt;/strong&gt; veio a representar para ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei escrever a maior parte das coisas em forma de notas curtas, para não perder tanto tempo e ímpeto burilando textos mais complexos. Mas os próximos dois posts vão ser um pouco longos sim, para contar a história do conde e de seu país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-7847747618567233557?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/7847747618567233557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=7847747618567233557&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7847747618567233557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7847747618567233557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#7847747618567233557' title='Visiting Vlad - Prologue'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3564609568412281549</id><published>2011-04-06T11:40:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T20:04:49.800-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Novos limites</title><content type='html'>Conversei com &lt;strong&gt;Brian Chalkley &lt;/strong&gt; na segunda sobre os novos rumos que a minha arte (e provavelmente a minha aparência) iam tomar em Maio. Eu estava muito interessado nessa feminização do visual que as bandas de rock tinham feito na época do glam rock. &lt;strong&gt;Brian &lt;/strong&gt;, claro, começou a me dar referências e estímulos para que eu explorasse o mundo do &lt;em&gt;drag&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Oreet Ashery, Rrose Sélavy, Pierre Molinier &lt;/strong&gt;. Vale dizer que eu nunca soube que existia o termo &lt;em&gt;drag king&lt;/em&gt;, para mulheres que se vestem de homens, como  &lt;strong&gt;Ashery&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;Eu li um pouco a respeito, incluíndo entrevistas com o próprio &lt;strong&gt;Brian/Dawn Chalkely&lt;/strong&gt;. Mas quando as referências entraram em &lt;strong&gt;Molinie&lt;/strong&gt;, eu puxei o freio... &lt;br /&gt;Era óbvio que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; em algum ponto me puxaria para esse lado, mas isso era o trabalho &lt;u&gt;dele&lt;/u&gt;, não o meu. E era muito importante definir esse limite. Mais do que isso, era muito importante falar de outros limites. O drag me parecia como uma tentativa de cruzar completamente para o outro &lt;em&gt;gender&lt;/em&gt;. &lt;a href=“http://vimeo.com/7306320” target=“_blank”&gt;Brian&lt;/a&gt; continuava sendo biologicamente um homem, mas ele tentava fazer com que suas características sociais fossem totalmente femininas (se ele conseguia isso ou não, é outra questão). Eu não queria fazer esse cruzamento completo. Eu queria continuar sendo identificado como masculino e heterossexual, embora um que fosse mais aberto a significantes femininos na aparência e nos modos. Lendo um dos livros que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; me emprestou, cheguei a uma menção de um dos mitos de Hércules, onde ele é feito escravo da Rainha Omfália, que o veste de mulher. Algumas versões do mito o colocam como um personagem tão viril, que as vestes femininas não afetam sua auto-confiança.  &lt;br /&gt;A outra questão de limites aqui tinha a ver com o limite entre vida e arte (que eu mencionei em algum parágrafo  &lt;a href=“http://eternalchild.blogspot.com”011_03_01_archive.html/35193077306612009436” target=“_blank”&gt;daqui&lt;/a&gt;). Porque o problema com a performance drag é que ela acaba. Em determinado momento, o artista tira todos os adereços e volta a uma normalidade. Não é nada que proponha uma mudança efetiva na vida se ele volta a reforçar as condutas sociais do seu sexo depois que a performance acaba. Este é um limite que eu quero borrar em vez de reforçar. Criar uma persona que eu poderia, se assim o desejasse, manter pelo resto da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou até o mestrado acabar e eu voltar ao meu país...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3564609568412281549?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3564609568412281549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3564609568412281549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3564609568412281549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3564609568412281549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_04_01_archive.html#3564609568412281549' title='Novos limites'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2928050380198690544</id><published>2011-03-31T19:49:00.001-03:00</published><updated>2011-03-31T20:22:21.176-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lexy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Glam rock e o Masculismo</title><content type='html'>Em conversa com minha &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; há algum tempo, começamos a falar sobre o ponto em que meu trabalho por aqui está, onde eu estou começando a misturar elementos masculinos e femininos, ao mesmo tempo tentando manter a identidade heterossexual masculina. É um equilíbrio complicado, mas possível. Comecei a conversa porque eu lembrei que ela tinha mencionado que nenhum dos integrantes do New York Dolls, banda americana da década de 70, eram homossexuais, apesar de todos eles abusarem de um visual extremamente feminino (ao ponto do deboche [&lt;a href="http://bozzodiablo.files.wordpress.com/2010/05/newyorkdol.jpg" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://bozzodiablo.files.wordpress.com/2010/05/new-york-dolls-band-1973.jpg" taget="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]). &lt;br /&gt;Ela fez uma análise brilhante da minha intenção, que levou a uma conexão com as bandas de glam rock dos anos 80 e 90. Ela me passou algumas referências de bandas que como &lt;a href="http://bozzodiablo.files.wordpress.com/2010/05/cinderella.jpg" target="_blank"&gt;Cinderella&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://img3485.imagevenue.com/images/loc271/36882_motley_crue_122_271lo.jpg" target="_blank"&gt;Motley Crüe&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://bozzodiablo.files.wordpress.com/2010/05/p4.jpg" target="_blank"&gt;Poison&lt;/a&gt;, em que os integrantes não tinham medo de integrar detalhes muito femininos (e às vezes não tão debochados quanto os New York Dolls) no seu visual. Aliás, o que eu achei muito interessante era justamente o fato deles poderem "femininizar" sua imagem e ainda manterem uma carga heterossexual tamanha, que eram tidos como símbolos sexuais masculinos e cobiçados pelas &lt;em&gt;groupies&lt;/em&gt;. Eles eram um símbolo de que a masculinidade não era algo a ser provado pela aparência, mas pela auto-confiança. Se você confiasse na sua própria masculinidade, você podia usar o que bem entendesse. Lembro bem de ter crescido nessa época e passar pela fase de querer ser um astro de rock, com essas cabeleiras gigantescas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho informação suficiente para afirmar categoricamente, mas eu acho que houveram reações negativas. Nos anos 80, as artes plásticas estavam vendo a volta do "gênio artístico masculino" na pintura como reação à arte feminista e houve uma reaparição de pinturas enormes carregadas de tinta e de pintores que personificavam figuras mais machonas. E os anos 90 viram um dos meus estilos favoritos na música, o grunge, que não tinha nada dos detalhes femininos do visual de antes e passou por um recrudescimento e masculinização, embora tivesse representantes que encarnavam um pouco daquele estilo do &lt;em&gt;looser&lt;/em&gt; desajustado e bem diferente do homem dito ideal. A discussão passava a ser mais mental do que visual. Então esse ideal heterossexual misturado e meio andrógino andou adormecido por um tempo (corrija-me se eu estiver errado, meu amor). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira década do século 21 viu uma volta de algumas dessas coisas. Posso citar o excêntrico &lt;strong&gt;Marilyn Manson&lt;/strong&gt; [&lt;a href="_http://www.celebritysouls.com/Celebrity%20Souls/Entertainmetphotos/MARILYN%20MANSON.jpg" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;] como uma versão macabra de uma coisa andrógina (e sobre o qual eu escrevi &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2008_05_01_archive.html#6154874555046276684" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;). E ando relativamente interessado em de alguma forma usar &lt;strong&gt;Brian Molko&lt;/strong&gt;, vocalista da banda &lt;a href="http://www.placeboworld.co.uk/home.php" target="_blank"&gt;Placebo &lt;/a&gt;como assunto de alguns trabalhos. Quando a banda começou a fazer sucesso, ele se apresentava com um visual carregado na androginia [&lt;a href="http://laurganism.com/wp-images/brianlips.jpg" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;], chegando a ter trejeitos um pouco afetados [&lt;a href="http://isadoracarvalhoo.files.wordpress.com/2011/01/0jcku5eohoqqo7j3cbcvtot2o1_r1_400.jpg" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;] e que me parecia até estudados pelo modo como se repetiam [&lt;a href="http://26.media.tumblr.com/tumblr_ldbt9sLaL11qfwgt1o1_400.jpg" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://blogs.icoke.com/mycoke/resources/domain1_candicult/brian%20molko.jpg" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;]. Eu mesmo achei, ao conhecer a banda, que tratava-se de uma mulher. Mas no decorrer da carreira, o visual andrógino passou a ficar mais comportado e "plausível" [&lt;a href="http://s3.amazonaws.com/files.posterous.com/temp-2010-12-07/cIuJgrrcpBmHEjmfBnGJFhFbebfxEBIEduxslpldjgIyctxjuitFBitAzJEb/Brian_Molko_in_Guitar_Eros_photo_al.jpg?AWSAccessKeyId=AKIAJFZAE65UYRT34AOQ&amp;Expires=1301613364&amp;Signature=3xzxbsKc063Brut2UWolbXC2Bmg%3D" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://dynamite.terra.com.br/blog/zapnroll/assets/content/Image/PLACEBO.jpg" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt; - &lt;em&gt;does this ring a &lt;a href="http://www.facebook.com/album.php?aid=263673&amp;id=503931037#!/photo.php?fbid=484465921037&amp;set=a.484432556037.263673.503931037&amp;theater" target="_blank"&gt;bell&lt;/a&gt;?&lt;/em&gt;]. Depois de um tempo, &lt;strong&gt;Molko&lt;/strong&gt; aposentou o estilo andrógino mais elaborado, embora ainda execute alguns dos trejeitos nas apresentações. Mas fez um certo estardalhaço na mídia em 2005, com o nascimento do seu &lt;a href="http://img.listal.com/image/747687/600full-brian-molko.jpg" target="_blank"&gt;filho&lt;/a&gt;. O que me leva às questões de paternidade que os caras do glam rock mantinham debaixo do pano... Enfim, ele está se tornando um intereses para mim atualmente, porter passado por todas essas fases que podem ser relacionadas à pesquisa. Veremos para onde isso vai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2928050380198690544?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2928050380198690544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2928050380198690544&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2928050380198690544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2928050380198690544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#2928050380198690544' title='Glam rock e o Masculismo'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-7882068685271905419</id><published>2011-03-31T14:31:00.002-03:00</published><updated>2011-03-31T14:35:36.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Finding the Father, by Robert Bly</title><content type='html'>By now I no longer take &lt;strong&gt;Bly&lt;/strong&gt; as a serious reference in my work, although one of his books was part of the start of everything. But I always come back to this poem. And I can't explain it, but it really moves me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;FINDING THE FATHER by &lt;strong&gt;Robert Bly&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My friend, this body offers to carry us for nothing - as the ocean carries logs.&lt;br /&gt;So on some days the body wails with its great energy;&lt;br /&gt;it smashes up the boulders,&lt;br /&gt;lifting small crabs, that flow around the sides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Someone knocks on the door.&lt;br /&gt;We do not have time to dress.&lt;br /&gt;He wants us to go with him through the blowing and rainy streets,&lt;br /&gt;to the dark house.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We will go there, the body says,&lt;br /&gt;and there find the father whom we have never met,&lt;br /&gt;who wandered out in a snowstorm the night we were born,&lt;br /&gt;and who then lost his memory,&lt;br /&gt;and has lived since longing for his child,&lt;br /&gt;whom he saw only once...&lt;br /&gt;while he worked as a shoemaker,&lt;br /&gt;as a cattle herder in Australia,&lt;br /&gt;as a restaurant cook who painted at night.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When you light the lamp you will see him.&lt;br /&gt;he sits there behind the door....&lt;br /&gt;the eyebrows so heavy,&lt;br /&gt;the forehead so light....&lt;br /&gt;lonely in his whole body,&lt;br /&gt;waiting for you.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-7882068685271905419?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/7882068685271905419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=7882068685271905419&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7882068685271905419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7882068685271905419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#7882068685271905419' title='Finding the Father, by Robert Bly'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5398624146516559044</id><published>2011-03-29T14:59:00.003-03:00</published><updated>2011-03-29T15:24:59.438-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Postmodern'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Todas as generalizações são perigosas.</title><content type='html'>Resolvi escrever isto por aqui só pra digerir... É que estou lendo teoria pesada para o primeiro trabalho escrito do mestrado e tanta coisa está fazendo referência ao Masculismo e ao atual clima político de Londres, que eu achei uma pena me conscientizar disso e depois esquecer quando o meu trabalho enveredar por outros caminhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como forma de fundamentar o meu trabalho em alguma teoria (para que ele não fosse apenas baseado em experiências pessoais), comecei a ler sobre o pós-estruturalismo (&lt;strong&gt;Derridá, Foucault, Saussure, Althusser, Kristeva&lt;/strong&gt;). A teoria tem suas ligações com o pós-modernismo, sobre o qual eu já escrevi por aqui [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2009_04_01_archive.html#5111533623463313760" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2009_06_01_archive.html#107110817404507275" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2009_09_01_archive.html#6138225378341993095" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_11_01_archive.html#7251616796196943244" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;]. De forma bem resumida, o pós-estruturalismo postulava que não havia uma verdade "la fora", mas que todas as nossas verdades eram construções de linguagem (significantes e significados).&lt;br /&gt;Nesse contexto, o que mais me interessa é a possibilidade de que não exista de fato um sexo (&lt;em&gt;gender&lt;/em&gt;) masculino de verdade, mas que o masculino seja sim um elaborado constructo social, uma idéia. Pesquisando essa idéia, cheguei no &lt;em&gt;Feminist Practice and Poststructuralist Theory&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Chris Weedon&lt;/strong&gt;. Não é o livro mais bem escrito que eu já li, mas dá um apanhado decente do pós-estruturalismo e da sua relação com o feminismo (e consequentemente com o masculismo). &lt;br /&gt;Em um determinado capítulo sobre linguagem e como os significados das coisas mudam de acordo com o contexto, &lt;strong&gt;Weedon&lt;/strong&gt; mencionou os protestos da era Thatcher em 1984-85. O texto diz: "os conflitos de interesses fundamentais involvidos na questão levartam a uma situação em que as ações dos sindicalistas, políticos e da polícia receberam significados radicalmente diferentes em diferentes grupos de interesse. [...] Os mineiradores foram simultaneamente vistos como marginais criminosos e homens comuns de bem, ansioso para proteger seus sustentos e comunidades; os policiais eram ao mesmo tempo defensores da lei e agentes dos interesses classistas para os quais qualquer vestígio de moralidade e decência tinha desaparecido." Me interessei por esse trecho especificamente porque eu já tinha notado e talvez até escrito por aqui algo similar em relação aos protestos atuais. Porque aqui também havia protestantes pacíficos e protestantes violentos, policiais pacificadores e policiais brutais. Não havia verdade absoluta e o ato de um indivíduo de um desses grupos tinha o poder de gerar toda uma "verdade" que não passava de uma generalização perigosa sobre os grupos em questão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todas as generalizações são perigosas. &lt;br /&gt;Especialmente no contexto do pós-estruturalismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5398624146516559044?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5398624146516559044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5398624146516559044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5398624146516559044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5398624146516559044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#5398624146516559044' title='Todas as generalizações são perigosas.'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5193077306612009436</id><published>2011-03-23T16:18:00.011-03:00</published><updated>2011-03-25T14:54:02.551-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Changes</title><content type='html'>"Are you wearing make up?" asked French colleague &lt;strong&gt;Fanny&lt;/strong&gt;. I suppose she was the fourth or fifth person to ask that day, but she was the only one to say it so loud. As usual, I acted nonchallantly and answered I was only using eyeliner. The choker was also something that drew attention, but I had worn it a couple of time before around here. And it wasn't my first time with the make up either. Throughout most of my presentations as the frontman for the &lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt;, I alternated between two different types eyeliners and other ambiguously gendered wears. The very fact that I had chosen to keep the name of the band as the &lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt;, knowing that it would likely be associated to me, already said something of my desire to test issues of gender. But perhaps the most significative detail about all this is that I was impossibly embarrassed to show my face like that to my family. I allowed myself to experiment outside the home, but I was always terribly frightened of their reaction, their critique. And this submission to their opinion was again evidenced by the fact that I edited my &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#6421018236743799313" target="_blank"&gt;post&lt;/a&gt; about the Animal &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#7255815015941261032" target="_blank"&gt;video&lt;/a&gt; to remove the paragraph about being naked in the park after receiving startled comments about it from the family. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Still, a change in my work was needed. I was failing miserably in my attempt to promote gender equality. Mostly because I, as a character, dressed and behaved as a male stereotype. My colleagues picked up on it and whenever I did something that escaped the stereotype, they would point it out and sneer. They were never serious about it like school bullies might have been to me in the past, but I felt championing manhood had landed me into the same vulnerability I was trying to escape.  &lt;br /&gt;The heart of the change I am talking about dealt with going from a position where I was championing masculinity and consequently slipping unconsciously into unwanted machismo (the denial of anything female); to a position closer to what current Feminism was about, advocating true gender equality and a blur in the distinction between gender roles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So I was orchestrating a radical shift. A very radical shift. And for that to happen, a change in personality would have to occur as well. I could no longer afford to be that concerned with exterior critique if I wanted to explore all the possibilities of my work out here. The time was now: together with a change in seasons (from a season about death to a season about life) and the change from Unit 1 of our course (for experimentarion) and Unit 2 (for resolution). By the time the second unit of our course started, I wanted to be so completely different, that it would take by surprise everyone in Chelsea who had grown used to my male stereotype. And make up was a fairly light introduction to it. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At the moment, a few things have really caught my eye: &lt;br /&gt;• I had a fairly long chat with my &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt; about rock bands in recent decades which revelled in using female attire (make-up, hair, clothing accessories) but still gave off a concept of heterossexual men (albeit highly sexualized men). Motley Crüe, Cinderella, The New York Dolls... The list is huge. And it feels to me like these men were so self-confident, that what they wore made little difference on how they were perceived. So they were free to actually wear anything, gender-wise. &lt;br /&gt;• Our course leader &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt;'s drag queen character &lt;strong&gt;Dawn Chalkley&lt;/strong&gt;. Most people treat &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; and &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; as separate things, even separate entities (on one particular emails, someone wrote to him: "I thought this could interest you, or Dawn."). That is to say, there is a performatic element which makes it clearly finite. Once the performance is over, &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; becomes &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;. It's a lie and the lie is over. Going back to that idea of reality in art, I'm interested in something that can be (or at least look like it will be) an everlasting persona. The real me. And this real me isn't a drag queen character with another name, but a more gender-neutral version of me. And even if I gave up on this and went back to being a stereotyped male after the M.A. course because of personal concerns, there would still be the possibility of dragging this ungendered persona on indefinitely. &lt;br /&gt;• Comming in contact with students from Middle-Eastern backgrounds, I was told muslim cultures place great value on hair as a sensual element. That is why women aren't allowed to wear their hair loose. On one particular occasion, I asked one of these students if she would still have to cover her head if she shaved her hair off. She didn't know what to think about that. In fact, shaving her head had never crossed her mind, such was the value placed on hair in her culture. But it got me to thinking about hair. How long does mine take to grow, how my beard and thick eyebrows today shape who I am (the man I am). This is one thing I could experiment with around here and go back to normal once I went back home.  &lt;br /&gt;• I feel it's relevant to mention the coincidence that I'm taking this turn into feminizing the male at the same moment when &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=T2WXkiYq_Zk" target="_blank"&gt;this&lt;/a&gt; is happening. It wasn't a conscious thing, and I'm loving the coincidence. No, you won't see me cosplaying as her, because I think it's more of a symbolic thing: it's as if an inner feminine aspect of myself was crossing over into the outer realm. But it will manifest itself differently out here. Does that make sense? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Still, some of these changes are going to have to wait. I'm travelling to Romania in April and the customs people need to be able to recognize my passport photo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5193077306612009436?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5193077306612009436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5193077306612009436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5193077306612009436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5193077306612009436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#5193077306612009436' title='Changes'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1968640229833618272</id><published>2011-03-22T09:44:00.003-03:00</published><updated>2011-03-23T16:37:39.139-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Tutorial 5</title><content type='html'>40 minutes from Camberwell to Chelsea College. More than enough. Or so I thought when I boarded that morning's 436 close to St. Gile's Church. And despite that morning's unusually slow traffic, I really thought I would make it. But then the bus detoured at Oval station, a couple of stops away from my destination, due to engineering works. It went past the first option to get back on track because, being a double bus (one of those known as "bendy-buses" around here), it couldn't make that turn. It proceeded to take me all the way to Lambeth and back, spending an extra 15 minutes of what I would normally take to get to college. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As a result, my first tutorial with &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt; was rather short. I didn't have the initial 5 minutes I would usually take to set things up and consequently spend some of our conversation waiting for my computer to fire up and searching for files. I had no time to show him the Butcher's Daughter, no time to show the recent plans for performances. All I could do was give him an overview of what I was interested in and show him the &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ggvTcFXnDhk" target="_blank"&gt;button&lt;/a&gt; performance and the video in &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9d5jr2-fRXA" target="_blank"&gt;Burgess Park&lt;/a&gt;, as well as plans for the skirt I was thinking of designing. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I had seen &lt;strong&gt;Stephen&lt;/strong&gt; around, but had no idea he was him. Stephen was a short man with a very friendly demeanor. Despite the delay, he made me feel fairly at ease at first, asking me about my origins and how long I'd been in London. Then, as we entered the territory of gender discussions, he began to show a more poignant side, with remarks that weren't entirely new to me, but were still very relevant and which signalled a fast mind when it came to grasping what I was about. The curious thing was that I just couldn't find anything about him on the internet. The name brought me to politicians and athletes, but no one related to the arts. I would later find that he prided himself in not having any info up on the net. Although I never got to approach the subject in our conversation, because of time constraints. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As for the button performance, &lt;strong&gt;Stephen&lt;/strong&gt; insinuated that I was still generalizing. Although it was no longer the generalization about men as a whole gender, it was now the generalization about Brazilian and British culture. His most valuable piece of advice in this sense was to stop trying to state things and truths and try to ask instead. I wasn't a Brazilian, from a culture that was like this and that. I should instead ask why, as a Brazilian, I personally felt this and that way. This would open the possibility for people to engage with the discussion if they chose to, or simply dismiss it as my personal view on this or that subject. So, in a nutshell, I should get even more personal. This was again that first piece of advice &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt; had given me. And I was trying to do that, but still hadn't succeeded. &lt;br /&gt;For a while, the discussion went into the subject of what I was dressing for the performance. Because that jacket and shirt were extremely male. As a response, I presented to him the plans I had for he skirt I wanted to design. Something that would be worn with that same jacket and shirt, but would be a skirt nonetheless. And in a culture that saw Scotish men wearing kilts as a norm, discusssing the skirt seemed somewhat relevant. I did however express my wish to avoid the drag queen scenario. &lt;br /&gt;This lead us into a discusssion about characters. Because he envisioned me performing this or other future performances as a sort of a drag-queenish character. It was at that point that I showed him the animal video and the idea of the real in art, the avoidance of representation. I didn't want to be a character, I wanted to be me. It seemed a complex concept to grasp quickly, and let to some confusion. &lt;br /&gt;Finally, we spoke about further searches for something that British culture still considered feminine. My recent talk with &lt;strong&gt;Adam Walker&lt;/strong&gt; brought back to mind the question about why it was so hard for Britain to see men as child-minders, nannies, &lt;em&gt;au pairs&lt;/em&gt;. The concept of the male dealing with kids as a paedophile here felt way stronger to me than it would be in my country. But even there, I don't remember having male teachers in my primary school. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I did envision a few ideas for future performances. Bringing a wardrobe and going with the audience through the process of choosing the appropriate clothes that didn't make me look either patriarchically masculine, nor drag-queenishly feminine. Or presenting myself as a male &lt;em&gt;au pair&lt;/em&gt;. They are still ideas that deal with a heavy level of representation, creating a character.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As a final advice, &lt;strong&gt;Stephen Wilson&lt;/strong&gt; told me not to make it comfortable. If I brought the gender issue to a situation where people were indeed comfortable with what I was saying, nothing would linger with them afterwards. Much like what &lt;strong&gt;Dexter Dalwood&lt;/strong&gt; had pointed out about the one-night stand relationship and the long-lasting relationship. Making it comfortable would make this a cute one-night stand and nothing else.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1968640229833618272?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1968640229833618272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1968640229833618272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1968640229833618272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1968640229833618272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1968640229833618272' title='Tutorial 5'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-849932696302333847</id><published>2011-03-21T15:41:00.003-03:00</published><updated>2011-03-21T17:40:56.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Critical Research Paper</title><content type='html'>Comecei a rever anotações e livros lidos para escrever um primeiro rascunho do trabalho escrito que eu tenho que entregar no mestrado. Nossa primeira data de entrega é agora em Abril, no dia 11. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rever essas anotações foi refrescante. Eu percebi o quanto eu tinha sido distraído por questões menos importantes, pela política local, experimentos de técnica e até pela minha Filha do Açogueiro, deixando de lado o motivo que me trouxera até aqui. Acabei por me encontrar em um estado confuso, onde eu não sabia mais exatamente o que eu estava fazendo, o que relatar por aqui, ou qual dos três ou quatro caminhos diferentes que a minha arte estava tomando deveria ser escrito nesse rascunho. No fim das contas, tendo revisitado tudo que fiz por aqui, não encontrei razões suficientemente fortes para abandonar a questão masculista, mesmo que ela não funcionasse como eu queria por aqui. Aliás, talvez o próprio fato dela não funcionar aqui viraria o meu trabalho: a exploração das diferenças culturais na forma como o homem contemporâneo é percebido tanto pela cultura latina à qual eu pertenço e pela européia onde eu estou desenvolvendo o trabalho. Talvez o meu objetivo maior seja de fato executar meu papel como &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_12_01_archive.html#1772853707649361596" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;bridgehead&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; de uma maneira positiva, exportando não o estilo de vida europeu como um todo (o que me faria cúmplice do colonialismo), mas apenas a visão européia da igualdade entre os sexos ("genders", não "sexes", &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1801458779075063228" target="_blank"&gt;lembra&lt;/a&gt;?). Como fazer isso? Bom, se eu soubesse, o processo não teria graça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outro gosto delicioso que eu tive de rever as minhas anotações foi encontrar pequenas citações que eu escrevia nos cantos das páginas, em balõezinhos de pensamento de história em quadrinhos. São pensamentos que nem sempre têm a ver com o masculismo. São divertidos, filosóficos, inspiradores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Do meu favorito &lt;strong&gt;Warren Farrell&lt;/strong&gt;: "uma mulher pode ter ou não sucesso na carreira e ainda conseguir amor. Mas um homem que é apenas bonito e não tem sucesso, o que acontece com ele?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• FEMINISMO procura formas de chegar ao PODER&lt;br /&gt;  MASCULISMO procura formas de compensar a perda do PODER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Estatísticas na Inglaterra&lt;br /&gt;   SUICÍDIO&lt;br /&gt;     - 17 em cada 100,000 homens em 2008&lt;br /&gt;     - 6 em cada 100,000 mulheres em 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   EXPECTATIVA DE VIDA: &lt;br /&gt;     - 81,9 anos para mulheres&lt;br /&gt;     - 77,7 anos para homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Para &lt;strong&gt;Lacan&lt;/strong&gt;, o real é traumático. Se você não consegue traduzi-lo em linguagem, ele torna-se trauma, neurose. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• No &lt;em&gt;Freud, Fabric &amp; Fetish&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Ann Hamlyn&lt;/strong&gt;: teoristas vistos como fetishismo por palavras, a fobia de lidar com o real e sensorial.&lt;br /&gt;  Freud achava que mulheres eram naturalmente fetishistas: "homem gosta de mulher e mulher gosta de dinheiro"... ¬¬ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Do &lt;em&gt;The Rules of No-Game&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Anthony Wilden&lt;/strong&gt;: "uma vaca não pode destruir o pasto que a alimenta"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Se tudo aponta para um estado patriarcal onde os homens controlam o mercado de arte, para onde vão a maioria das mulheres estudantes de arte depois da gradução? Porque minha classe no bacharelado tinha 43 alunos e apenas 6 homens...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• &lt;strong&gt;Bell Hooks&lt;/strong&gt; em &lt;em&gt;Angry Women&lt;/em&gt;: "Eu ainda acho que os homens ainda não deram nome e lidaram com algumas de suas 'mazelas da infância (&lt;em&gt;boyhood&lt;/em&gt;)' da mesma forma como o feminismo deu a nós mulheres os meios para nomear algumas das tragédias de nossa vida adulta na sociedade sexista."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• "No dia em que o aluno atingiu o nível máximo na sua disciplina, o mestre virou para ele e disse: agora BRINQUE!" Achei lindo essa. Porque acontece assim com qualquer habilidade que aprendemos. Me fez lembrar dos atletas de saltos ornamentais brincando depois da competição, dos acróbatas do circo brincando na cama-elástica, de vários dos meus textos e uns poucos dos meus desenhos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• "A arte burguesa prende o artista em uma prisão invisível ao colocá-lo supostamente acima do trabalhador comum." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Do &lt;strong&gt;Banksy&lt;/strong&gt;: "As pessoas sempre pensam que, se elas se vestirem como revolucionários (rebeldes), elas não necessariamente precisarão se comportar como um."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-849932696302333847?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/849932696302333847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=849932696302333847&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/849932696302333847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/849932696302333847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#849932696302333847' title='Critical Research Paper'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8710883012470108267</id><published>2011-03-15T11:48:00.001-03:00</published><updated>2011-03-15T14:27:03.867-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Tutorial com Chandetti e as performances de Natoli</title><content type='html'>Ainda pensando sobre a verdade na arte, tive essa semana aquele tutorial de grupo com o &lt;strong&gt;Marco Chandetti&lt;/strong&gt;. O tutorial em si foi muito interessante. Mostrei a performance e escultura sobre o botão e o meu vídeo do parque.  Ainda estou processando tudo o que &lt;strong&gt;Marco&lt;/strong&gt; e os meu colegas me disseram, mas no geral tive boas respostas em relação às performances. São as coisas que têm suscitado os melhores &lt;em&gt;feedbacks&lt;/em&gt; por aqui. Um dos meus colegas, o italiano &lt;strong&gt;Iacopo Natoli&lt;/strong&gt;, comentou no entanto que o vídeo jamais faria juz à performance. E apesar daquela parte mais imatura de mim querer negar isso (por querer algo físico e vendável para as galerias, como um vídeo), todo o resto de mim concordava. Principalmente na situação do vídeo no parque. O principal daquela experiência era o estar naquele parque. Era tudo o que eu escrevi no &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#6421018236743799313" target="_blank"&gt;post&lt;/a&gt; sobre aquela experiência. Tudo que eu fizesse em termos de documentação seria mais uma camada entre quem assiste à experiência e o fato concreto e real dela. Ou seja, eu não sou um animal andando na floresta no escuro. O fato de eu ser um ser humano contemporâneo em um parque no meio de Londres já é uma camada de separação. Um vídeo sobre um ser humano em um parque em Londres seria outra camada. Um texto sobre o vídeo, uma terceira. Até que a experiência em si se perde para quem vê o trabalho. O que &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; queria dizer era que quanto mais próximo do real eu estivesse, melhor seria o trabalho. E eu concordava plenamente. O pregar o botão era outra coisa. A escultura feita sobre o vídeo, feito da performance, feita sobre a experiência de nunca ter pregado um botão. &lt;br /&gt;Antes de continuarmos o tutorial de grupo para ver o trabalho de &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; e dos outros, eles mencionaram algumas referências que ainda preciso procurar. &lt;strong&gt;Haley Newman&lt;/strong&gt; aparentemente documentava performances que nunca ocorreram. Ela criava documentação falsa. Achei interessante, e que talvez ela me ensinasse uma coisa ou outra sobre como documentar melhor essas coisas que tenho feito. Mencionaram &lt;strong&gt;Francis Alys&lt;/strong&gt; sobre performances e &lt;strong&gt;Guy Debord&lt;/strong&gt; sobre essa questão da realidade na arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então passamos a ver um trabalho de &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; (ele em si não é muito bom de documentação, mas aqui está: [&lt;a href="http://jacoponatoli.blogspot.com/" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://www.youtube.com/user/jacoponatoli" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;]). Ele nos levou para uma sala da biblioteca da faculdade conhecida como a Sala Silenciosa, onde pode-se levar livros para ler em um ambiente totalmente silencioso. Carpetes e papel de parede abafam os ruídos, celulares não são permitidos e não há computadores ou outras máquinas murmurando aquele zumbido distante. Todo mundo respeita o lugar e não fala enquanto está lá dentro. Absoluto silêncio. Tanto que ouve-se o roçar dos tecidos das calças quando andamos. Uma vez que estávamos todos lá (uns dez alunos, &lt;strong&gt;Marco Chiandetti&lt;/strong&gt; e mais dois leitores que não pertenciam à turma), &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; tirou do bolso diversas pilhas de papel cortado em quadrados, cada um com uma letra do alfabeto, e organizou-os em uma linha, alfabeticamente. Havia vários quadrados de cada letra. Então ele tomou alguns quadrados e soletrou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO PODEMOS FALAR AQUI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rimos baixinho. Ele não fez mais nada. Pasou-se um tempo até que um dos colegas tomasse a iniciativa de pegar algumas letras e escrever: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLÁ&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Também resolvi me divertir e escrevi: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO É MUITO EFICIENTE EM TERMOS DE TEMPO (E de fato, demorei para escrever tudo isso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos nossos colegas resolveu não brincar e falou em voz alta: "Eu acho que convenções são um saco, então eu vou falar".  Ele foi imediatamente repreendido pelos outros, que escreveram com os papéis coisas como "SHH" ou "SILÊNCIO" ou gesticularam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um tempo, resolvemos sair para discutir lá fora. &lt;br /&gt;A performance de &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; tinha funcionado muito bem. Engajou todo mundo, era diretamente relacionada ao lugar em que estava acontecendo e à situação daquele tutorial. Era verdadeira. Tanto que alguém depois viria a perguntar "mas e se alguém ali fosse cego?" Obviamente, &lt;strong&gt;Iacopo&lt;/strong&gt; teria feito outra coisa. A questão é que ele pensou naquela performance especificamente para aquele lugar e aquela platéia de poucas pessoas que ele conhecia muito bem.&lt;br /&gt;Mas havia ainda uma outra questão muito pertinente e importante no que ele tinha feito. Porque ele poderia simplesmente ter colocado folhas de papel em branco e trazido canetas. E todo mundo escreveria. Seria mais rápido e prático. &lt;br /&gt;Mas não seria tão divertido. &lt;br /&gt;Se ele tivesse feito isso, não seria mais sequer uma performance. Seria a situação em si. Eu senti que precisava de alguma distância da situação real para transformar aquilo em performance. Era preciso pelo menos uma camada de separação. Algo que passasse da situação em si, como ela se apresenta na vida real, para um segundo momento: talvez uma crítica, uma sátira, um jogo. Mas não mais do que isso, ou viraria algo muito irreal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que, se considerei &lt;strong&gt;David Ben White&lt;/strong&gt; o meu mestre de pintura entre os alunos, talvez &lt;strong&gt;Iacopo Natoli&lt;/strong&gt; fosse o meu mestre de performance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8710883012470108267?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8710883012470108267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8710883012470108267&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8710883012470108267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8710883012470108267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#8710883012470108267' title='Tutorial com Chandetti e as performances de Natoli'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1801458779075063228</id><published>2011-03-11T23:55:00.004-03:00</published><updated>2011-03-12T00:11:07.283-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idiomas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>"Gender" &amp; "Sex"</title><content type='html'>Continuo voltando para algo que um dos membros da platéia disse na minha performance do botão no &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#3701746979248407967" target="_blank"&gt;Q-Art Convenor&lt;/a&gt;. Ele tinha dito que a questão toda que eu estava tratando tinha a ver com &lt;em&gt;gender roles&lt;/em&gt; [algo como "papéis de cada sexo"], e não com orientação sexual. Foi um comentário brilhante e acho que a idéia estivera na minha cabeça em algum nível inconsciente, mas eu nunca me preocupei em formular. O que eu estava tentando fazer ao pregar o botão e em outros experimentos mais recentes, era de fato "dessexualizar" as atitudes femininas executadas por homens. &lt;br /&gt;Na verdade, há um componente linguístico importante que eu tenho que explicar melhor aqui. Há no inglês uma diferência entre "gender" e "sex". Porém no português, ambos são mencionados como "sexo". O primeiro é a separação entre masculino e feminino, enquanto o segundo é mais relacionado ao ato sexual em si. Evito usar "gênero" no português, porque carrega significados completamente irrelevantes: um gênero de filme (terror, drama, romance, suspense, etc...), por exemplo. &lt;br /&gt;Meu trabalho, agora entendo, estava muito mais no âmbito do "gender" do que do "sex". Portanto, quando menciono a dessexualização do ato feminino executado pelo indivíduo masculino, o que eu quero dizer é que quero que o meu trabalho trate da questão política do "gender" e das &lt;em&gt;gender roles&lt;/em&gt;, e permita que os homens tratem de tarefas e hábitos femininos, sem entrar desnecessariamente na questão do "sex", da orientação sexual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora fiquei curioso a respeito dos efeitos que essa falta de diferenciação entre os termos pode ter nas culturas latinas. Será que está de fato dificultando a compreensão dessa separação? A pesquisar quando eu voltar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1801458779075063228?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1801458779075063228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1801458779075063228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1801458779075063228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1801458779075063228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#1801458779075063228' title='&quot;Gender&quot; &amp; &quot;Sex&quot;'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6421018236743799313</id><published>2011-03-11T23:45:00.003-03:00</published><updated>2011-03-12T23:43:58.475-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Notes on "Animal"</title><content type='html'>I thought it could be relevant to write about my experience for Mark McGowan’s performance workshops about “becoming an animal and the revolution” before the rawness of it drowned away on the day’s many trivial tasks. I had not yet read the text he linked on the Facebook page, about Delueze and Guattari’s notion of &lt;em&gt;&lt;a href="http://books.google.co.uk/books?id=AFq7r_B4VPwC&amp;pg=PA67&amp;dq=%22What+does+becoming-animal+look+like%3F%22&amp;hl=en&amp;ei=aHFzTYXoLo2YhQf0ofBI&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&amp;q=%22What%20does%20becoming-animal%20look%20like%3F%22&amp;f=false" target="_blank"&gt;becoming-animal&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. But I suppose in some way, I experienced something of what the text describes. &lt;br /&gt;My idea was simple: I had seen foxes in Burgess Park, close to where I’m staying, and I wanted to film them. Simply because I had never seen a real fox before. But I decided I wasn’t just going to stride up to the park, camera in hand, and chase after the animals. I would try to &lt;em&gt;become&lt;/em&gt; like them. &lt;br /&gt;I chose night-time to do this, because that was when I usually saw them. But also because I felt there was something about being an animal like a fox, a rare and untamed one, that fit well with the night. The dark allowed for stealthier movement and these animals wanted to keep out of sight. &lt;br /&gt;The beginning wasn’t easy. Close to my apartment, I still felt somewhat &lt;em&gt;too human&lt;/em&gt;. And most of the things I tried just felt silly and awkward. I wanted to hide away from the passing people and cars, but ducking behind the nearest wall felt improper. Like I was about to commit a crime. A human crime. I was afraid of being caught on CCTV and being interpreted as a burglar of sorts. But once I reached the park, I felt more confident there would be no cameras around. &lt;br /&gt;On my entrance to the park, I was greeted by a cat. It responded amiably to my body language and came close, despite the fact we were interacting in the very middle of the street, unsheltered. There was something fairly poetic about the encounter, in a narrative way. As if that cat had been some gatekeeper into the realm of animals. Further along the street, I found another cat. But this time, instead of greeting it and beckoning it to come close, I dashed towards it to scare it. I wanted to experience the other feeling, of a real threat. Even if I was the threat. The park at night seemed scary to me, as if I’d probably experience some grade of violence in there, being mugged or running into people doing heavy drugs, for example. And I wanted to get some reference of that feeling before coming in. I wanted the cat to teach me when to run. &lt;br /&gt;In the park, there was a noticeable change. &lt;br /&gt;I stood on the edge of the light, looking into the silhouettes of the trees in the dark and the city lights beyond the park. Was there a presence there somewhere? A threat? I couldn’t know. People walking their dogs seemed to sprout from the darkness itself and walk past me. But once I actually stepped into the dark and my eyes adjusted, I gained a whole new awareness. One that I could never express in video. It felt like going through a veil into a sort of parallel dimension. I had a notion of the entire park before me, and of people walking in the light as if they were incapable of seeing me. I could see the silhouettes of other people moving in the shadows and understand each of their purposes. I could walk among the trees, out of sight, and observe anything that ventured into the park. &lt;br /&gt;And that’s how I found the foxes. One of them trotted past one of the lamp posts in the distance and I knew. More than that, I knew they had a natural way of keeping out of sight: since I could only see other people by noticing their silhouettes against the city lights, the smaller animals were kept out of sight because their figures never reached eye-level to be seen against the lights. They were always camouflaged against the dark grass. But once I crouched to their level, I could spot two of them in the distance. &lt;br /&gt;There was some defiance to them. They would lay on the paved walkways, just being there, until they had a glimpse of someone on the horizon. Then they would rush to the bushes on the far end of the park. There was an exhilarating comprehension that, if they were under the lights, they were on the other side of that veil, on the realm of light. Which meant they couldn’t see me. It allowed me to get amazingly close to them, until the sound of me stepping on the grass alerted them. &lt;br /&gt;After they had gone, I played with this newfound skill a while longer. Keeping out of sight of people. The hardest thing was to remember to look in every direction. And I believe I blew my cover several times by just dashing from behind the trees before noticing this or that pedestrian on a nearby walkway. Which I’m sure made me look somewhat like a stalker. But I didn’t care. I went back into the darkness and lay low. The rush of adrenaline in this game was so soothing, that after an hour of doing this, I realized I no longer felt the cold night air.  &lt;br /&gt;I noticed, when I stepped out of the darkness into the light, that I was once again on that side of the veil. Things in the darkness were no longer visible and all the spatial notion I had was restricted to the dimly-lit walkways and the faraway city lights. I was making my way back into being a human.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6421018236743799313?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6421018236743799313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6421018236743799313&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6421018236743799313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6421018236743799313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#6421018236743799313' title='Notes on &quot;Animal&quot;'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-7255815015941261032</id><published>2011-03-11T23:04:00.008-03:00</published><updated>2011-03-12T23:43:12.194-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Animal</title><content type='html'>Continuo a transição da ordem para o caos. Resultado disso é que não tenho tido disciplina suficiente para escrever aqui enquanto uma das épocas mais produtivas transcorre rapidamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte que surge desses mergulhos na loucura sempre tem um caráter dúbio. Por um lado, eu considero serem as melhores coisas que eu faço, cheias de um impacto visceral, por vezes cheias daquela verdade que eu mencionei. Por outro lado, receio mostrá-las a algumas pessoas que conhecem um lado mais pacato meu. Receio do ridículo. Mais ainda, receio de parecer mesmerizado pelo ridículo, achando-o maravilhoso. Mas vou arriscar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente comecei a participar de uns workshops de performance dados pelo artista &lt;strong&gt;Mark McGowan&lt;/strong&gt;. Embora eu não tenha gostado inicialmente do trabalho dele, o primeiro workshop (do qual eu não participei...) teve resultados interessantes entre os meus colegas. Nesse segundo, ele estabeleceu o tema "becoming an animal" [tornando-se um animal] e a regra de que quem quisesse participar deveria fazer um vídeo sobre o tema e postá-lo na página da turma de mestrado no Facebook. &lt;br /&gt;Interessado no tema desde a época das minhas fotos de &lt;a href="http://www.fotolog.com.br/edgewalker_lion/7983434" target="_blank"&gt;fantasmas&lt;/a&gt;, passei a semana pensando no que fazer. Idéias simples, insossas, banais. Até que lembrei das raposas que por vezes tinha visto perto do Burgess Park à noite. Essa idéia me fez lembrar de outra, de um texto antigo que eu tinha escrito sobre um animal-homem que, vivendo no meio da floresta, tinha que ficar acordado e atento à noite para não ser devorado por predadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num daqueles impulsos impensados, peguei minha câmera e fui em direção ao Burgess Park. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="640" height="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3EBsMlC2O0E?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/3EBsMlC2O0E?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="510"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-7255815015941261032?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/7255815015941261032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=7255815015941261032&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7255815015941261032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/7255815015941261032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#7255815015941261032' title='Animal'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3529941182297597812</id><published>2011-03-10T11:12:00.009-03:00</published><updated>2011-03-10T11:32:40.017-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>O retrato de Dawn Mellor</title><content type='html'>"Você fez um retrato da &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt;? Quero ver!" disse &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt; entusiasmado. Estavamos conversando sobre um concurso de retratos que abriu inscrições esta semana. O prêmio era de £1000. Frustração por não ter meus cerca de vinte e poucos retratos diversos feitos ao longo dos anos aqui comigo. Tinha inscrito meu retrato da minha primeira tutora, meio desacreditando que pudesse chegar a algum lugar. O sentimento se intensificou depois que vi alguns dos meus concorrentes. &lt;br /&gt;Mas então veio esse comentário de &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt;. Me surpreendeu, porque o retrato estivera encostado na minha parede há muito tempo, e certamente ele tinha passado por aqui enquanto ele estava à mostra. A verdade é que eu o estava escondendo. Não tinha gostado e nem levava a sério algo que eu tinha pintado em um impulso de raiva. Mantinha-o meio coberto também para que &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; não o visse, já que tinha qualquer coisa de ofensivo nele. Mas depois fui saber por &lt;strong&gt;Nataliia&lt;/strong&gt;, minha colega ucraniana, que &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; já o tinha visto e perguntara sorrindo se era ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje à tarde, &lt;strong&gt;Hanna&lt;/strong&gt;, uma colega da República Tcheca, me encontrou no corredor. "Pablo! Er... Pedro! Eu adorei seu retrato da &lt;strong&gt;Dawn Mellor&lt;/strong&gt;! Você venderia ele para mim?"&lt;br /&gt;Por um momento, achei que fosse uma brincadeira de mau gosto. &lt;strong&gt;Hanna&lt;/strong&gt; já se pronunciara abertamente avessa ao meu projeto do masculismo e sempre mantinha uma certa distância de mim. Estranhei o interesse. Mas ela insistiu que falava sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pensando em quanto cobrar sobre um trabalho que não gostei, que seria chato de levar de volta ao meu país, e para uma colega que está tão interessada assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que isso, estou pensando: será que o quadro de &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; tem aquela verdade que eu mencionei?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3529941182297597812?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3529941182297597812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3529941182297597812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3529941182297597812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3529941182297597812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#3529941182297597812' title='O retrato de Dawn Mellor'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-4192283088745231623</id><published>2011-03-03T14:57:00.001-03:00</published><updated>2011-03-03T22:25:08.180-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Big macho painters</title><content type='html'>Ainda pensando sobre as discussões dos pintores. &lt;br /&gt;Esse embate do pintor com a obra, que normalmente envolve camadas grossas de tinta, telas enormes e um fervor produtivo tremendo, são o que eu imagino ser associado pelas feministas aos "grandes pintores machos". Há uma discussão no feminismo de que a pintura de grande escala é reduto dos homens, do qual elas não conseguem fazer parte. Prova disso é que são raras as pintoras de sucesso na história da arte, e ainda mais raras as que trabalham em grande escala. Eu sinto que espera-se mais destreza e controle de uma pintora, e mais energia e explosão de um pintor. Mas isso são generalizações perigosas e contradizíveis que ninguém quer admitir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma colega turca recentemente comentou que queria começar a fazer pinturas grandes. Estava interessada na relação do tamanho do corpo e os movimentos dela com o tamanho da tela. Adverti sobre essa generalização, comentando que em uma pintura masculina, seriam observados os gestos, enquanto que na pintura feminina, haveria a fetichização do corpo da pintora fazendo aquilo. Uma mulher comentando sobre a relação do corpo dela com qualquer coisa facilmente cairia na discussão feminista da mulher como corpo, a objetificação da mulher. E ela claramente não estava interessada na questão. Por outro lado, é difícil cair nessa questão quase sexual quando se fala da relação do corpo de um homem com uma pintura.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto a mim? Eu, que estava fazendo cartões postais diminutos em aquarela. Havia uma recusa consciente de fazer parte do estereótipo do grande pintor machão. Mas eu já estava começando a sentir que era recusar por recusar. O problema não era o pintor machão em si, mas o sistema em torno dele, que o protegia e mantinha pintoras semelhantes de fora. Mas então? Será que eu deveria tentar redimir o grande pintor machão adotando sua mídia? Começo a pensar que talvez eu deva simplesmente ignorar a questão.  Fazer pintura em grandes formatos se eu quiser, sem medo de ser feliz, porque afinal eu sou um homem mesmo. E deixar essa discussão para acontecer fora das telas, nas rodinhas sociais durante as &lt;em&gt;vernissages&lt;/em&gt;. Nem tudo PRECISA virar assunto de pintura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-4192283088745231623?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/4192283088745231623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=4192283088745231623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4192283088745231623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4192283088745231623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#4192283088745231623' title='Big macho painters'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5123140945807868206</id><published>2011-03-03T14:47:00.002-03:00</published><updated>2011-03-03T22:21:16.680-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Verdade</title><content type='html'>Os pintores da classe resolveram promover discussões sobre pintua a cada duas sextas-feiras. Tenho participado delas, embora ainda não tenha aparecido a chance para mostrar meus cartões postais. &lt;br /&gt;Essas discussões sobre pintura, o embate do &lt;em&gt;Interim Show&lt;/em&gt;, algumas conversas com colegas e até o caráter quase não-performático da minha performance (que a aproxima de uma conversa aberta com a platéia) despertaram em mim um interesse sobre a verdade na arte. Nas discussões dos pintores, vi surgirem duas vertentes: pintores que, como eu, ilustram uma cena da melhor maneira possível e tentam contar uma história; e pintores como &lt;strong&gt;David Ben White&lt;/strong&gt;, que organiza as discussões, e cuja pintura lida mais com o embate direto entre pintor e material. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt; está participando hoje de uma exposição na Studio 1.1 em Shoreditch, leste de Londres. Detesto Shoreditch: chegar lá é um peregrinação (talvez proposital para atrair apenas os interessados) e o bairro é um dos poucos lugares em londres onde a pixação nas portas das lojas corre solta. Sensação de bairro decadente. Ainda assim, é onde estão todas as galerias do momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pinturas recentes de &lt;strong&gt;David Ben White&lt;/strong&gt; exemplificam nessa mídia o que eu quero dizer por verdade na arte. Eu acho que cada pintura de &lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt; são na verdade duas. Primeiro, com uma técnica estranha de diluir muito a tinta a óleo e aplicá-la sobre compensado de madeira, ele monta um cenário doméstico pintado de forma bem ilustrativa, mas talvez despropositalmente "descuidada". Ele deixa o óleo severamente diluído escorrer, arruma detalhes com o dedo, não se preocupa muito com fotorealismo. Mas consegue resultados figurativos decentes. Suas imagens partem de fotos que ele mesmo tira dos ambientes domésticos de sua casa. Tudo sempre monocromático. Num segundo momento (e talvez uma segunda pintura) ele cobre parte do que fez com padrões abstratos de uma tinta pesada, densa, às vezes misturada com areia e argamassa. Formas sempre planas, sem volume (luz e sombra). Tudo sempre bem colorido. Esse ato de cobrir a pintura anterior cria relações bem interessantes. Porque o  fundo tem perspectiva, volume, profundidade. Todo um jogo de ilusão. Daí o abstrato lembra que aquilo é uma pintura bidimensional, não dá pra "entrar" no quadro. Ele faz questão de evidenciar o ato de "cobrir", deixando buracos nesses padrões abstratos através dos quais dá pra ver a continuação da ilustração por baixo. Às vezes, &lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt; brinca de fazer o abstrato sair de dentro de algo na ilustração, como a textura do vapor saíndo de uma chaleira. Ou ainda cobre um lustre do teto que antes tinha volume com a cor chapada do padrão abstrato, como uma silhueta do que era. E essas brincadeiras criam um elo entre a primeira pintura ilustrativa e a segunda abstrata. Mas às vezes ele ignora esse elo e deixa as duas coisas separadas, o abstrato completamente independente da imagem anterior. Há um outro &lt;a href="http://www.gerhard-richter.com/" target="_blank"&gt;pintor&lt;/a&gt; que eu gosto muito que também transita livremente entre o abstrato e o ilustrativo. No entanto, &lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt; não chegou e nem se preocupa em chegar ao nível de virtuosismo ilustrativo de &lt;strong&gt;Richter&lt;/strong&gt;. E acho que &lt;strong&gt;Richter&lt;/strong&gt; nunca chegou a se preocupar em colocar a ilustração e o abstrato para conversarem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando menciono que &lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt; exemplifica o que eu quero dizer com verdade na arte, quero dizer que tudo o que há para ser entendido da pintura dele está alí, nas obras. Apesar dele ter pessoalmente um discurso onde diz estar interessado na estética do doméstico e em sua própria casa, nada disso importa de fato na pintura dele, que continuaria valendo se ele estivesse pintando sua casa, catedrais barrocas ou marinas inglesas. De fato, acho que lhe faria bem livrar-se um pouco desse discurso. &lt;br /&gt;É diferente, por exemplo, do meu &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2010/11/rape-of-sabine-women.html" target="_blank"&gt;Rapto das Sabinas&lt;/a&gt;, onde é preciso conhecer o mito romano para usufruir do humor do quadro; ou mesmo da minha série do &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20TBC" target="_blank"&gt;TBC&lt;/a&gt;, onde é preciso conhecer os atores ou as peças para apreciar a importância daquilo. O que eu quero dizer é que as minhas pinturas dependem de coisas externas. As dele são objetos completos, seu sentido contido nelas mesmas. Ele pinta como um pintor. Eu, como um escritor. Aliás, ele mesmo recentemente se juntou, espontaneamente e sem estímulo de minha parte, ao grupo de pessoas que me acham melhor escritor que artista... &lt;br /&gt;Enfim, enquanto estiver aqui, tentando quase sem êxito ser um artista, vou passar a procurar fazer algo que seja um pouco mais "real", no sentido que as pinturas dele são. Ele, neste contexto, passa a ser uma espécie de mestre (no contexto dos escritos do &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2009_01_01_archive.html#6105429708107387721" target="_blank"&gt;Robert Bly&lt;/a&gt;) para mim no curso, e alguém cuja opinião e arte eu passei a respeitar, ainda que no começo não tivesse gostado da estética de seu trabalho (obviamente pela falta do virtuosismo ilustrativo que tão facilmente me agrada...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena que o &lt;a href="http://www.davidbenwhite.com/" target="_blank"&gt;site&lt;/a&gt; dele não esteja atualizado. Tem apenas pinturas mais antigas e não tão refinadas e maduras quanto as atuais. Coisas de antes do mestrado. Não tão "verdadeiras".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5123140945807868206?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5123140945807868206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5123140945807868206&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5123140945807868206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5123140945807868206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#5123140945807868206' title='Verdade'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5017105375619463432</id><published>2011-02-28T21:16:00.002-03:00</published><updated>2011-02-28T21:30:18.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Ope Lori</title><content type='html'>Assisti a uma palestra da faculdade que me fez pensar sobre um detalhe interessante. A pesquisadora &lt;a href="http://www.opelori.com/" target="_blank"&gt;Ope Lori&lt;/a&gt; é uma lésbica negra em um relacionamento interracial (sua parceira é inglesa - BEM branca). Ela percebeu uma tendência geral de associarem a negra do casal como o perfil mais masculino e dominante. A tendência era expressa até pela mídia como nos seriados &lt;em&gt;The L Word&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Lip Service&lt;/em&gt;, entre outros. Achei interessante e muito verdadeiro. O que ela queria dizer, de certa forma, é que a raça tem seu papel na definição de gênero. &lt;br /&gt;Dentre outras coisas, ela comentou que essa percepção tinha parte de sua origem no passado escravo da raça negra, onde as mulheres negras faziam o trabalho braçal dos homens nos campos (sendo consideradas pelos mestres como "&lt;em&gt;surrogate men&lt;/em&gt;", substitutos de homens) e o trabalho delicado das mulheres nas casas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não acho que vá ter qualquer impacto na minha própria pesquisa, mas achei uma constatação curiosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5017105375619463432?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5017105375619463432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5017105375619463432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5017105375619463432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5017105375619463432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5017105375619463432' title='Ope Lori'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1725641117281085635</id><published>2011-02-28T20:00:00.002-03:00</published><updated>2011-02-28T21:09:02.441-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Shift happens 2</title><content type='html'>Coisa curiosa aconteceu hoje que eu achei digna de comentar aqui, como indício do meu processo durante o curso. &lt;br /&gt;O pessoal do mestrado, insatisfeito com o pouco contato que temos com os nossos tutores e o pouco retorno que temos sobre o nosso trabalho, começou a convidar artistas de fora para virem à faculdade darem uma olhada nas nossas coisas e fazerem uns tutoriais extra-oficiais. Eu achei bem legal a idéia e falei que queria participar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje chegou a lista dos artistas que eles conseguiram e dos grupos que eles montaram, alocando cada aluno para um grupo com um artista que tivesse algo a ver com sua prática. E eu fui colocado no grupo que seria tutelado pelo &lt;strong&gt;Marco Chiandetti&lt;/strong&gt;, um ex-mestrando de Chelsea que atualmente está conduzindo um trabalho de escultura como pesquisador na faculdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí, um escultor? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje à noite, em uma abertura de uma exposição, um colega meu estava conversando comigo sobre algo similar. Disse-me que estava gostando das coisas que eu estava fazendo aqui, os objetos e performances. Foi aí que eu percebi que eu não estava mais sendo considerado um pintor. Tirando os cartões postais da Filha do Açogueiro, eu não tinha enfrentado uma pintura decente desde o retrato de &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2010/11/dawn-mellor-and-sherilyn-fenn.html" target="_blank"&gt;Dawn Mellor&lt;/a&gt; em Novembro. Pra dizer a verdade, nem eu mesmo estava mais me considerando um pintor. Não depois de perceber os pintores de verdade daqui e como eles lidavam com a pintura de um modo que eu nunca me permiti lidar (e ainda preciso um dia). A verdade é que eu estava me permitindo fazer todas as coisas que eu só poderia fazer aqui, porque a pintura eu podia fazer quando voltasse para meu país. Estava aproveitando as instalações, os ateliês de cerâmica, madeira, metal, cera. Meu processo estava sendo mais um refinamento do conceito masculista no meu trabalho do que um exercício de técnica. A experiência está sendo uma época um pouco incerta e desconfortável, porque eu sempre gostei de rótulos e definições. Ser um pintor definia para mim mesmo quem eu era. Confesso estar gostando muito desta nova liberdade, mas ainda ando por ela com um pouco de cautela e desconfiança, sentindo a falta da minha identidade. Sim, eu sou um artista, mas que tipo de artista?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No atual vácuo em que me encontro, tenho total liberdade de movimentos, mas também total ausência de bases sólidas nas quais tomar impulso para pular mais alto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1725641117281085635?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1725641117281085635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1725641117281085635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1725641117281085635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1725641117281085635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#1725641117281085635' title='Shift happens 2'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-4410024167450349428</id><published>2011-02-23T20:19:00.003-03:00</published><updated>2011-03-22T10:23:42.270-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Instalação?</title><content type='html'>Parece até ridículo eu não ter pensado nisso antes. &lt;br /&gt;Recentemente, a turma do apartamento começou a discutir como a nossa cozinha e espaço comunal são sem graça, quando comparados com os outros apartamentos. Usamos o espaço para cozinhar e comer, mas não muito para conviver. Em parte porque a bagunça é tamanha que não faz do ambiente algo convidativo. Mas mencionei que era também porque nenhum de nós tinha colocados seus trabalho e coisas nas paredes como os outros habitantes do prédio.&lt;br /&gt;Pensando nisso, voltando para casa na segunda-feira depois da minha performance no Salon, deixei o pedaço de parede com o botão pregado em um canto da sala. Ficou instalado confortavelmente junto das cortinas que ajudavam a esconder um pouco o fato de tratar-se de uma nesga de madeira e fazia parecer como se o botão estivesse pregado diretamente na parede. E daí pensei: acho que só esse botão, costurado com arame diretamente na parede, já serviria como um trabalho em si, independente da performace. Ele já incorporava várias das idéias (a atitude feminina de pregar botões, junto com as práticas masculinas da carpintaria na produção do botão e alvenaria no fato de estar pregado na parede). Por aqui, talvez ele tivesse menos significado, já que eu não tinha a possibilidade de me apresentar como estrangeiro e soltar aquelas informações todas sobre como as coisas são no meu país. Mas ainda assim, acho que seria uma boa instalação, se produzida cuidadosamente. Vou inscrevê-la em alguns salões e exibições por aqui e ver no que dá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-4410024167450349428?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/4410024167450349428/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=4410024167450349428&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4410024167450349428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4410024167450349428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#4410024167450349428' title='Instalação?'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6944078216613518713</id><published>2011-02-23T19:27:00.002-03:00</published><updated>2011-02-23T19:31:42.293-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Minha avó perguntando no &lt;a href="http://www.formspring.me/stonelion" target="_blank"&gt;Formspring&lt;/a&gt;: &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pé, foi você que escreveu este texto em 2006, ou é de outra pessoa? Ny&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, fui eu que escrevi "Margot"! Gostou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6944078216613518713?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6944078216613518713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6944078216613518713&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6944078216613518713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6944078216613518713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#6944078216613518713' title=''/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-4357489528427652063</id><published>2011-02-22T23:17:00.004-03:00</published><updated>2011-02-23T07:23:37.229-03:00</updated><title type='text'>Margot</title><content type='html'>[Texto original escrito em Agosto de 2006 para o projeto Literatura Corporal e publicado no extinto blog &lt;em&gt;Umas Cabeças e o Dobro de Mãos&lt;/em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lázaro empurrou o portão da casa onde Margot vivera seus últimos anos. O portão de ferro rangeu o descuido do tempo. No pequeno jardim da entrada, as folhas secas de uma figueira enorme foram varridas pelo vento, fugindo como insetos quando uma presença maior entra em cena. Margot adorava aquela figueira. Adorava mais ainda os figos que recebia dela, como gratificação pelos cuidados, numa relação simbiótica. A árvore havia sido quase tão velha quanto ela. Mas agora Margot estava morta e a figueira perdurava. Pro inferno com a simbiose. &lt;br /&gt;Lutando contra a artrite, Lázaro escolheu a chave que conhecia tão bem e abriu a porta da frente. O verniz nas volutas dos ornamentos barrocos estava descascando. Lá dentro, uma dezena de fantasma brancos cobriam os móveis do pó levantado pela corrente de ar que entrou com Lázaro. Devolveram-lhe o aroma de Margot e instantaneamente um flash de lembranças quase palpáveis do corpo dela, do estilo que só ela tivera na juventude e uma distante noção do modo com o qual ela encarava a vida. Nostalgia. Tristeza e uma infindável solidão que enfraqueceu-lhe as pernas.&lt;br /&gt;Segurou-se no batente da porta. A casa ainda tinha a presença dela. Forte, como se ela estivesse mesmo dentro da casa. &lt;br /&gt;Lázaro entrou com a maleta. Ficaria lá pelos próximos dias, para fazer o inventário dos espólios de Margot. Passou a tarde retirando os lençóis brancos dos móveis, colocando o relógio de parede para funcionar e abrindo a casa. O sol entrava pela janela e iluminava as partículas de pó se revoltando contra aquele intruso. Em seguida, abriu o escritório. Paredes forradas em veludo já mostravam sinais de infiltração. largou a maleta sobre a mesa. O escritório não lhe dizia nada sobre Margot. Alguém havia estado aqui e deixado a papelada para que ele trabalhasse. Essa pequena intromissão tirara daquela sala todo resquício dela. E de qualquer forma, nos anos que Lázaro passara na casa, usara o escritório muito mais do que ela. &lt;br /&gt;Ao lado do escritório, as escadas. Lázaro teve medo da artrite e não subiu. Ao lado delas, um elevador rudimentar. Entrou, fechou as grades a duras penas e apertou o segundo andar, reclinando contra as paredes de madeira laminada. O maquinário rangeu um protesto, mas aceitou a subida. Lázaro saiu do elevador para um corredor estreito em forma de L que levava dos dois quartos à direita, para um banheiro à esquerda. &lt;br /&gt;Guiado por um irracional desejo, pisou no banheiro em frente ao espelho simples, quadrado, sobre a pia branca que ele sabia estava descolada da parede e bamba. Margot nunca consertara a maldita pia. De uma cômoda ao lado da pia vinha-lhe o aroma dos perfumes de Margot. Eram perfumes masculinos, em sua maioria. Ela adorava perfumes masculinos, e embora ele conhecera outras mulheres que os preferiam, lembraria sempre dela quando associasse o corpo feminino a estes aromas. Lembrava-se agora das tantas vezes em que voltara dos encontros com ela e descobrira maravilhado que suas roupas estavam impregnadas daquele cheiro.&lt;br /&gt;Esticou a mão para alcançar o interruptor, mas deteve-se diante de idéia de que encontraria no espelho não seu próprio reflexo, mas o reflexo dela...&lt;br /&gt;Pausa. O gotejar de canos vazando trazia à mente idéias de tempo, do limo crescendo entre azulejos.&lt;br /&gt;Respirou fundo e apertou o interruptor: no espelho,apenas a figura nariguda e enrugada dele mesmo. A devastação de seus cabelos brancos criando entradas cada vez mais fundas na testa. Olhou em volta: havia ainda a banheira de porcelana, com a cortina de plástico suja, e o armário de remédios que não socorrera Margot a tempo. Estruturas de ferro com toalhas empoleiradas também. Tudo esverdeado pela iluminação de uma doentia luz fluorescente. Sua mão ainda estava no interruptor: apagou a luz e foi para o quarto. &lt;br /&gt;Deteve-se frente à porta entreaberta do quarto de Margot por alguns momentos. De repente faltavam-lhe forças. Silencioso, de cabeça baixa, empurou a porta com dois dedos retorcidos pela doença. A porta abriu-se com um ranger melancólico: Lázaro viu&lt;br /&gt;primeiro o piso de madeira. Era diferente do piso nos outros cômodos. Era uma madeira escura que escurecia o aspecto do quarto inteiro e abrigava os dois tapete persas de Margot. Notou logo que haviam mexido em um deles: no padrão geométrico bordado no tapete, havia uma imperfeição - obrigatória em todo tapete persa legítimo. Só que não estava no mesmo lugar de sempre. Haviam girado o tapete. No fundo do quarto, a cama de Margot: cama de viúva. Comprada quando Lázaro saiu de sua vida, como se tivesse morrido. Era banhada pela luz daquele fim de tarde: vermelha, entrando pela janela e sendo filtrada por persianas. A luz na cama eram cortes profundos. A cama, com luzes e sombras, era um tigre transmodificado em mobília. Lázaro veio sentar-se em seu lombo, acariciando-a como para evitar que acordasse. Por um momento, devaneou na ilusão de que acariciava Margot. As curvas mornas de Margot adormecida, nua e jovem. Seu corpo esbelto que ela dizia ser gordo de teimosa que era. Forçou-se a despertar e recolheu a mão atrevida. As almofadas redondas e fartas na cama lembravam-lhe zombeteiras dos seios de Margot. Nunca tivera nas mãos seios mais perfeitos depois daqueles. Acendeu a lâmpada da mesa de cabeceira e a luz mostrou-lhe um vulto ao lado do armário. Seu coração acelerado esperando encontrá-la: vestiria seu casaco de pele perfumado e as roupas de uma senhora de respeito, vindo dizer-lhe que o amava.&lt;br /&gt;Não. Era apenas o casaco de pele pendurado na porta do armário. Perfumado, porém oco, sem Margot em roupas requintadas por dentro. Lázaro arrastou-se até ele como um morto-vivo e afundou o rosto na pelagem, as lágrimas brotando em profusão enqanto absorvia aquele perfume até seus pulmões estarem prestes a arrebentar. Tinha medo de que o aroma sumisse com o tempo e com ele toda memória visceral de Margot. Caiu de joelhos frente ao casaco, soluçando como criança. Quase podia sentir os dedos carinhosos e macios dela percorrendo seus cabelos que não mais existiam enquanto ela sussurrava: "Shh... Calma, meu amor. Vai ficar tudo bem."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-4357489528427652063?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/4357489528427652063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=4357489528427652063&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4357489528427652063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/4357489528427652063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#4357489528427652063' title='Margot'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-2302181626031332608</id><published>2011-02-22T14:36:00.003-03:00</published><updated>2011-03-22T10:23:03.903-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Salon</title><content type='html'>Não há muito o que comentar do evento acontecido na segunda-feira. Fiz a minha performance de novo, desta vez para os meus colégas do mestrado e outros alunos de outras faculdades. Como esperado, as reações deles foram bem mais mornas do que as do pessoal do Q-Art, devido à má reputação decorrente do meu começo. Acho que sempre que eu mencionar esses assuntos masculistas, eles vão se fechar um pouco assim. &lt;br /&gt;Mas consegui gravar a performance desta vez, e devo colocar aqui em breve. Levou menos de 10 minutos, mais rápida do que a primeira. O que gosto desta performance é que, mesmo quando ela dá errado, o erro funciona a meu favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="853" height="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ggvTcFXnDhk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ggvTcFXnDhk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="853" height="510"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar da falta de reação dos meus colegas, outras coisas interessantes aconteceram. O organizador do evento veio me parabenizar, dizendo que o jeito como eu levava essa performance "sem cara de performance" era muito gostoso, fazia a platéia simpatizar comigo e deixava toda a discussão bem mais leve. Conheci ainda um fotógrafo profissional que estava fotografando retratos profissionais de homens como forma de explorar e resgatar  masculinidade. Conversamos longamente sobre o perigo que esse trabalho tinha de cair na discussão sobre orientação sexual em vez de gênero masculino.Ele, aliás, era heterossexual. E pude novamente constatar como a pergunta por aqui não ofende tanto quanto nas culturas latinas.  Uma das minhas colegas, uma mãe lésbica de 35 anos, passou o resto da noite conversando comigo sobre questões de gênero, sexualidade e como esses assuntos masculinos precisam sim serem conversados mesmo na cultura britânica. Foi muito revelador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda estou esperando as pedradas advindas dos meus outros colegas daquela noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-2302181626031332608?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/2302181626031332608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=2302181626031332608&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2302181626031332608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/2302181626031332608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#2302181626031332608' title='Salon'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5761913898851694105</id><published>2011-02-22T13:46:00.004-03:00</published><updated>2011-02-24T21:34:16.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Exposições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Interim Show</title><content type='html'>Então vamos lá... Vou tentar escrever o que eu lembro disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O longo processo começou em Dezembro com a discussão do que fazer. Tínhamos um desafio bem claro: colocar 75 alunos em um espaço onde mal daria para expor 30. A discussão durou dois meses. As propostas começaram com a divisão do espaço em 75  partes iguais, uma para cada um. Daí nos tocamos que a faculdade queria que colaborássemos uns com os outros, mas fazer isso em 75 pessoas de culturas tão variadas (europeus diversos, um brasileiro, dois colombianos, miríade de asiáticos, persas, paquistaneses e tudo mais que você possa imaginar) não seria tarefa fácil. Os anarco-socialistas do grupo protestaram que não queriam entrar nas "ideologias antediluvianas e opressoras do capital", então deveríamos fazer um show que não procurasse vender obras e nem estabelecer hierarquias. Alguém sugeriu um evento de uma semana onde sequer mostraríamos obras, haveria apenas a interação com o público. Os alunos que já tinham carreiras iniciantes protestaram dizendo que queriam expôr o que tinham para seus colecionadores e galeristas. Alguém lembrou do Nomadic Hive Manifesto e contemplamos discutir o atual cenário político. Alguns dos asiáticos proclamaram que não tinham o menor interesse pela política local. E assim foi a conversa até o começo de Fevereiro, quando os anarco-socialistas intervieram na discussão de novo pra tomar a posição hierarquica superior de decisores e estabelecer que dividiríamos o espaço em 75 partes iguais, uma pra cada um. Ceeeeerto... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu confesso que, durante os dias que antecederam o &lt;em&gt;Interim Show&lt;/em&gt;, eu estava mais preocupado com outras coisas. Estava relativamente apavordo com a primeira performance da minha vida, no Q-Art Convenor. Produzindo partes para isso, pensando na logística do transporte e horários, no que dizer. A performance foi feita no dia anterior á abertura do show, e foi tão bem recebida, que cogitei mudar radicalmente o que eu mostraria no Interim. Mas seria tão complicado arranjar espaço em um dia, que resolvi continuar com o plano inicial de mostrar a Filha do Açogueiro. &lt;br /&gt;Não lembro direito do termo usado, mas um dos meus colegas referiu-se  à atividade intensa que acontecia no diminuto Triangle Space como uma espécie de "sucursal do inferno" ou "casa do rancor". Porque todos estavam tentando adquirir os materiais que precisavam, colocar seus trabalhos em lugares visíveis e fazer a politicagem necessária ("Eu não estou te atrapalhando, né? Me diz se eu estiver. Ah, estou? Putz, que pena eu não posso mudar...") até o horário da abertura. Eu mesmo passei boa parte do dia negociando um espaço alternativo, porque eu tinha sido colocado atrás de um alemão minimalista que construiu trés caixas de luz do tamanho de geladeiras e ninguém ia ver os meus cartões postais... Espaço negociado, eu estava quase perdendo a sanidade tentando negociar o andaime pra pendurar os fios para os cartões. E foi então que &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt;, o coordenador do curso, entrou no espaço e começou a dar sua opinião. Me disse que seu eu fosse o trigésimo aluno a pendurar coisas no teto, ele ficaria muito desapontado que ninguém estava pensando em outra solução mais criativa. Quase perco a compostura. Num ímpeto raivoso, fui aos estúdios de metal e madeira e produzi em duas horas um machado de carne cravado em uma tábua de cortar carne colocada no chão, com uma empunhadura cumprida na ponta da qual ficaram pendurados os carões. O efeito visual foi interessante, mas roubou a cena dos cartões, que ficaram meio desimportantes. E no fim o conjunto todo ficou pequenininho e escondido nos escombros do que virou uma grande amontoado amorfo e nonsense de arte contemporânea. &lt;br /&gt;Eu participei de algumas outras coisas, colaborações interessantes. Dois noruegueses me chamaram para encenar uma versão condensada e encenada apenas por homens da &lt;em&gt;Casa de Bonecas&lt;/em&gt; do &lt;strong&gt;Ibsen&lt;/strong&gt;, escritor norueguês. Minha avó chegou a encenar essa peça na década de 50. E uma alemã me colocou entre três participantes (3 = triângulo = Triangle Space) de uma performance onde esvaziamos latas de uma espuma isolante que expandia em um amontoado no chão. &lt;br /&gt;Claro que &lt;em&gt;O Sistema&lt;/em&gt; se encarregou de dar sentido àquilo, como sempre faz com os artistas depois que os confundiu bastante. Professores argumentaram como aquilo fazia um comentário à falta de espaço da faculdade, ao multiculturalismo de Londres, como cada visitante teria uma experiência diferente dependendo de como andasse por entre as coisas e outros blablablás com cara de conteúdo. E no fim, todo mundo considerou o acontecimento um relativo sucesso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda não sei ao certo o que pensar a respeito. E na verdade, resolvi não pensar muito a respeito. Estou apenas colhendo as opiniões sobre a minha personagem (por enquanto bem positivas) e esperando o stress e o rancor passarem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5761913898851694105?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5761913898851694105/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5761913898851694105&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5761913898851694105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5761913898851694105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5761913898851694105' title='Interim Show'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5076281194573223703</id><published>2011-02-20T15:17:00.003-03:00</published><updated>2011-02-20T15:51:56.353-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Odds and Ends</title><content type='html'>• Conversando durante uma balada com o americano &lt;strong&gt;Jonathan Morgan&lt;/strong&gt;, um dos meus colegas do curso, chegamos à conclusão de que raríssimas vezes tínhamos visto os ingleses se beijando nas baladinhas. Para mim a constatação era ainda mais estranha, porque eu estava morando em um edifício repleto de moradores entre os 18 e 22 anos de idade, e se isso fosse na minha cidade, seria uma pegação desenfreada. Aqui, tudo corria na maior normalidade. &lt;br /&gt;Cheguei a uma teoria interessante: na América, a base do convívio social é o sexo. O que fica implícito na saída para a balada é a busca pelo sexo e outras intimidades físicas. Nesse processo, o uso de entorpecentes (entenda-se aqui o álcool, além das drogas ilícitas) é um efeito colateral dessa busca. Acontece para temperar as delícias da noite. &lt;br /&gt;Aqui, a base do convívio social são os estados alterados. O que fica implícito na saída para a balada é a busca por um estado de consciência alterada, geralmente consequente do uso de entorpecentes (sim, o álcool principalmente, mas as drogas sintéticas também). Nesse processo, o sexo e intimidades físicas são um efeito colateral dessa busca. Acontecem como consequência dos excessos e da perda voluntária de controle sobre si mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Estação de Camden Town no fim de semana passado. Um punk (sexo não-identificável) caído inconsciente na plataforma 4. Minha reação natural foi fotografar isto e postar na internet como um espécime da vida londrina. Enquanto eu procurava minha câmera, um transeunte alertou um dos funcionários do metrô, que veio socorrer. Acordou o individuo que, com lentes de contato vermelhas saíndo do lugar, ensaiou respostas malcriadas ao funcionário antes de perceber que estava de fato precisando de ajuda. Quando eles saíram, fui deixado na plataforma, sentindo-me como o americano que eu sou: alguém que se importava mais com sua própria "aventura", ignorando o fato de que aquele era outro ser humano em apuros, precisando que alguém o ajudasse. Eu ainda tenho muito o que aprender... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Vejo os rapazes londrinos andando por aí com combinações de roupas que eu acho bem atraentes. Aos poucos eu vou me vestindo mais ou menos assim por aqui. Mas percebo que algumas dessas combinações funcionam muito bem neles, porque o biotipo deles lhes permite. São roupas que ficam bem em pessoas pálidas, de cabelos lisos e loiros e olhos azuis, e que pareceriam meio deslocadas em alguém de aparência latina. Não sei especificar detalhes. &lt;br /&gt;Apesar disso, tenho curiosamente recebido comentários de aprovação referentes ao meu estilo nem americano e nem europeu. À mistura de elementos do &lt;em&gt;dandy&lt;/em&gt; inglês e do astro de rock, a personalidade definida pela barba e os óculos, os broches colocados nas lapelas, o chapéu, os detalhes em geral. &lt;em&gt;A carefully crafted personality&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5076281194573223703?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5076281194573223703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5076281194573223703&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5076281194573223703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5076281194573223703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5076281194573223703' title='Odds and Ends'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1271329908657518588</id><published>2011-02-18T12:54:00.007-03:00</published><updated>2011-02-22T13:42:42.742-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matters of the heart'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Shift happens</title><content type='html'>Já foi documentado diversas vezes aqui no blog. Eu alterno entre épocas apolíneas e dionisíacas. Eu sinto a vontade de me afundar no racional, erguer castelos de logística que regem meus dias, uma sólida rotina onde tudo funciona como um relógio suiço apesar das bizarrices, manias e obssessões. Talvez até por causa das bizarrices, manias e obssessões. &lt;br /&gt;Daí chega uma época na vida, talvez por pressões externas, talvez apenas pela monotonia da minha própria &lt;em&gt;certice&lt;/em&gt;, em que eu me descubro cansado disso tudo. E começo a precisar da noite, dos lugares da cidade que "pessoas de bem" não vão. Preciso me destruir um pouco, encarar de frente minhas perversões, egoísmos, esquisitices. Na verdade, tudo não passa da busca pelo visceral que é perdido ou sufocado nas épocas de &lt;em&gt;certice&lt;/em&gt;. Porque eu também preciso disso pra viver. Aquele lado que me tem citando &lt;strong&gt;Cazuza&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Marina Lima&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;Essa época está chegando de novo. E o problema dela é que o lado meu que precisa da organização e disciplina sofre com o caos inerente a ela. Meu diminuto quarto está uma bagunça. Minhas rotinas completamente alteradas não funcionam mais. Mas principalmente, a documentação obssessiva de cada parte do meu processo por aqui deixou de fluir. Prova disso é que o tão falado &lt;em&gt;Interim Show&lt;/em&gt; veio e se foi e eu nem tenho muito informação coerente para documentá-lo por aqui. Me tranquilizo sabendo que boas coisas surgem do meio dessa destruição, como sempre surgiram nos meus outros mergulhos no abismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, &lt;strong&gt;Nana&lt;/strong&gt; estava me lembrando da época em que eu participava do falecido blog &lt;em&gt;Umas cabeças e o Dobro de Mãos&lt;/em&gt;; ou da &lt;em&gt;Literatura Corporal&lt;/em&gt;, uma lista de e-mails de cronistas que se interessavam por suspense, terror, erótica e assuntos do gênero. Foi uma época fértil e um mergulho no abismo que deixou ótimas recordações, como &lt;a href="http://web.archive.org/web/20070703072507/http://dobrodemaos.blogspot.com/2006/09/o-prdio.html" target="_blank"&gt;O Prédio&lt;/a&gt; ou o &lt;a href="http://web.archive.org/web/20070703072507/http://dobrodemaos.blogspot.com/2006/10/como-um-co.html" target="_blank"&gt;Como um Cão&lt;/a&gt;. Estou tentando procurar o &lt;em&gt;Margot&lt;/em&gt;, mas para minha grande infelicidade, ele não existe mais na internet. Postarei dos meus arquivos quando voltar pra casa hoje. &lt;br /&gt;Mas acho que essa revisão nostálgica dos meus períodos literários me fez pensar no que muita gente comenta, de como eu sou melhor escritor do que artista plástico. O pior de tudo é que eu concordo. Meu pai que explicou a questão da melhor forma: é muito fácil maravilhar alguém com uma bela imagem. E na época em que vivemos, há belas imagens em todos os lugares. Então o impacto de uma bela imagem é diminuto. Mas maravilhar com a linguagem é uma coisa cada vez mais rara. Eu tenho facilidade e prática para isso. E quando acontece, o impacto é fulminante. &lt;br /&gt;No entanto, já me vejo naquela fase da vida onde a perspectiva de começar de novo depois de ter trilhado um outro caminho por tanto tempo parece pesada e impraticável demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1271329908657518588?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1271329908657518588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1271329908657518588&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1271329908657518588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1271329908657518588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#1271329908657518588' title='Shift happens'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-5304361877163739541</id><published>2011-02-15T09:37:00.005-03:00</published><updated>2011-02-22T13:12:37.142-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Tutorial 4</title><content type='html'>[Post original em inglês para facilitar a documentação desses tutoriais no final do curso]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu segundo tutorial com o &lt;strong&gt;Sr. Dalwood&lt;/strong&gt;, eu tinha duas coisas para mostrar. Tinha o resultado da performance no Q-Art Convenor na quarta-feira anterior, e os cartões postais da Filha do Açogueiro no Interim Show. Eram coisas diferentes, mas de alguma forma relacionadas. Ambas eram uma nova espécie de sátira da masculinidade. A performance com o botão, porque eu estava pegando algo feminino e meigo e fingindo torná-lo uma tarefa masculina, e completamente invalidando seu propósito durante esse processo. Os cartões postais, porque eu era um homem adulto, ilustrando um alter ego que era uma garotinha, que por sua vez tentava agir de uma forma não tão feminina e bem violenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao botão, o &lt;strong&gt;Sr. Dalwood&lt;/strong&gt; ficou em uma das mesmas questões lançadas por alguém da platéia na quarta: onde eu estava querendo chegar? Eu estava propositalmente tentando fazer a platéia me detestar para provar algo? Mais importante, ele perguntou, será que algum deles de fato considerou o assunto em questão? Eu achei que alguns deles tinham considerado sim. Algumas das mulheres apenas acharam aquilo bonitinho, mas alguns dos homens consideraram sim. Outra coisaa que ele mencionou foi que, para ele, parecia que eu não estava de fato fazendo uma performance, mas apenas tendo uma conversa honesta e direta com a platéia sobre os assuntos que me interessavam. De certa forma, era isso que eu adorava nessa performance: ela me permitia ter essa conversa honesta e direta. Eu estava lidando com o assunto de frente, em vez de me proteger atrás de camadas impenetráveis de abstração e teoria. No entanto, eu não achava que aquilo era apenas uma conversa. Eu estava executando a tarefa de costurar o botão na parede. Uma tarefa inútil, já que eu tivera que fazer alterações para passar da costura em tecido para a costura em parede, e portanto, se qualquer um tentasse seguir os passos mencionados no tutorial, esse botão jamais seria costurado direito. E como eu tinha postulado antes no meu trabalho de graduação sobre a minha definição de arte, ela era sempre inútil, do ponto de vista prático.  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dexter&lt;/strong&gt; também não conseguiu sugerir algo que seria considerado uma tarefa especificamente feminina na Inglaterra. Ele mencionou trocar fraldas, e eu tive lampejos de como isso estaria ligado à questão de homens cuidando dos filhos nos países nórdicos e aos pais de Nova Iorque, assim como à impossibilidade de homens serem considerados para empregos como babás na Europa, já que seriam considerados pervertidos sexuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito dos cartões postais, eu fiquei feliz em ver que ele chegou a algumas das conclusões que eu esperava. Ele entendeu a Filha do Açogueiro como um alter ego (e um colega que passou por aqui enquanto eu estava escrevendo isso me perguntou porque ela usava a mesma pulseira de couro que eu, apenas para perceber o porque no segundo seguinte...), e ele colocou uma questão interessante. Alice era mais passiva, apenas observava o mundo ao redor, enquanto que a Filha do Açogueiro estava ativamente participando do ambiente com um machado de carne em mãos. A questão era: o que ela estava atacando? O que eu queria atacar? A questão parecia óbvia no começo e eu estava prestes a me precipitar a responder que eu estava atacando os papéis masculinos convencionais ou algo do gênero. Mas repentinamente me dei conta de que o assunto era bem mais difícil de entender. O que eu &lt;em&gt;de fato&lt;/em&gt; estava atacando? &lt;br /&gt;Não houve problema com a obviedade de escrever no verso dos cartões postais. Ele achou apenas que eu poderia fazer isso de forma menos direta. Eu já tinha sentido que estava perdendo um pouco da melhor qualidade das aventuras da Filha do Açogueiro ao tentar ligpa-las tão obviamente às teorias às quais eu tinha sido exposto e principalmente às palestras do &lt;strong&gt;Professor Cussans&lt;/strong&gt;. Eu tinha que deixá-la correr solta um pouco mais e, nas palavras do &lt;strong&gt;Sr. Dalwood&lt;/strong&gt;, me aventurar na minha mais profunda estranheza. Ir mais a fundo na psichê. Eu concordei. Eu senti que os três cartões que eu tinha no Interim Show perdiam em comparação com as outras pinturas não por causa de seu tamanho e mídia, mas por causa do quão superficiais eles eram. No entanto, eu temo um pouco pelos resultados disso. Por motivos que eu nem consigo me permitir escrever por aqui. &lt;br /&gt;Mas um pouco disso tem a ver com o quão perturbadoramente longe eu consigo ir ao mutilar a figura de uma garotinha. Eu estava pensando que ela é uma criança mexendo com uma faca e acidentes podem acontecer. Assim como eu me machucara no começo do mestrado por ser descuidado ao lidar com os assuntos masculistas. Já antevejo ela perdendo alguns membros. Mas por outro lado, se o &lt;strong&gt;Trevor Brown&lt;/strong&gt; conseguiu durar tanto tempo [&lt;a href="http://www.pileup.com/babyart/" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://img15.nnm.ru/2/2/6/7/4/5df24df41a83eef8ad72c82473f.jpg" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img13.nnm.ru/a/d/f/1/1/e6951d85b8100c9d8dff0905594.jpg" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img13.nnm.ru/6/8/2/c/0/228a35e1dfe0b1fd6c4827fa29b.jpg" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img15.nnm.ru/2/3/9/b/8/5c5cefa1c5e8013f0298a06b905.jpg" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;], acho que isso não será tamanho problema pra mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;==========O==========&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For my second tutorial with &lt;strong&gt;Mr. Dalwood&lt;/strong&gt;, I had two things to show. There was the result of my perfomrnace at the Q-Art Convenor on the previous Wednesday, and the postcards of the Butcher's Daughter on the Interim Show. They were different things, but somehow related. They were both a new sort of mockery of manhood. The button performance, because I was taking something feminine and dainty and pretending to make it a manly task, and completely invalidating its purpose in the process. The postcards, because I was a grown man, ilustrating an alter ego who was a little girl, who in turn tried to act not-so-girly and quite violent. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For the button, &lt;strong&gt;Mr. Dalwood&lt;/strong&gt; stuck to one of the same questions brought forth by someone in my audience on Wednesday: where was I going with this? Was I deliberately trying to get the audience to hate me to prove a point? More importantly, he asked, did any of them actually consider the point? I thought some of them did. Some of the women just found it cute, but some of the men did.&lt;br /&gt;Another thing he mentioned was that it seemed to him that I wasn't actually making a performance, but just having a frank and direct talk with the audience about the issues I was concerned with. In a way, that was what I most liked about this performance: it enabled me to have that frank and direct talk. It was dealing with the matter head-on, and not shielded behind impenetrable layers of abstraction and theory. However, I didn't consider it to be merely a talk. I was doing that task of sewing the button to the wall. A pointless task, since I had to alter it to go from sewing on cloth to sewing on wall, and thus, if anyone should follow the steps provided on the tutorial, they'd never get that button sown on their coat correctly. And as I had stated in my earlier graduation work about the definition of art, it was always pointless from a practical point of view. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dexter&lt;/strong&gt; also failed to give me any suggestion of something that would be considered purely a woman's task in Britain. He mentioned changing diapers, and I did glimpse how it would tie with the matter of men caring for children in Nordic countries and the fathers in New York, as well as the impossibility for men to be considered for jobs as &lt;em&gt;au pairs&lt;/em&gt; in Europe, since they'd be considered perverts. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;With regards to the postcards, I was happy to see he came to some of the expected conclusions. He understood the Butcher's Daughter as an alter ego (and another colleague who came around while I was writing this asked me why she wore my wristband, only to have it click on his mind a second later...), and he posed an interesting question. Alice was more passive, just watching the world around her, while the Butcher's Daughter was actively engaging with her surroundings and wielding a meat cleaver at them. The question was: what was she attacking? What did I want to attack? At first the question seemed obvious and I was about to jump at saying that I was attacking conventional male roles or something like that. But then it clicked and I understood that the matter was a lot harder to figure out. What &lt;em&gt;was&lt;/em&gt; I attacking?&lt;br /&gt;There was no problem with the obviousness of writing on the back of the postcards. He just thought I could do that in a less direct way. I had already felt I was loosing some of the best quality of the Butcher's Daughter's adventures by trying to tie them so obviously to the theories I had been exposed, namely to &lt;strong&gt;Professor Cussan&lt;/strong&gt;'s lectures. I had to let her run free a bit more and, in &lt;strong&gt;Mr. Dalwood&lt;/strong&gt;'s words, tap into the deeper strangeness in me. Go deeper into the psyche. I agreed. I felt the three postcards in the Interim Show lost in comparison to other paintings not because of their size and media, but because of how superficial they were. I do however fear some of the outcomes of that. For reasons I can't even bring myself to publish here. &lt;br /&gt;But some of it had to do with the disturbing extent I could go into mutilating a figure of a little girl. I was thinking that she's a child wielding a knife and accidents will happen. Just like I had gotten hurt in the beginning of the MA by being careless when dealing with the masculist issue. I could already foresee her loosing a few limbs. But then again, if &lt;strong&gt;Trevor Brown&lt;/strong&gt; has been around for so long [&lt;a href="http://www.pileup.com/babyart/" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://img15.nnm.ru/2/2/6/7/4/5df24df41a83eef8ad72c82473f.jpg" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img13.nnm.ru/a/d/f/1/1/e6951d85b8100c9d8dff0905594.jpg" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img13.nnm.ru/6/8/2/c/0/228a35e1dfe0b1fd6c4827fa29b.jpg" target="_blank"&gt;4&lt;/a&gt;] [&lt;a href="http://img15.nnm.ru/2/3/9/b/8/5c5cefa1c5e8013f0298a06b905.jpg" target="_blank"&gt;5&lt;/a&gt;], then I suppose it's not that big of an issue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-5304361877163739541?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/5304361877163739541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=5304361877163739541&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5304361877163739541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/5304361877163739541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#5304361877163739541' title='Tutorial 4'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-8522779232193212837</id><published>2011-02-13T15:06:00.002-03:00</published><updated>2011-02-13T15:16:40.760-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Emily e a cozinha</title><content type='html'>Cheguei na cozinha no sábado à noite e &lt;strong&gt;Emily&lt;/strong&gt; estava terminando de arrumar suas coisas. Pela primeira vez desde que cheguei, a cozinha estava (quase) impecável. Fiquei surpreso! Ela comentou que tinha levado três horas para limpar a cozinha e que não faria isso de novo. &lt;br /&gt;Era uma mudança estranha. Porque desde que eu chegara, &lt;strong&gt;Emily&lt;/strong&gt; parecia ser a responsável por boa parte da bagunça. Ela e seus amigos que vinham cozinhar e saíam sem arrumar nem lavar nada e às vezes levando utensílios com eles. Já dei um dos meus copos como perdido (provavelmente quebrado, não sei) e duas das minha colheres passaram um mês desaparecidas até voltarem uns dois dias atrás. Hoje de manhã foram meus potes pra comer cereal no café da manhã. &lt;br /&gt;Mas ainda que o sumiço de utensílios continue, resolvi deixá-la em paz porque pelo menos quanto à limpeza ela parece ter mudado. Falta mudar os outros britânicos do apartamento. &lt;br /&gt;Mas me pergunto o que terá levado a essa mudança. Andei pensando que eles não se tocavam quanto à sujeira e bagunça da cozinha porque Londres no inverno não tinha insetos. E como moramos em um dos andares superiores, ratos também não apareciam. Porque só assim eles aprenderiam... &lt;br /&gt;Mas não pensei na questão do cheiro. &lt;strong&gt;Emily&lt;/strong&gt;, como toda garota, era especialmente sensível a odores estranhos na cozinha. e quando a nossa bagunça começou a feder, ela começou a obcecar com limpeza. Fez o fogão, o interior da geladeira, a lata de lixo, o interior dos armários... Só pediu que eu fizesse o microondas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou até querendo incentivá-la a manter o comportamento. E quem sabe dar um jeito nesses amigos dela que chegam pra cozinhar na nossa cozinha. Sugestões?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-8522779232193212837?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/8522779232193212837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=8522779232193212837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8522779232193212837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/8522779232193212837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#8522779232193212837' title='Emily e a cozinha'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-3701746979248407967</id><published>2011-02-11T09:04:00.008-03:00</published><updated>2011-02-24T21:35:46.077-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Video'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Q-Art Convenor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-HX2AfYXiFe8/TWb5OXOhKXI/AAAAAAAAAHE/FHg1lAn7IlE/s1600/IMG_0330.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-HX2AfYXiFe8/TWb5OXOhKXI/AAAAAAAAAHE/FHg1lAn7IlE/s200/IMG_0330.JPG" border="0" alt="How to Sew a Button"id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577419213693331826" /&gt;&lt;/a&gt;"Isto é uma loucura irresponsável" foi o que eu pensei quando desci do metrô na estação de Aldgate East na quarta-feira. Eu carregava comigo um pedaço de madeira de 120cms por 70cms, pesando mais ou menos uns dez quilos, com um buraco em um dos lados pra servir de alça improvisada. Além disso, a mochila vinha carregada de mais coisas e pedaços de madeira. Pra piorar a situação, estávamos na véspera de abrir o polêmico &lt;em&gt;Interim Show&lt;/em&gt;, e enquanto muita gente estava lá em Chelsea montando sua obras no insuficiente &lt;em&gt;Triangle Space&lt;/em&gt;, eu estava carregando essa tralha toda do outro lado de Londres. &lt;br /&gt;Eu estava a caminho do &lt;em&gt;Q-Art Convenor&lt;/em&gt;, um evento que acontecia uma vez por mês, organizado por uma estudante da faculdade de Goldsmiths, mas aberto a estudantes de todas as faculdades. No evento, seis artistas participantes deveriam trazer seus trabalhos e teriam 25 minutos para apresentar e receber críticas do público, também majoritariamente composto por estudantes de arte. Eu não queria desperdiçar a chance. &lt;br /&gt;Encarei o evento como uma oportunidade de apresentar uma das performances que eu vinha desenvolvendo em Janeiro. O problema: eu precisava de uma parede na qual eu pudesse fazer quatro furos e a galeria não me permitira furar as paredes deles. Então eu estava levando minha própria "parede". A táboa de madeira machucava minha mão com o peso. Mas o resultado seria tão legal... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento começou com pinturas e esculturas. Mas perto das quatro da tarde, chegou a minha vez. &lt;br /&gt;Fui bem franco com a platéia. Comentei que era a minha primeira performance e eu nem sabia se ia funcionar (mentira: eu já tinha testado na faculdade). Me apresentei, mencionando de onde eu vinha, e que eu já ouvira o sotaque de um conterrâneo na platéia. E então comecei dizendo que eu estava em Londres há cinco meses e que a minha estadia aqui me colocara em situações com as quais eu nunca lidei em casa. Como quando meu casaco perdeu um botão. E eu percebi que nunca tinha precisado pregar um botão. Resolvi incentivar a participação do público e escolhi um dos rapazes na platéia: "o senhor já pregou um botão antes?" Para minha surpresa, o pai dele era alfaiate. Foi uma surpresa produtiva que nos levou à questão da diferença entre "alfaiate" e "costureira", incluindo a diferença de valor dos dois termos. &lt;br /&gt;Percebendo algumas das garotas na platéia murmurando que também jamais haviam pregado um botão, resolvi a questão com bom humor: "ótimo, então meu tutorial vai servir tanto para homens quanto para mulheres!"&lt;br /&gt;O que se seguiu foi um passo a passo bem humorado sobre como pregar um botão. Mas eu mencionava que, por causa do enorme tamanho da platéia, eu tivera que fazer algumas alterações na apresentação, porque seria difícil para as pessoas do fundo verem um diminuto botão. Então tirei da minha mochila um enorme botão de madeira (dá pra ver eu produzindo ele no vídeo sobre a &lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2010_11_01_archive.html#5227025133353621926" target="_blank"&gt;partida da &lt;strong&gt;Lexy&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; - minuto 3:53). "Todo mundo consegue ver o botão?" Risos calorosos da platéia. E em vez de pregá-lo no meu casaco que de fato estava sem um botão,  preguei-o na minha "parede portátil", usando uma furadeira em vez de agulha e fio de cobre em vez de linha. &lt;br /&gt;O processo, claro, não era o mesmo. Tive que tirar alguns detalhes do verdadeiro processo de pregar um botão e colocar outros para lidar com a parede e o fio de cobre. E algumas coisas até ficaram ainda mais complicadas e demoradas. Então, para não entediar a platéia, conversei sobre como as coisas eram no meu país; sobre empregadas domésticas que faziam esses serviços mais amenos que os homens raramente faziam; e até sobre minha namorada que trabalhava em uma agência de publicidade, trabalho antes executado apenas por homens. Eu podia ter falado mais. Mas de fato, conseguir executar todo o processo e manter uma conversa inteligente ao mesmo tempo era uma tarefa ingrata. &lt;br /&gt;Mas me surpreendi com o modo como eu estava sendo criativo e perspicaz com aquelas pessoas. Quando tentei furar a parede pela primeira vez, não percebi a furadeira ajustada para girar ao contrário. Pressionei-a contra a parede e nada aconteceu. Até que uma das garotas perguntou: "tem certeza de que não está indo ao contrário?" Parei tudo, reajustei a furadeira e comentei: "se supõe que um homem saiba fazer essas coisas..." A platéia gargalhou. Mais adiante, meu nervosismo dificultava a tarefa simples de passar o fio de cobre pelos buracos. "É difícil fazer isso com mãos trêmulas", comentei. E a platéia pareceu se afeiçoar mais ao meu jeito desastrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo estava terminado, recebi os aplausos e dei inícios às perguntas. Mais uma vez, fiquei surpreso com o quanto a platéia pareceu simpatizar com minha performance. E imagino até que minha própria turma de mestrado não teria sido tão calorosa. Talvez porque eu já tivesse queimado o meu filme além do tolerável com a minha apresentação inicial, e com minhas vãs tentativas de falar seriamente sobre o assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A performance me mostrou que lidar com o masculismo de maneira séria era uma vulnerabilidade. Era abrir-se para ataques sérios. Enquanto que o humor permitia fazer as pessoas pensarem no assunto, enquanto se estava fora do alcance da crítica mais pesada. O humor permitia uma ambiguidade, ninguém sabia se você estava falando sério ou não, mas a questão ficava no ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, o vídeo que recebi do &lt;strong&gt;Wagner&lt;/strong&gt;, o meu conterrâneo na platéia, que gravou a sessão de perguntas. O áudio está péssimo e as legendas consequentemente piores. Mas dá pra entender como a platéia reagiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;iframe width="600" height="380" src="http://www.youtube.com/embed/UU_mrzI8fxg?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-3701746979248407967?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/3701746979248407967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=3701746979248407967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3701746979248407967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/3701746979248407967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#3701746979248407967' title='Q-Art Convenor'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HX2AfYXiFe8/TWb5OXOhKXI/AAAAAAAAAHE/FHg1lAn7IlE/s72-c/IMG_0330.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6813810553312845388</id><published>2011-02-05T09:17:00.006-03:00</published><updated>2011-02-05T10:31:13.590-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butcher&apos;s Daughter'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desabafos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Masculismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Interim Crisis</title><content type='html'>Em um dos recentes encontros e palestras sobre os protestos, foi levantada a questão dos estudantes estrangeiros. O que era pra ser uma discussão informativa sobre como o assuntos dos cortes de financiamento influenciavam esta parcela da população rapidamente deu lugar a discussões estruturais muito mais importantes. &lt;br /&gt;Pessoalmente, cheguei à conclusão de que os cortes não me influenciam diretamente. Primeiro porque os preços que os alunos estrangeiros pagam (direferentes e mais caros que os dos alunos europeus) não vão sofrer alteração. O que muda para o estrangeiro estudando em Londres é a questão do visto. Pelo esquema atual, cerca de 196,000 estudantes estrangeiros viajam até a metrópole todo ano para fazer parte dos cursos de faculdades privadas. Com a nova proposta, os critérios de seleção para vistos de estudante ficarão mais difícieis, limitando o número a estimados 87,00, menos da metade. Eles também planejam acabar com a possibilidade que o visto dá a estes estudantes de ficarem para trabalhar no país por dois anos após o término do curso. &lt;br /&gt;Mas como mencionei acima, nada disso me afeta diretamente. O curso já foi pago e ando pela Europa com um passaporte italiano que me permite ficar por aqui pelo tempo que eu quiser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a discussão levantou outro aspecto relevante. O professor &lt;strong&gt;Cussans&lt;/strong&gt; esteve nesse encontro e revelou detalhes estruturais escabrosos sobre a faculdade. Em primeiro lugar, o preço mais elevado para estrangeiros foi instaurado inicialmente sob a premissa de que os alunos locais pagavam impostos que eram revertidos em subsídios para a faculdade, diminuíndo o custo que eles geravam, e portanto o preço que tinham que pagar. Alunos estrangeiros supostamente pagariam mais para compensar os impostos que não pagam ao governo. A verdade é que acabamos virando uma lucrativa fonte de renda para as faculdades, pagando cerca de três vezes mais do que os alunos locais. A consequência capitalista disso é que as faculdades começaram a fazer de tudo para incluir mais e mais alunos estrangeiros em seu meio, visando aumentar esse lucro. O efeito é visível nos processos de seleção. Alunos locais têm mais dificuldade de serem aceitos nas faculdades e atravessam uma minuciosa avaliação de seus portfolios e currículos. Quanto aos alunos estrangeiros, a coisa acontece como aconteceu comigo: entrevistas por telefone a longa distância, ou com funcionários de faculdades que não têm nada a ver com a faculdade que te interessa (o senhor que me entrevistou e disse que meu trabalho era fantástico era da faculdade de moda e claramente procurava alunos desse curso...). Óbvio que eles procuram alunos que sejam capazes de escrever uma tese de mestrado, mas o fator principal ainda é a carteira: você pode pagar pelo curso? Sabendo disso, não supreende o fato de eu não ter conseguido aquela bolsa de estudo, mesmo tendo ouvido que meu trabalho era um dos melhores que o entrevistador tinha visto e tendo descoberto que o coordenador do curso também lidava com questões de gênero na arte. &lt;br /&gt;Na publicidade, há um termo para um produto que custa pouco para fazer e é vendido com uma alta margem de lucro: é a chamada "vaca leiteira" da empresa. Nós, os alunos estrangeiros, somos as vacas leiteiras das faculdades inglesas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu normalmente não me deixo abater por essas questões políticas. Mas confesso que nos meses recentes, tenho questionado cada vez mais a validade do que eu estou fazendo aqui. Será que importa para alguém? Ou será que apenas o dinheiro que eu trouxe importa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando um pouco de tema, me rendi à percepção de que os assuntos masculistas simplesmente não são assunto aqui na Europa (são um &lt;em&gt;non-issue&lt;/em&gt;, um "não-assunto"). O sexismo aqui é combatido com veemência de ambos os lados. E nos poucos assuntos onde essa igualdade entre sexos ainda não chegou para os homens, a questão é abafada, ignorada. Meus colegas americanos (dos EUA e Colômbia) percebem isso e me confortam dizendo que meu projeto seria bem relevante no nosso continente. Mas não aqui. Por isso que tenho decidido dar um tempo no masculismo. Pelo menos não tentarei mais lidar com ele tão diretamente, tão insistentemente, enquanto estiver por aqui. Claro, continuarei a fazer alguns experimentos. Mas o foco principal vai mudar para outra coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntando os dois assuntos, minha situação como estudante estrangeiro que não importa me confere uma certa isenção de responsabilidade que me parece bem confortável. Só assim posso ter certeza de que não importa se eu mudo completamente o projeto que eu inicialmente tinha vindo fazer aqui. Os tutores deram sua benção. &lt;br /&gt;Nesta próxima semana, montaremos o polêmico &lt;em&gt;interim show&lt;/em&gt; que já rendeu muita discussão e rancor entre os 75 alunos (maioria estrangeiros) do curso. Ando pensando no que colocar lá. Se arrisco a fazer uma das performances sobre questões masculinas que tenho experimentado durante o mês de Janeiro, e caio mais um vez em uma questão que não importa aqui, em um formato arriscado que nunca fiz antes; se arrisco colocar os &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/01/phallics.html" target="_blank"&gt;fálicos&lt;/a&gt; e receber as mesmas críticas [&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#4154517290596158382" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;][&lt;a href="http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#6624240489627433239" target="_blank"&gt;2&lt;/a&gt;] que já venho recebendo sobre eles; ou se corro para ter prontos mais dos cartões postais do Tate Modern com as ilustrações da &lt;a href="http://stone-lion.blogspot.com/2011/01/butchers-daughter-3.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; viajando por Londres, que é para onde meu mestrado está se encaminhando. Sou tentado mais pela terceira opção, embora tenha vários medos envolvidos nisso. Medo de que singelos e diminutos cartões postais fiquem quase invisíveis em uma exposição com trabalhos de 75 alunos em um espaço onde mal cabem 30. Medo de que estas pinturinhas percam na comparação com os trabalhos de outros "pintores machões" (ainda preciso escrever sobre esse termo), com telas enormes, tinta a óleo em profusão, abstração proliferando. &lt;u&gt;Medo de não importar&lt;/u&gt;. E talvez ainda mais medo de que ela, minha &lt;em&gt;Butcher's Daughter&lt;/em&gt;, seja criticada e questionada como o resto das minhas coisas por aqui. Porque não sei o que vou fazer se eu perder a fé nela também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-6813810553312845388?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/6813810553312845388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=6813810553312845388&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6813810553312845388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/6813810553312845388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#6813810553312845388' title='Interim Crisis'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-1015768354225494499</id><published>2011-01-30T21:21:00.007-03:00</published><updated>2011-01-30T21:48:01.012-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Video'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>New Year's Eve Fireworks</title><content type='html'>Ainda não acredito que eu demorei quase um mês pra fazer isso... Toda a animação de vocês pelo fim de ano já deve ter passado. Ainda assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="853" height="505"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CuJsf1dyKpg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CuJsf1dyKpg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="853" height="505"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem-se que dá pra colocar legendas: é só apertar no "CC"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3463440-1015768354225494499?l=eternalchild.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eternalchild.blogspot.com/feeds/1015768354225494499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3463440&amp;postID=1015768354225494499&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1015768354225494499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3463440/posts/default/1015768354225494499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eternalchild.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#1015768354225494499' title='New Year&apos;s Eve Fireworks'/><author><name>Pedro Leão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14536576869904950412</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3463440.post-6281429748482619275</id><published>2011-01-26T23:15:00.003-03:00</published><updated>2011-01-27T00:03:13.912-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Londres'/><title type='text'>Dawn Chalkley</title><content type='html'>A estação de Mornington Crescent fica um pouco ao sul de Camden Town. Uma área da cidade notória pela vida noturna, pessoas vestidas de modo alternativo e intimidante. Por alí, perto do Koko Club onde fora a primeira festa do curso, estava acontecendo o evento &lt;em&gt;The Dandyism of Contempt&lt;/em&gt; ["O &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dandy" target="_blank"&gt;Dandyismo&lt;/a&gt; do Desprezo"]. Interessei-me pelo evento inicialmente porque comentava sobre a cultura &lt;em&gt;Dandy&lt;/em&gt; à qual pertenceram &lt;strong&gt;Lorde Byron&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Oscar Wilde&lt;/strong&gt;, entre outros. Mas também, como o resto da minha turma, eu estava comparecendo ao evento por causa de &lt;strong&gt;Brian Chalkley&lt;/strong&gt;, o coordenador do mestrado. &lt;br /&gt;Já era de conhecimento geral que &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; era um adepto do &lt;em&gt;drag&lt;/em&gt;. Sua personagem, &lt;strong&gt;Dawn Chalkley&lt;/strong&gt; (não confundir com &lt;strong&gt;Mellor&lt;/strong&gt;) era famosa na faculdade. Mas por mais bizarro que pudesse soar, todo mundo a respeitava. De fato, o próprio &lt;strong&gt;Brian&lt;/strong&gt; referia-se a ela como se fosse uma entidade separada dele. &lt;br /&gt;Lá estava ele: longa peruca loira e maquiagem. Apresentava o evento sem qualquer inflexão na voz, já que em sua idade a tendência era que homens e mulheres tivessem vozes relativamente parecidas. Como toda &lt;em&gt;drag&lt;/em&gt;, o objetivo de &lt;strong&gt;Dawn&lt;/strong&gt; era cutucar, pegar as pessoas de surpresa. Se possível, fazê-las pensar. &lt;br /&gt;E não demorou até que ela me percebesse na multidão e viesse pra cima de mim. Chegando bem perto, com o microfone entre nós, anunciou à multidão que tínhamos alí naque
